Lei Complementar 235 dá base permanente ao alívio tributário que hoje depende de medida provisória, e vem carregada de temas alheios ao setor.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou integralmente, sem vetos, a Lei Complementar nº 235, que autoriza o governo a reduzir a tributação sobre combustíveis para conter a alta de preços na bomba durante a guerra no Oriente Médio. O texto foi publicado no Diário Oficial da União. Para a revenda, a notícia tem dois lados: resolve a insegurança sobre o que acontece quando a medida provisória em vigor caducar, e entrega uma lei que mudou de tamanho no caminho.
O mecanismo central é o seguinte: em 2026, a redução da tributação sobre combustíveis poderá ser compensada pelo aumento extraordinário de receita da União com a alta do petróleo. Em outras palavras, o governo usa o que arrecada a mais quando o barril sobe para bancar o desconto que aplica na bomba. É a resposta à regra fiscal que exige compensação para toda renúncia de receita.
Resumo
ToggleO que muda em relação à subvenção que já está valendo
Até agora, o alívio no preço vinha por subvenção direta, autorizada pela Medida Provisória nº 1.358, editada em maio. Esse instrumento tem prazo: a MP perde a validade em 9 de setembro, e a prorrogação mais recente da subvenção da gasolina, de R$ 0,44 por litro, foi editada exatamente até essa data, porque a Fazenda não pode ir além do prazo da norma que a autoriza.
A LC 235 é o que sustenta o mecanismo depois disso. A diferença entre os dois instrumentos importa para a operação. Subvenção é repasse: o desconto chega embutido no preço de aquisição e o posto simplesmente compra mais barato. Redução de tributo é outra coisa: mexe na carga fiscal do produto, o que envolve escrituração, apuração de crédito e ajuste de sistema. Se a migração acontecer, ela cai na mesma janela em que o revendedor já precisa organizar inventário e créditos para a virada da reforma tributária, em 31 de dezembro.

Método Brasil Postos
Seja o dono do seu posto — não o escravo dele
Pare de estrangular o crescimento do seu posto com uma gestão amadora
Profissionalize sua liderança e transforme uma operação presa ao improviso em um negócio que funciona com método.
Você não precisa trabalhar mais horas. Precisa liderar melhor.
Quero mais tempo e lucro →Vagas limitadas por seleção/aplicação.
Os jabutis que vieram junto
O projeto foi aprovado na Câmara em 12 de agosto por 318 votos a 113, com uma abstenção, após acordo entre o Palácio do Planalto e a presidência do Senado. No caminho, o texto acumulou dispositivos sem relação com combustíveis — os chamados jabutis. Entram na conta benefícios para produtores de etanol, para a produção de fertilizantes, para minerais críticos, regras de destinação de recursos a hospitais de alta complexidade e benefício fiscal à Fifa pela realização da Copa do Mundo Feminina de 2027.
Um dos pontos com efeito setorial mais direto está na produção rural: a lei autoriza créditos fiscais para fertilizantes, matérias-primas, bioinsumos e remineralizadores, com até R$ 5 bilhões concedidos entre 2027 e 2031, correspondendo a até 20% dos gastos com produção em território nacional. O percentual mínimo para enquadramento de empresas exportadoras cai de 50% para 30% da receita.
O governo também conseguiu incluir travas fiscais que limitam o crescimento das despesas da União a partir de 2026 em caso de déficit primário. Esse dispositivo não tem efeito imediato na bomba, mas define o espaço orçamentário disponível para bancar qualquer prorrogação futura do alívio nos combustíveis.
O debate que o etanol trouxe
A tramitação expôs uma tensão que o revendedor conhece na formação de preço da pista. Reduzir a carga tributária do combustível fóssil sem contrapartida altera a relação de competitividade com o etanol, que depende dessa diferença para se manter atrativo ao consumidor. O argumento apresentado no debate parlamentar foi direto: baratear o fóssil por decisão fiscal pode comprometer uma cadeia que gera emprego e renda no interior do país.

Brasil Postos Negócios
Compra e venda de postos de combustíveis
Compre ou venda postos de combustíveis em todo o Brasil.
Conectamos compradores, investidores e proprietários com segurança, confidencialidade e ampla divulgação para o público certo.
Para quem vende os dois produtos na mesma pista, isso não é discussão abstrata. A paridade entre hidratado e gasolina define qual bico o cliente escolhe, e mudanças de carga tributária de um lado deslocam a demanda do outro. Os benefícios ao etanol incluídos no texto foram, em parte, a resposta a essa preocupação.
O que acompanhar nas próximas semanas
A lei está sancionada, mas ela autoriza, não obriga. O governo agora decide se e quando migra da subvenção direta para o mecanismo de redução tributária, e em que percentual. A data a marcar continua sendo 9 de setembro, quando a MP 1.358 vence e o desconto atual na gasolina precisa ser substituído por outra coisa ou simplesmente deixar de existir.
Para o posto, a orientação prática não muda: acompanhar o Diário Oficial nos dias anteriores ao vencimento, evitar decisão de compra grande sem clareza sobre o que vale a partir do dia 10, e ter a explicação pronta para o cliente. Uma eventual alta em setembro não será reajuste de distribuidora, e sim mudança de política tributária federal. Quem não explica leva a culpa. A reportagem acompanha os desdobramentos e atualizará conforme novos fatos.
Perguntas e respostas
O que a Lei Complementar 235 autoriza na prática?
Permite ao governo reduzir a tributação sobre combustíveis para conter a alta de preços na bomba durante a guerra no Oriente Médio. Em 2026, essa renúncia poderá ser compensada pelo aumento extraordinário de receita da União com a alta do petróleo, o que atende à exigência fiscal de compensação.
Qual a diferença entre a subvenção atual e a redução de tributos da nova lei?
A subvenção é repasse direto: o desconto chega embutido no preço de aquisição do posto. A redução de tributo altera a carga fiscal do produto, o que envolve escrituração, apuração de crédito e ajuste de sistema no estabelecimento. São mecanismos distintos com efeitos operacionais diferentes para a revenda.
Quais são os jabutis incluídos no texto sancionado?
Benefícios para produtores de etanol, produção de fertilizantes e minerais críticos, regras de destinação de recursos a hospitais de alta complexidade e benefício fiscal à Fifa pela Copa do Mundo Feminina de 2027. Há ainda travas fiscais que limitam o crescimento de despesas da União em caso de déficit primário.
A sanção da lei garante que o desconto na gasolina continua?
Não automaticamente. A lei autoriza a redução, mas não obriga o governo a aplicá-la. A subvenção em vigor tem prazo até 9 de setembro, quando a MP 1.358 perde validade. Cabe ao governo decidir se migra para o novo mecanismo, em que percentual e a partir de quando.
Por que o etanol entrou na discussão do PLP dos Combustíveis?
Porque reduzir a carga tributária do combustível fóssil altera a competitividade do etanol, que depende dessa diferença para se manter atrativo ao consumidor. O argumento no debate parlamentar foi que baratear o fóssil por decisão fiscal pode comprometer uma cadeia geradora de emprego e renda no interior do país.

Dados e inteligência de mercado
Painel de preços de combustíveis
Veja os preços dos postos e das distribuidoras da sua cidade
Compare o preço na bomba com o preço de compra e acompanhe sua praça com dados atualizados todos os dias.
Controle e automação
Estacionamento que gera resultado
Transforme o fluxo do posto em receita recorrente
Automatize o estacionamento, organize o acesso de veículos e aproveite melhor cada oportunidade do seu pátio.
Conheça as soluções para estacionamentos de postos.
Conheça a Sanvitron →Acesse o site do anunciante.
Notícias relacionadas
Justiça condena distribuidoras a restituir valores a postos de combusíveis por cobrança abusiva no preço do litro
28 de outubro de 2026
ANP reavalia bomba branca em postos bandeirados, que têm três vezes mais infrações
27 de outubro de 2026
Setor cobra Senado por projetos que dão mais poder à ANP contra fraude
24 de outubro de 2026
Emenda na Alerj pode esvaziar lei do devedor contumaz no Rio, alerta ICL
19 de outubro de 2026
Justiça proíbe ANP de usar monitoramento de qualidade para rebaixar nota de postos
19 de outubro de 2026
PF prende deputado eleito no Rio por suspeita de lavagem em rede de 96 postos
16 de outubro de 2026
Fiscalização de combustíveis soma 12.279 ações em 2026, e vai além do preço
13 de outubro de 2026
ANP vai acessar as notas fiscais do setor, inclusive dos postos, em 22 estados e no DF
11 de outubro de 2026
Posto de Boa Vista paga R$ 23 mil por bomba que entregava menos combustível
9 de outubro de 2026Não perca nenhuma mudança que afeta o seu posto
Legislação, fiscalização e mercado — o que muda na sua margem, toda semana no seu e-mail.

