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Posto de Boa Vista paga R$ 23 mil por bomba que entregava menos combustível

Depois de autuação da ANP, o Ministério Público de Roraima entrou com ação civil pública. O caso terminou em acordo homologado pela Justiça, com indenização por danos morais coletivos e multa de R$ 5 mil por nova infração

Um posto de combustíveis de Boa Vista, em Roraima, terá de pagar R$ 23 mil por danos morais coletivos depois que uma fiscalização da ANP constatou que uma de suas bombas medidoras fornecia ao consumidor quantidade de combustível inferior à indicada no painel do equipamento. O nome do estabelecimento não foi divulgado.

O valor foi definido em um Termo de Ajustamento de Conduta, o TAC, firmado com o Ministério Público do Estado de Roraima e homologado pela 1ª Vara Cível de Boa Vista em 1º de outubro.

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Da autuação à ação civil pública

O caminho do caso mostra como uma irregularidade na pista pode ir além da esfera da ANP. Depois da constatação da agência, a Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania e do Consumidor do MPRR entrou com ação civil pública. O objetivo era obter o reconhecimento de que o posto vendia combustível em quantidade menor que a registrada na bomba e responsabilizá-lo pelos danos morais coletivos causados aos consumidores.

Com a ação em andamento, o Ministério Público e os representantes legais do posto chegaram a um acordo, submetido em seguida à Justiça. Com a homologação, a ação civil pública foi encerrada com resolução do mérito.

O que o posto se comprometeu a fazer

• Fornecer a quantidade correta de combustível aos clientes;
• Manter a qualidade dos produtos de acordo com as exigências da ANP e a legislação vigente;
• Pagar R$ 23 mil ao Fundo Estadual de Defesa do Consumidor, a título de danos morais coletivos;
• Em caso de descumprimento, multa de R$ 5 mil por infração.

O promotor de Justiça Adriano Ávila afirmou que a medida serve de alerta aos consumidores de Boa Vista sobre a importância de verificar a quantidade de combustível fornecida durante o abastecimento.

O custo de uma bomba desregulada

O valor do acordo é relativamente baixo, mas o caso ensina uma coisa importante sobre risco. A irregularidade na bomba não fica restrita à autuação da ANP, que já pode levar à interdição do equipamento e a multa administrativa. Ela abre uma segunda frente, na Justiça, conduzida pelo Ministério Público com base no Código de Defesa do Consumidor. E o TAC cria uma terceira: a multa por cada nova infração, que passa a valer daqui para frente.

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Vale um registro em defesa do revendedor honesto: bomba que entrega volume menor nem sempre é fraude. Desgaste de componentes e descalibração acontecem com o uso. Mas, perante o consumidor, a responsabilidade é do posto de qualquer forma — e é exatamente por isso que a verificação precisa ser rotina, não reação.

O problema também não é raro. Na semana de 28 de setembro a 2 de outubro, a ANP autuou e interditou um posto em Belém por aferição irregular de bomba, entre outras infrações em 18 estados.

Como evitar

Teste interno periódico. Conferir cada bico com a medida-padrão de 20 litros em uma rotina fixa — semanal ou quinzenal, conforme o movimento — e registrar o resultado. Diferença identificada pelo próprio posto é manutenção; identificada pelo fiscal, é auto de infração.

Manutenção e verificação metrológica em dia. Manter os registros de manutenção das bombas e das verificações feitas pelo órgão de metrologia organizados e fáceis de apresentar. Em uma fiscalização, documento à mão mostra boa-fé.

Atender bem o cliente que pede o teste. O consumidor pode pedir para conferir o volume abastecido. Fazer o teste na hora, com transparência, evita reclamação no Procon e mostra que o posto não tem o que esconder. Uma equipe treinada para isso transforma desconfiança em confiança.

Bico com problema sai de operação. Se o teste interno apontar diferença, o bico deve ser bloqueado até a correção. Continuar vendendo com o problema conhecido transforma um defeito técnico em risco jurídico muito maior.

Fontes: Ministério Público do Estado de Roraima, com informações publicadas por Diário RR, Folha BV e Roraima 1 (08/10/2026). Caso também noticiado pelo g1 Roraima. Texto autoral Brasil Postos.

Perguntas e respostas

Por que o posto de Boa Vista terá de pagar R$ 23 mil?

Porque uma fiscalização da ANP constatou que uma de suas bombas fornecia ao consumidor menos combustível do que indicava. O Ministério Público de Roraima entrou com ação civil pública, e o caso terminou em acordo com indenização por danos morais coletivos, homologado pela Justiça em 1º de outubro.

O que é um Termo de Ajustamento de Conduta?

É um acordo firmado com o Ministério Público em que a empresa assume obrigações para corrigir uma conduta. No caso de Boa Vista, o posto se comprometeu a fornecer a quantidade correta e manter a qualidade dos produtos, além de pagar R$ 23 mil, sob pena de multa de R$ 5 mil por infração.

Bomba que entrega menos combustível é sempre fraude?

Não necessariamente. Desgaste de componentes e descalibração podem causar diferença de volume. Mas, perante o consumidor, a responsabilidade é do posto em qualquer caso, por isso a verificação periódica dos bicos é essencial.

Como o posto pode verificar se a bomba está correta?

Com testes internos periódicos usando a medida-padrão de 20 litros, registrando cada resultado, além de manter em dia a manutenção das bombas e as verificações do órgão de metrologia. Bico com diferença deve sair de operação até ser corrigido.

Quais as consequências de uma bomba irregular?

Podem se somar em várias frentes: autuação e interdição pela ANP, ação civil pública do Ministério Público com indenização por danos coletivos e, em caso de acordo, multas por cada nova infração. Reclamações de consumidores também podem chegar ao Procon.

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