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ANP vai acessar as notas fiscais do setor, inclusive dos postos, em 22 estados e no DF

Acordo com 22 estados e o Distrito Federal é o primeiro passo da plataforma Pista. A próxima etapa deve tornar obrigatório que postos e distribuidoras autorizem o acesso às suas notas

A ANP concluiu na quarta-feira (7) a coleta de assinaturas de um Acordo de Cooperação Técnica com as Secretarias de Fazenda, Economia ou Finanças de 22 estados e do Distrito Federal, com intermediação do Conselho Nacional de Política Fazendária, o Confaz. O acordo terá vigência de dez anos.

Segundo a agência, o instrumento vai permitir que a ANP acesse os documentos fiscais eletrônicos emitidos ou recebidos por agentes regulados do abastecimento que tenham autorizado esse acesso. Entre eles estão revendedores e distribuidores de combustíveis e de GLP, importadores, exportadores, produtores de biocombustíveis e refinarias.

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Participam do acordo: Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Sergipe, Tocantins e Distrito Federal.

Pela lista divulgada, Amazonas, Paraná, Santa Catarina e São Paulo não estão entre os signatários.

A plataforma Pista

O acordo é a primeira de três frentes para implementar a Plataforma Integrada de Supervisão e Transparência do Abastecimento de Combustíveis, batizada de Pista. A iniciativa tem origem no Projeto de Transparência de Preços na Revenda, iniciado em 2010, e agora será ampliada para abranger preços, volumes e movimentações em toda a cadeia.

A segunda frente é regulatória, e é a que mais interessa ao revendedor. A ANP pretende tornar obrigatório que os agentes regulados autorizem o acesso aos seus documentos fiscais eletrônicos. A agência prevê abrir consulta pública sobre a minuta de resolução em novembro de 2026 e publicar a norma até março de 2027. A terceira frente é operacional: o desenvolvimento das ferramentas para coletar, armazenar e tratar os dados.

O que a ANP vai poder fazer com os dados

Segundo a agência, as informações podem fortalecer a fiscalização e a identificação de indícios de práticas anticompetitivas, além de permitir checagens remotas sobre suspeitas de adulteração e outras irregularidades. A plataforma também deve apoiar o monitoramento dos fluxos de abastecimento e a detecção de riscos de desabastecimento.

Na prática, a fiscalização deixa de depender só da visita à pista. Com a nota de entrada e a de saída, a agência pode cruzar de onde o combustível veio, por quanto foi comprado e por quanto foi vendido — e fazer isso de forma contínua, sem fiscal no local.

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O que isso muda para o posto

A nota fiscal vira o retrato do posto. Compra de outro posto ou de distribuidora fora da bandeira, volume vendido maior que o comprado, preço que não acompanha o custo: tudo isso aparece no cruzamento das notas. São exatamente as infrações que surgem nos relatórios semanais da ANP, como a compra de congênere.

Margem fica visível. Com acesso às notas de compra e de venda, o cálculo da margem que a fiscalização de preço abusivo tem feito pode ficar muito mais rápido. Para quem documenta cada reajuste, isso é proteção. Para quem não documenta, é risco.

Boa notícia para quem trabalha na lei. O cruzamento automático de notas é a ferramenta que faltava contra quem compra combustível sem origem, sonega ou vende produto que não comprou. Esse é o concorrente que o posto regular não consegue enfrentar no preço. Uma fiscalização baseada em dados tende a tirá-lo do mercado.

Acompanhe a consulta pública de novembro. A resolução que vai tornar o acesso obrigatório ainda será debatida. É o momento de o setor opinar sobre prazos, alcance e garantias de sigilo — como na revisão da norma de qualidade, quem não participa recebe a regra pronta.

Fonte: ANP, com informações do Estadão Conteúdo publicadas pela Folha de Pernambuco (09/10/2026). Texto autoral Brasil Postos com base no conteúdo original.

Perguntas e respostas

O que a ANP acertou com as Secretarias de Fazenda?

Um Acordo de Cooperação Técnica, com vigência de dez anos, que permite à agência acessar documentos fiscais eletrônicos de agentes do setor de combustíveis que tenham autorizado esse acesso. Assinaram 22 estados e o Distrito Federal.

A ANP vai ver as notas fiscais do meu posto?

Pelo acordo atual, o acesso depende de autorização do agente. Mas a ANP prevê tornar essa autorização obrigatória, com consulta pública em novembro de 2026 e publicação da norma até março de 2027.

O que é a plataforma Pista?

É a Plataforma Integrada de Supervisão e Transparência do Abastecimento de Combustíveis, que vai reunir dados de preços, volumes e movimentações de toda a cadeia. Ela amplia o Projeto de Transparência de Preços na Revenda, iniciado em 2010.

Quais estados ficaram de fora do acordo?

Pela lista divulgada pela ANP, Amazonas, Paraná, Santa Catarina e São Paulo não estão entre os signatários. Os outros 22 estados e o Distrito Federal assinaram.

Para que a ANP vai usar os dados?

Segundo a agência, para fortalecer a fiscalização, identificar indícios de práticas anticompetitivas, fazer checagens remotas sobre adulteração e outras irregularidades e monitorar os fluxos de abastecimento e riscos de desabastecimento.

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