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PF prende deputado eleito no Rio por suspeita de lavagem em rede de 96 postos

Oitava fase da Operação Unha e Carne suspende 112 empresas, 96 delas postos, e expõe o tamanho da concorrência desleal que o revendedor honesto enfrenta no Rio

A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (15) o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil-RJ), ex-prefeito de Belford Roxo, na 8ª fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro estruturado em uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro. A Justiça determinou a suspensão das atividades de 112 empresas — 96 delas postos — além do bloqueio de bens e valores.

Para quem opera posto no estado, o número que importa é este: quase uma centena de pontos de venda sob suspeita de servir de fachada para dinheiro ilícito. É concorrência que não precisa de margem para sobreviver, e que puxa para baixo o preço de bomba de toda a vizinhança.

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A operação faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II e foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio na eleição deste ano, com 197.178 votos.

O que a investigação aponta

Segundo as reportagens, um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificou movimentação superior a R$ 7,6 bilhões em seis anos. A PF cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão no Rio, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.

Além de Canella, foram presos Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Sousa Júnior, o delegado Marcus Vinícius Amim Fernandes e o inspetor Pablo Jukiá Felix Ferreira, ambos da Polícia Civil fluminense. Os investigados podem responder por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que “não compactua com qualquer desvio de conduta”. As defesas dos presos não haviam se manifestado até a publicação das reportagens. Trata-se de prisão preventiva em fase de investigação: não há denúncia aceita nem condenação, e os investigados têm direito a defesa e recurso.

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Por que o revendedor honesto paga a conta

Posto usado para lavagem não opera pela lógica do negócio. O objetivo é dar aparência legal a dinheiro de outra origem, e o combustível é só o veículo. Isso permite vender abaixo do custo de reposição por meses, sem quebrar, porque o caixa não depende da margem da bomba.

Para o vizinho que compra da distribuidora, recolhe ICMS, paga folha e cumpre a regulação da ANP, essa disputa é impossível. O revendedor honesto perde galonagem, aperta margem para não perder cliente e, em muitos casos, é visto pelo consumidor como “o caro da região” — quando o que está fora da curva é o preço do outro.

A suspeita de formação de cartel agrava o quadro. Uma rede com quase uma centena de pontos concentrada numa mesma região tem peso para ditar preço local. Se a investigação confirmar o arranjo, o efeito vai além da lavagem: é distorção de mercado em escala regional.

O que observar na sua praça

Nenhum dono de posto tem poder de investigação, mas alguns sinais merecem atenção e registro: preço de bomba sistematicamente abaixo do custo de reposição da região, troca frequente de razão social ou de responsável técnico no mesmo ponto, e postos que mantêm preço agressivo mesmo quando o mercado inteiro sobe.

O caminho é documentar e levar ao sindicato da revenda e aos órgãos competentes — ANP, Secretaria de Fazenda estadual e Ministério Público. A denúncia institucional, com dados de preço e datas, pesa mais do que a reclamação isolada. E proteger a própria operação continua sendo o básico: nota de entrada em dia, controle de estoque fechado e documentação de compra organizada para qualquer fiscalização.

A suspensão de 96 postos também vai mexer na oferta da região nas próximas semanas. Revendedores próximos aos pontos atingidos devem acompanhar o comportamento de demanda e ajustar estoque com cautela, sem apostar em ganho de volume permanente antes de o quadro se definir.

A reportagem acompanha os desdobramentos e atualizará conforme novos fatos.

Fontes: Poder360 (15/10/2026) — ver matéria original; O Povo (16/10/2026) — ver matéria original. Texto autoral Brasil Postos com base no conteúdo original.

Perguntas e respostas

O que é a Operação Unha e Carne da Polícia Federal?

É uma investigação da PF, integrada à Força-Tarefa Missão Redentor II, que apura lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos no Rio de Janeiro. A 8ª fase, deflagrada em 15 de outubro com autorização do ministro Alexandre de Moraes, resultou em seis presos, entre eles o deputado estadual eleito Márcio Canella.

Quantos postos foram suspensos na operação no Rio?

A Justiça determinou a suspensão de 112 empresas ligadas ao esquema investigado, sendo 96 delas postos de combustíveis. Também houve bloqueio de bens e valores. Os mandados foram cumpridos no Rio, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.

Quanto dinheiro o esquema teria movimentado?

Um relatório do Coaf citado nas reportagens aponta movimentação superior a R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos. O valor é da fase de investigação: ainda não há denúncia aceita nem condenação, e os investigados podem contestar as conclusões na Justiça.

O que o dono de posto pode fazer diante de concorrência suspeita?

Registrar preços e datas de concorrentes que vendem sistematicamente abaixo do custo de reposição e levar o material ao sindicato da revenda, à ANP, à Secretaria de Fazenda e ao Ministério Público. Ao mesmo tempo, manter a própria documentação de compra, notas e controle de estoque em ordem para qualquer fiscalização.

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