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ExpoPostos 2026 confirma a transformação dos postos em plataformas de serviços, tecnologia e energia

Saí da ExpoPostos & Conveniência 2026 com uma certeza: o posto de combustíveis que conhecemos está passando por uma das maiores transformações de sua história.

Durante muitos anos, a feira foi marcada principalmente pela apresentação e comercialização de equipamentos pesados. Bombas de abastecimento, tanques, equipamentos de medição, componentes hidráulicos e sistemas destinados à infraestrutura física do posto ocupavam o centro das atenções.

Esses equipamentos continuam sendo fundamentais.

Afinal, segurança, controle de estoque, qualidade dos combustíveis e confiabilidade do abastecimento permanecem como pilares da revenda. Entretanto, a ExpoPostos mostrou que as necessidades e os interesses dos empresários estão se ampliando.

O revendedor não procura apenas uma bomba nova ou a substituição de um tanque. Ele quer soluções que o ajudem a vender mais, reduzir perdas, controlar melhor sua equipe, conhecer o comportamento dos clientes, automatizar processos e criar novas fontes de receita.

A feira deixou de ser apenas uma exposição de equipamentos para se transformar em uma grande vitrine de soluções para a gestão, a modernização e a diversificação dos postos.

A tecnologia passa a ocupar o centro da operação

Entre mais de 250 marcas reunidas em uma área de aproximadamente 30 mil metros quadrados, encontramos sistemas de pagamento, controle de estoque, automação de pista, gestão de equipes, monitoramento de tanques, inteligência de dados, fidelização, carregadores elétricos, serviços financeiros, controle de estacionamento e soluções para lojas de conveniência.

Essa variedade mostra que a tecnologia deixou de ser um departamento separado da operação. Ela agora atravessa praticamente todas as atividades do posto.

Equipamentos como o FlexPay 6, apresentado pela Gilbarco Veeder-Root, apontam para uma jornada de abastecimento com pagamentos integrados, recursos de fidelidade, comunicação com o consumidor e maior segurança. Sistemas de monitoramento de tanques e abastecimento de frotas também avançam em conectividade e controle.

A Vibra apresentou ferramentas digitais para auxiliar o revendedor a projetar a transformação visual e comercial do posto, além de soluções para analisar o potencial de venda de produtos aditivados conforme o perfil da operação e da região.

Redes como Charrua, SIM Rede de Postos, NEXTA, Potencial e Dislub Equador também mostraram que o futuro da bandeira está na criação de um ecossistema. Combustível, conveniência, alimentação, lubrificação, seguros, treinamento, fidelidade, serviços e tecnologia precisam funcionar de maneira integrada.

O recado é bastante claro: o posto moderno não pode mais ser administrado apenas pela experiência acumulada ou pela percepção do proprietário. A experiência continua valiosa, mas precisa ser acompanhada por processos, indicadores e dados confiáveis.

A transição energética já chegou

Outro movimento muito evidente foi o número expressivo de empresas apresentando carregadores, sistemas de gestão e soluções relacionadas à mobilidade elétrica.

A presença crescente dessas tecnologias consolida uma percepção que muitos revendedores ainda tratavam como algo distante: a transição energética já chegou ao mercado brasileiro.

Isso não significa o desaparecimento imediato dos combustíveis líquidos. Gasolina, etanol e diesel continuarão ocupando uma posição central na mobilidade nacional por muitos anos. O Brasil também possui uma matriz particular, com biocombustíveis capazes de exercer um papel estratégico na redução das emissões.

Entretanto, o posto precisa começar a se preparar para atender diferentes formas de energia.

Carregadores elétricos, biometano, gás natural, biocombustíveis e soluções híbridas passarão a conviver com os produtos tradicionais. A tendência é que o posto deixe de ser apenas um ponto de abastecimento e se transforme progressivamente em um hub de mobilidade, energia, alimentação e serviços.

A decisão de instalar um carregador elétrico não deve ser tomada simplesmente porque o equipamento está em evidência. É necessário avaliar localização, perfil dos clientes, tempo médio de permanência, demanda regional, capacidade elétrica, custo de implantação e prazo de retorno.

Para alguns postos, a recarga será uma nova fonte direta de receita. Para outros, poderá funcionar como ferramenta para aumentar o tempo de permanência e estimular o consumo na conveniência, no restaurante, na lavanderia ou em outros serviços.

ExpoPostos 2026 confirma a transformação dos postos em plataformas de serviços, tecnologia e energia

A inteligência artificial já faz parte da gestão

A inteligência artificial foi outro tema que deixou definitivamente o campo das promessas para entrar na realidade operacional dos postos.

Em minha palestra sobre inteligência artificial aplicada à gestão de postos, encontrei um auditório lotado e revendedores interessados em compreender como utilizar essas ferramentas no dia a dia. Essa procura mostra que o empresário não quer apenas ouvir falar de inovação. Ele busca aplicações práticas, capazes de resolver problemas concretos da operação.

A inteligência artificial já pode ajudar a analisar vendas por horário, identificar períodos de maior movimento, planejar escalas, reduzir horas extras, organizar folgas, acompanhar margens, automatizar relatórios, conferir fechamentos de caixa, criar campanhas promocionais e melhorar a comunicação com os clientes.

Um exemplo dessa transformação é a Escala Flex, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pela Brasil Postos para a criação e gestão das escalas de frentistas.

O gestor cadastra o posto, os turnos e os funcionários, e a Escala Flex monta escalas semanais, mensais ou anuais em poucos segundos. A ferramenta considera as regras da convenção coletiva do estado, a distribuição de domingos e feriados e a necessidade de cobertura nos horários de maior movimento.

O painel permite visualizar a quantidade de colaboradores e a cobertura das bombas em cada turno, além de apontar a situação da escala em relação às regras aplicáveis. Quando ocorre uma falta ou mudança operacional, o gestor consegue reorganizar a equipe com maior rapidez e comunicar a nova escala pelo WhatsApp.

Esse é um exemplo claro de como a inteligência artificial pode sair do discurso e gerar resultados práticos: menos tempo perdido com planilhas, mais organização, melhor cobertura da pista, redução de erros e mais segurança para a gestão.

A inteligência artificial não substitui o gestor. Ela devolve ao gestor o tempo que antes era consumido por atividades repetitivas e amplia sua capacidade de identificar problemas, reconhecer padrões e tomar decisões com maior velocidade.

O revendedor que conhece seus números e aprende a trabalhar com dados terá uma vantagem competitiva cada vez maior.

Fidelização e relacionamento ganham importância

A ExpoPostos também mostrou que conhecer e manter o cliente será tão importante quanto conquistar uma venda. Em um mercado no qual preço, localização e condições comerciais podem ser facilmente comparados, o relacionamento passa a representar um diferencial competitivo.

Soluções como a Value4U demonstram essa mudança. A plataforma permite que o posto tenha um aplicativo personalizado e desenvolva ações com cashback, pontos, cupons, sorteios, campanhas segmentadas e benefícios exclusivos.

A ferramenta também oferece recursos para acompanhar recorrência, ticket médio, satisfação, comportamento de compra e clientes inativos. Com essas informações, o revendedor consegue desenvolver campanhas mais adequadas ao perfil do seu público.

Mais do que distribuir descontos, a proposta é identificar quem compra, compreender seus hábitos e criar razões para que essa pessoa retorne. O posto deixa de se relacionar com um consumidor anônimo e passa a construir uma base própria de clientes.

O empresário precisa entender que fidelização não significa apenas premiar quem já compra. Significa criar uma estratégia contínua de relacionamento, acompanhar resultados e oferecer experiências relevantes.

O cliente fidelizado tende a retornar mais vezes, conhecer outros serviços do empreendimento e manter uma relação menos dependente da disputa por alguns centavos no preço do combustível.

A força das parcerias e da economia local

A PayGas amplia esse conceito ao conectar o posto a uma rede de parceiros locais.

O cliente abastece, recebe benefícios e passa a participar de um ecossistema formado por comércios e prestadores de serviços da região. Os benefícios acumulados estimulam novas compras e ajudam a fazer com que o valor circule entre o posto, seus clientes e os estabelecimentos parceiros.

Essa economia circular de relacionamento e consumo local fortalece a comunidade empresarial.

O posto deixa de atuar de forma isolada e assume o papel de articulador de uma rede que pode envolver restaurantes, oficinas, supermercados, farmácias, lojas, academias e outros estabelecimentos próximos.

Para o cliente, a rede amplia as possibilidades de utilização dos benefícios. Para os parceiros, cria oportunidades de acesso a novos consumidores. Para o posto, aumenta a recorrência e fortalece sua posição como ponto de relacionamento com a comunidade.

Enquanto a Value4U evidencia a importância de conhecer, fidelizar e reativar clientes, a PayGas mostra a força das parcerias locais para ampliar o relacionamento e gerar negócios cruzados.

Nos dois casos, o objetivo não é entrar em uma guerra de preços, mas oferecer benefícios que aumentem a recorrência e criem vínculos duradouros.

O revendedor precisa compreender que seu maior patrimônio não está apenas nos equipamentos, no terreno ou no volume vendido. Também está na base de clientes que escolhe retornar ao seu estabelecimento.

A tecnologia permite transformar esse relacionamento em dados, experiências, novas vendas e fidelidade.

O posto precisa monetizar cada metro quadrado

Uma das principais mudanças observadas na feira foi a preocupação com a rentabilidade de todos os espaços disponíveis.

Durante muito tempo, áreas ociosas foram tratadas como algo natural. Hoje, com custos elevados, margens apertadas e maior competição, cada metro quadrado precisa ter uma função econômica.

Por isso, ganham espaço modelos como lavanderias de autosserviço, máquinas de venda de gelo, sistemas automatizados para comercialização de botijões, estacionamentos controlados, lava-rápidos, lojas autônomas, espaços de alimentação, mídia digital e serviços voltados aos motoristas.

A Sanvitron, por exemplo, apresentou soluções de controle de pátio que permitem registrar a entrada, o tempo de permanência e o consumo dos veículos. Para postos rodoviários, isso representa a possibilidade de organizar o fluxo, aumentar a segurança, melhorar a rotatividade e transformar o estacionamento em uma fonte efetiva de receita.

As máquinas de gelo e outros formatos automatizados também demonstram como uma pequena área pode gerar faturamento sem exigir uma estrutura pesada de atendimento.

A Go Electric apresentou, além das soluções de recarga, o conceito Go Wash, reforçando como mobilidade elétrica, lavagem automotiva e outros serviços podem integrar uma proposta comercial mais ampla.

Nas lojas de conveniência, a evolução também é evidente. Alimentação preparada, produtos regionais, refeições rápidas, itens saudáveis e experiências adaptadas ao perfil de cada público passaram a receber mais atenção.

O posto deve deixar de perguntar apenas quantos litros vende e começar a medir quanto cada cliente representa durante toda a visita.

Quantos consumidores da pista entram na loja? Quanto tempo permanecem no empreendimento? Quais serviços utilizam? Qual é a receita gerada por metro quadrado? Quantos clientes retornam?

Essas perguntas serão determinantes para a rentabilidade futura.

Distribuidoras regionais disputam espaço com as grandes marcas

Outra mudança importante foi o fortalecimento das distribuidoras independentes e de origem regional.

No passado, a feira era amplamente dominada pelas três maiores marcas do mercado: Ipiranga, Vibra — antiga BR Distribuidora — e Shell, representada pela Raízen.

Na ExpoPostos 2026, encontrei uma realidade diferente. As grandes companhias continuam ocupando posições importantes, mas agora dividem a atenção dos revendedores com empresas como ALE Combustíveis, Atem, Charrua, Grupo Dislub Equador, Larco, Petrobahia, Potencial Combustíveis, Royal FIC e SADA Combustíveis, todas presentes na relação oficial de marcas da feira.

Muitas dessas distribuidoras nasceram atendendo mercados específicos, desenvolveram uma identidade regional muito forte e agora ampliam sua presença para novos estados. Algumas já alcançaram uma dimensão nacional, mas preservam características que ajudaram a construir seu crescimento: proximidade com o revendedor, conhecimento das particularidades locais e maior agilidade para adaptar suas propostas comerciais.

Essas empresas disputam o mercado lado a lado com as grandes distribuidoras, oferecendo contratos potencialmente mais flexíveis, atendimento direto, relacionamento mais próximo e soluções ajustadas à realidade de cada região e de cada posto.

Para muitos revendedores, poder conversar diretamente com quem toma as decisões, negociar condições compatíveis com seu empreendimento e receber um atendimento mais humanizado tornou-se um diferencial relevante na escolha da bandeira.

Esse avanço aumenta a concorrência e amplia as possibilidades para o empresário da revenda. A força de uma distribuidora deixa de ser medida somente pelo tamanho da marca ou por sua presença nacional.

Qualidade do abastecimento, segurança logística, suporte ao revendedor, flexibilidade contratual, capacidade de inovação e conhecimento do mercado local também passam a ter um peso decisivo.

A ExpoPostos 2026 mostrou que as distribuidoras regionais deixaram de ocupar uma posição secundária. Elas estão mais estruturadas, fortalecidas e preparadas para disputar o mercado em condições cada vez mais próximas das grandes companhias.

O aumento da presença chinesa merece atenção

Outro ponto que chamou minha atenção foi a presença maior de fabricantes chineses de bombas, componentes e equipamentos para postos.

Empresas como Wenzhou Jiahao, Xuliz, Xuzhou Desheng, Yongjia Welldone e Zhejiang Haibo apareceram entre os expositores internacionais. Essa movimentação sinaliza um avanço dos fornecedores chineses sobre o mercado brasileiro.

Alguns empresários poderão interpretar esse fenômeno como uma verdadeira “invasão” de equipamentos importados. Independentemente da expressão utilizada, existe uma nova pressão competitiva que não pode ser ignorada.

Os fabricantes chineses possuem escala industrial, capacidade de produção e forte competitividade de preços. Sua entrada pode ampliar as opções para o revendedor, mas também exige atenção aos padrões técnicos, à certificação, à disponibilidade de peças, à manutenção e ao atendimento pós-venda.

Para a indústria brasileira, o movimento serve como alerta. Será necessário continuar investindo em inovação, eficiência produtiva, integração tecnológica e qualidade no atendimento.

Preço importa, mas segurança, confiabilidade e suporte local continuarão sendo decisivos na operação de um posto.

A geração de negócios demonstra confiança no setor

A movimentação nos corredores, o grande número de expositores e as conversas entre fornecedores e empresários demonstraram que existe disposição para investir.

Mesmo enfrentando margens desafiadoras, mudanças regulatórias, concorrência intensa e transformações no comportamento do consumidor, o mercado brasileiro de combustíveis continua mostrando vitalidade.

A geração de negócios durante a feira não envolveu apenas a compra de equipamentos. Houve negociações relacionadas à implantação de novas lojas, adesão a bandeiras, serviços financeiros, seguros, automação, sistemas de gestão, carregadores elétricos, reformas, novos modelos de alimentação e expansão de redes.

Isso mostra que o setor continua crescendo, mas também que o perfil do investimento mudou.

O capital está sendo direcionado para projetos capazes de aumentar a produtividade, reduzir riscos, melhorar a experiência do cliente e diversificar as receitas.

O empresário está mais criterioso. Ele quer conhecer o prazo de retorno, o custo total da solução, a integração com os sistemas existentes e os resultados que poderão ser medidos.

O revendedor está procurando conhecimento

A participação intensa nas palestras, fóruns e atividades da Arena do Conhecimento revelou outro aspecto importante: o revendedor está procurando capacitação.

Temas como inteligência artificial, comportamento do consumidor, sucessão empresarial, legislação trabalhista, qualidade dos combustíveis, novos meios de pagamento, mobilidade e tendências internacionais atraíram a atenção do público.

O empresário percebeu que não basta comprar uma ferramenta. É necessário saber como implantá-la, envolver a equipe, medir seus resultados e corrigir o caminho.

A tecnologia sem gestão pode se transformar apenas em mais uma despesa. Quando está associada a processos, treinamento e objetivos claros, torna-se um instrumento de eficiência e crescimento.

O que o revendedor deve fazer depois da feira

A maior armadilha após visitar uma exposição tão ampla é tentar implantar todas as novidades ao mesmo tempo.

O primeiro passo deve ser fazer um diagnóstico da própria operação:

  1. Identificar os espaços ociosos e calcular seu potencial de geração de receita.
  2. Medir o fluxo de clientes entre pista, conveniência, serviços e estacionamento.
  3. Avaliar quais processos ainda dependem excessivamente de controles manuais.
  4. Levantar perdas com estoque, escalas, horas extras, fechamento de caixa e falhas operacionais.
  5. Selecionar soluções compatíveis com o perfil dos clientes e com a realidade financeira do negócio.
  6. Calcular investimento, custo de manutenção, prazo de retorno e necessidade de treinamento.
  7. Priorizar tecnologias que conversem entre si e produzam dados úteis para a tomada de decisão.

Inovação não é simplesmente comprar aquilo que acabou de ser lançado. Inovar é resolver um problema real de maneira mais eficiente e rentável.

Uma nova identidade para o posto brasileiro

A ExpoPostos & Conveniência 2026 mostrou que estamos deixando para trás a visão do posto como um estabelecimento destinado apenas ao abastecimento.

O novo posto brasileiro será uma plataforma de mobilidade, energia, alimentação, conveniência, serviços e relacionamento com o consumidor.

Será mais digital, automatizado e orientado por dados, mas continuará dependendo de pessoas bem preparadas para operar e interpretar essas ferramentas.

Bombas e tanques continuarão fundamentais. Porém, ao lado deles estarão carregadores elétricos, sistemas inteligentes, meios de pagamento integrados, programas de fidelidade, redes de parceiros locais, lavanderias, estacionamentos controlados, máquinas autônomas e novos formatos de varejo.

A feira mostrou que a transformação já começou.

Agora, cada revendedor precisa decidir se será apenas um espectador dessas mudanças ou se utilizará a inovação para construir um negócio mais eficiente, diversificado e preparado para os próximos anos.


Renato da Silveira
Fundador do Portal Brasil Postos

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