O SONHO DUROU POUCO

Em agosto de 1996 a Petrobrás convocou a imprensa de São Paulo e região para um importante anúncio. Passaria a comercializar gasolina 95 RON sem álcool. Na coletiva de imprensa num hotel nas imediações da Avenida Paulista, o executivo Décio Maia, do Centro de Peesquisa e Desenvolvimento (Cenpes)  da empresa, no Rio de Janeiro, anunciou o que ninguém esperava: a Petrobrás,  em vista do crescente volume de carros importados, decidiu produzir uma gasolina que os atendesse perfeitamente mas que poderia ser usada, com vantagem, no carros aqui produzidos.

Gasolina 95 RON sem álcool no Brasil: o sonho que acabou nos anos 90
Imagem por: https://autoentusiastas.com.br/

Eu e muitos ficamos exultantes tanto por esse importante fato quanto por ser a primeira vez que a gasolina brasileira era especificada como no resto do mundo (exceto Estados Unidos), no que diz respeito octanagem. Era gasolina igual à Super da Europa.

Aqui adotava-se o método americano de não expfimir octanagem pura e simples, mas o Índice Antidetonante (IAD), tal como o Anti-Knock Index (AKI) de lá. O IAD, como o AKI, era a média aritmética das octanagens MON e RON

Passados alguns dias, vi num posto Esso em Moema, na Avenida Moreira Guimarães, próximo do Aeroporto de Congonhas e da minha casa, uma faixa onde se lia ‘Gasolina 95 RON Sem Álcool’, como mostra a foto de abertura feita por I.A., como que dando boas-vindas a quem tivesse carro importado como o Fiat Tipo, de grande sucesso aqui, tendo chegado a ser o carro mais vendido em dois meses.

Mas, como o título diz, o sonho durou pouco. O governo FHC barrou essa gasolina. Supõe-se por contrariar os interesses da indústria sucroalcooleira que vinha perdendo participação de mercado da segunda metade daquela década em diante por o álcool ter chegado a custar 80% do preço da gasolina, tornando-se antieconômico. Por esse motivo as vendas de carros a álcool despencaram.

Essa gasolina, mas com 22% de álcool, foi aproveitada pela Shell: nasceu a V-Power, atual V-Power Racing 98 RON.

E o sonho de termos gasolina de classe mundial para abastecer os carros assim que chegavam a terra firme, acabou.

Escrito por: por Bob Sharp

Fonte: https://autoentusiastas.com.br/

Gasolina 95 RON sem álcool no Brasil: o sonho que acabou nos anos 90

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