Primeira distribuidora a se habilitar ao mecanismo, a companhia fez as contas e optou por importar sem ele — mas diz que pode acionar em horas se precisar
Primeira distribuidora do país a se habilitar à subvenção do governo para a importação de combustíveis, especialmente diesel, a Vibra Energia ainda não executou o instrumento. A companhia fez as contas e, até o momento, optou por não recorrer ao mecanismo, que integra o pacote de medidas contra os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o setor.
A decisão parece técnica e distante da pista, mas informa algo relevante sobre o custo que chega ao revendedor: a maior distribuidora do país avaliou que importar sem subsídio saía melhor do que importar com ele.

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Resumo
TogglePor que a companhia não usou o mecanismo
Segundo o presidente da Vibra, Ernesto Pousada, a medida foi positiva para o país no momento em que todas as empresas estavam no limite, ao viabilizar as importações que mantiveram regularizado o abastecimento de combustíveis no Brasil. A companhia, porém, apurou dificuldade de operacionalização da subvenção.
O executivo deixou claro que a porta segue aberta. Caso seja preciso recorrer ao instrumento, é algo que se pode fazer em um dia: “É rápido, faço em horas”, afirmou, em entrevista ao Valor Econômico sobre os resultados do segundo trimestre. Segundo ele, uma decisão tomada pela manhã pode ser implementada na mesma tarde.
Vale reter esse ponto para leitura de cenário. A habilitação funciona como seguro contratado e não acionado. Enquanto a conta fechar sem ele, a distribuidora opera pelo mercado; se o custo de reposição disparar, o mecanismo entra em questão de horas. Para quem compra, isso significa que a estrutura de custo do fornecedor pode mudar de um dia para o outro — em qualquer das duas direções.
O que a companhia fez em vez disso
Pousada afirmou que a Vibra aumentou o volume de importações no segundo trimestre para assegurar o atendimento aos clientes. No primeiro trimestre, as compras externas dobraram, movimento que não se repetiu na mesma magnitude no trimestre seguinte. Na soma do semestre, segundo ele, a companhia importou muito mais do que no passado para garantir o fornecimento — mesmo que, em alguns momentos, esse combustível custasse mais do que ela vendia internamente.

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Essa é a frase que o revendedor deve guardar. Houve período em que a distribuidora comprou acima do preço pelo qual vendia, absorvendo a diferença para não deixar o cliente sem produto. É o outro lado da defasagem que vem sendo discutida no setor — e ajuda a explicar por que o repasse ao mercado interno nem sempre acompanha o movimento internacional na velocidade que o noticiário sugere.
Não é generosidade: é decisão comercial de quem prefere absorver margem temporariamente a perder cliente e participação de mercado. Mas o efeito prático para quem estava na ponta foi produto disponível num período de aperto.
A mudança no etanol que afeta a compra
Há uma segunda informação na entrevista com efeito mais direto na revenda. Pousada afirmou que a mesa de trading implantada pela Vibra, após o encerramento da joint venture com a Copersucar, a Evolua, trouxe flexibilidade para adquirir etanol de diferentes fornecedores.
A companhia continua comprando da Copersucar, via Evolua, mas a proporção no mix diminuiu. Segundo o executivo, se o etanol de milho estiver com preço melhor, a compra vai para o milho; se o de cana estiver melhor, vai para a cana. Essa flexibilidade abre espaço para aproveitar oportunidades, incluindo aquisições de etanol de milho.
Para o posto bandeirado da rede, isso tende a significar preço de aquisição mais responsivo ao mercado — a distribuidora deixa de estar amarrada a um fornecedor preferencial e passa a comprar onde está mais barato. É movimento que pode melhorar a competitividade do hidratado na bomba, num momento em que o spread entre bandeirados e bandeira branca está no maior patamar da série em São Paulo.
Pousada disse ainda ver o etanol como elemento central da transição energética e avaliou que 2026 tende a ser um ano histórico como acelerador da cultura do biocombustível, que poderá passar a ser visto não apenas pela questão do preço nas bombas. A reportagem acompanha os desdobramentos e atualizará conforme novos fatos.
Perguntas e respostas
A Vibra está usando a subvenção do governo para importar diesel?
Não. A companhia foi a primeira distribuidora do país a se habilitar ao mecanismo, mas até o momento optou por não executá-lo. Segundo o presidente Ernesto Pousada, a empresa fez as contas e apurou dificuldade de operacionalização da subvenção, preferindo importar sem recorrer ao instrumento.
Em quanto tempo a distribuidora pode acionar a subvenção?
Em horas, segundo o presidente da companhia. Ele afirmou que uma decisão tomada pela manhã pode ser implementada na mesma tarde. Na prática, a habilitação funciona como um seguro contratado e não acionado, que pode entrar em uso caso o custo de reposição volte a apertar.
A Vibra chegou a comprar combustível mais caro do que vendia?
Sim. Segundo Pousada, na soma do semestre a companhia importou muito mais do que no passado para assegurar o fornecimento aos clientes, mesmo que em alguns momentos esse combustível custasse mais do que ela vendia internamente. No primeiro trimestre, as compras externas chegaram a dobrar.
O que mudou na compra de etanol da Vibra?
Após encerrar a joint venture Evolua com a Copersucar, a companhia implantou mesa de trading própria e ganhou flexibilidade para comprar de diferentes fornecedores. Continua adquirindo da Copersucar, mas em proporção menor no mix, e passa a escolher entre etanol de milho e de cana conforme o preço.
Para que serve a subvenção à importação de combustíveis?
É um instrumento que evita o repasse de altas de preços internacionais para o mercado doméstico, integrando o pacote de medidas do governo contra os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o setor. Segundo a Vibra, a medida viabilizou importações que mantiveram o abastecimento regularizado no país.

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