Em entrevista à TV Cidade Verde nesta sexta-feira (7), o presidente do Sindicato dos Postos Revendedores de Combustíveis do Piauí (Sindipostos-PI), Alexandre Valença, avaliou positivamente a Operação Carbono Oculto 86, que apura a relação entre uma rede de postos de combustíveis e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
“Para a categoria, é muito importante que tudo seja fiscalizado e que os culpados sejam realmente punidos. É importante que se resguardem os direitos de defesa de todos, mas, para a categoria, isso acontecer é bom. A categoria acha que toda investigação é positiva para que se separe o joio do trigo”, disse o empresário.

Apesar disso, Valença admite que os efeitos das denúncias devem recair em todo o setor. “A classe normalmente é muito mal falada. Às vezes um revendedor faz coisas erradas em toda a categoria paga. Quero deixar bem claro, a grande maioria da revenda é séria”, argumentou.
Segundo as investigações, há indícios de um amplo esquema de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis. A operação identificou um braço financeiro do PCC infiltrado no setor, com movimentações que ultrapassam R$ 52 bilhões em todo o país, sendo R$ 300 milhões em empresas sediadas no Piauí.

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O grupo criminoso utilizava empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para disfarçar a origem ilícita dos recursos. Ao todo, foram identificados mais de 70 CNPJs e 504 notas fiscais eletrônicas (NF-es) emitidas por distribuidoras de combustíveis que teriam ligação com a facção.
Por sua vez, o presidente do Sindipostos-PI ressaltou que essas práticas não representam a totalidade dos empresários do setor. “A grande maioria da revenda é séria. Às vezes, um elemento infiltrado estraga toda a categoria. Não é desse jeito. A maior parte da revenda piauiense é séria”, frisou.
O esquema funcionava com as companhias simulando transações de compra e venda de combustíveis, utilizando transportadoras fantasmas e contratos falsos, mascarando a circulação real dos produtos. Ao todo, 49 postos de combustíveis foram interditados nos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins.
Além disso, as investigações apontam que o grupo criminoso chegou a montar uma grande estrutura, localizada entre as cidades de Teresina e Altos, para centralizar a adulteração e a distribuição de combustíveis na região. Conforme os delegados responsáveis pelo inquérito, o teor de álcool por litro chegava a 50%.
Mesmo admitindo a existência de irregularidades pontuais no setor de revenda, Alexandre Valença afirmou que esses casos são exceções. “A maioria da categoria é comprometida com a qualidade, com a volumetria e com o respeito às normas, tanto ambientais como às novas normas exigidas dentro do nosso país”, concluiu.
As declarações do empresário foram dadas durante a Expopostos Piauí 2025, feira que reúne empresários de postos de combustíveis e lojas de conveniência da região. Durante o evento, os representantes do setor reforçaram o compromisso em manter os índices de não conformidade do estado entre os menores do país.
Fonte: https://cidadeverde.com/

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