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Gasolina cai R$ 0,01 na semana: por que o corte de R$ 0,89 não aparece inteiro na bomba

A média nacional mal se moveu, e o governo já avisou que vai fiscalizar o repasse. A conta mostra por que o alívio esperado na bomba é bem menor que os R$ 0,89 do anúncio

O preço médio da gasolina nos postos caiu de R$ 6,54 para R$ 6,53 por litro no levantamento da ANP da semana encerrada em 17 de outubro, uma queda de 0,15%. O diesel recuou 0,3%. O único produto que subiu foi o gás de cozinha, com alta de 0,1%, para R$ 114,73 o botijão de 13 kg.

O dado chega uma semana depois de o governo zerar PIS, Cofins e Cide sobre a gasolina, num corte anunciado como R$ 0,89 por litro. À primeira vista, parece que o desconto parou no caminho. A conta, porém, é diferente da manchete, e o revendedor precisa conhecê-la, porque o governo avisou que vai fiscalizar se o alívio chega à bomba.

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Nas capitais, quadro desigual

Levantamento do jornal O Tempo com dados da ANP mostra variações bem diferentes entre as capitais, na comparação da semana de 20 de setembro com a de 11 a 17 de outubro. Natal teve a maior queda, de R$ 0,54, com média de R$ 6,38. Belém recuou R$ 0,33, para R$ 6,39. Na outra ponta, a gasolina subiu R$ 0,12 em Florianópolis e em Cuiabá, e R$ 0,11 em Salvador. São Paulo e Belo Horizonte também registraram alta.

Por que R$ 0,89 não vira R$ 0,89 na bomba

Três fatores explicam a diferença entre o anúncio e o preço da pista.

Boa parte do desconto já estava no preço. O PIS e a Cofins da gasolina já estavam zerados até 9 de outubro, num corte de R$ 0,63 por litro. O Decreto nº 13.134 prorrogou essa medida e acrescentou a Cide, elevando o total para R$ 0,89. Em relação ao preço da semana anterior, o alívio novo foi de R$ 0,26 por litro. Os outros R$ 0,63 só evitaram uma alta.

O corte incide sobre a gasolina A. A gasolina vendida no posto é a gasolina C, que leva 30% de etanol anidro. Em uma conta simples, R$ 0,26 por litro de gasolina A equivalem a cerca de R$ 0,18 por litro na bomba.

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O estoque leva tempo para girar. O desconto vale para o produto que sai da refinaria a partir de 10 de outubro. O posto que estava com o tanque cheio de produto comprado antes só sente a mudança na carga seguinte, e o preço de compra ainda depende da distribuidora repassar o alívio.

Esta é uma leitura editorial da Brasil Postos, com base nos números oficiais. Ela não descarta que haja postos e distribuidoras que não repassaram o que deveriam, e é isso que a fiscalização vai procurar.

O que o posto deve ter em mãos

Se um fiscal perguntar por que o preço não caiu R$ 0,89, a resposta precisa estar documentada. Três registros resolvem a maior parte das dúvidas:

Notas de compra por data. Mostram quanto custou cada carga antes e depois de 10 de outubro e se a distribuidora repassou o corte.

Histórico de preço na bomba. Datas e valores de cada ajuste, para provar que o preço acompanhou o custo de reposição.

Controle de estoque por tanque. Indica quando o produto comprado antes do corte acabou e o novo começou a ser vendido.

Com esses três documentos, o revendedor consegue demonstrar que repassou o alívio que efetivamente chegou à sua compra. E, se a distribuidora não repassou, a nota fiscal é a prova de onde o desconto ficou.

A desoneração vale até 9 de novembro. Sem novo decreto, a tributação volta no dia 10, e a mesma documentação vai justificar o reajuste para cima.

Fontes: Levantamento de preços da ANP, conforme DGABC (20/10/2026) — ver matéria original; O Tempo (23/10/2026) — ver matéria; Ministério da Fazenda e Decreto nº 13.134/2026. Texto autoral Brasil Postos com base no conteúdo original.

Perguntas e respostas

Quanto a gasolina caiu depois do corte de tributos?

No levantamento da ANP da semana encerrada em 17 de outubro, o preço médio nacional passou de R$ 6,54 para R$ 6,53 por litro, queda de 0,15%. Entre as capitais, Natal teve a maior redução, de R$ 0,54, enquanto Florianópolis e Cuiabá subiram R$ 0,12.

Por que a gasolina não caiu R$ 0,89 no posto?

Porque R$ 0,63 do corte já valiam antes de 9 de outubro, então o alívio novo foi de R$ 0,26 por litro de gasolina A. Como a gasolina da bomba leva 30% de etanol anidro, isso equivale a cerca de R$ 0,18 por litro, e o efeito depende do giro de estoque.

Até quando vale a desoneração da gasolina?

Até 9 de novembro de 2026. O Decreto nº 13.134 zerou PIS, Cofins e Cide sobre a gasolina de 10 de outubro a 9 de novembro. Sem novo decreto, a tributação federal volta no dia 10 e o custo de aquisição sobe na mesma proporção.

Como o posto comprova que repassou o corte de tributos?

Com as notas de compra organizadas por data, o histórico de preço na bomba e o controle de estoque por tanque. Esses registros mostram quanto do desconto chegou na compra, quando o produto novo entrou e se o preço acompanhou o custo de reposição.

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