A discussão sobre a liberação do autosserviço nos postos de combustíveis ganhou um novo capítulo em Brasília, com projeto que permite o abastecimento pelo próprio consumidor aos fins de semana e feriados.

A discussão sobre a liberação do autosserviço nos postos de combustíveis ganhou um novo capítulo em Brasília. O deputado Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG) apresentou o Projeto de Lei nº 2.826/2026, que propõe alterar a Lei nº 9.956/2000 para permitir, de forma facultativa, que consumidores realizem o próprio abastecimento em postos de combustíveis durante finais de semana e feriados. A proposta busca modernizar o setor, ampliar a liberdade de escolha dos empresários e consumidores e criar novas alternativas operacionais para os revendedores.

Segundo o texto apresentado na Câmara dos Deputados, a adoção do autosserviço não seria obrigatória, cabendo a cada revendedor decidir se deseja ou não disponibilizar essa modalidade em sua operação. O projeto também prevê a manutenção de funcionários capacitados para orientação e suporte aos consumidores.

O projeto de lei 2.826/2026, autoriza, em caráter facultativo, o funcionamento de bombas de autosserviço operadas pelo próprio consumidor em postos de combustíveis aos sábados, domingos e feriados. A proposta altera a Lei 9.956/2000, que atualmente proíbe o modelo em todo o território nacional.

Segundo o texto, a mudança busca dar mais flexibilidade operacional aos postos revendedores, permitindo que cada estabelecimento decida se deseja ou não adotar o sistema.

Como funcionaria o autosserviço

A proposta cria uma exceção à legislação vigente para permitir que os próprios consumidores realizem o abastecimento nos fins de semana e feriados. A adoção do sistema será opcional para os postos.

Mesmo nos estabelecimentos que optarem pelo autosserviço, o projeto prevê uma série de requisitos de segurança. Os postos deverão manter ao menos um funcionário capacitado para orientar os consumidores e atuar em casos de emergência, além de disponibilizar sinalização ostensiva com instruções de operação e segurança.

Também será obrigatória a instalação de dispositivos de interrupção de emergência e demais equipamentos exigidos pela regulamentação do setor. O texto ainda assegura ao consumidor o direito de solicitar abastecimento assistido por um empregado do posto, quando esse serviço estiver disponível.

Argumento é reduzir custos operacionais

Na justificativa da proposta, Marcelo Freitas afirma que a flexibilização pode ajudar os postos a enfrentarem períodos de maior custo trabalhista e menor disponibilidade de mão de obra.

Segundo o parlamentar, a redução da necessidade de mobilização intensiva de trabalhadores aos fins de semana e feriados pode diminuir despesas operacionais dos estabelecimentos. Ele argumenta que essa economia poderia ser repassada aos consumidores por meio da redução dos preços dos combustíveis.

“A proposta pode contribuir para a diminuição das despesas dos postos e, por conseguinte, favorecer a queda dos preços cobrados dos consumidores.”

— Delegado Marcelo Freitas, na justificativa do projeto

Impacto sobre os trabalhadores

O autor também sustenta que a medida pode trazer benefícios para os empregados do setor. De acordo com a justificativa, a possibilidade de adoção do autosserviço em fins de semana e feriados tende a reduzir a necessidade de escalas de trabalho nesses períodos.

Na avaliação do parlamentar, isso poderia favorecer a concessão de folgas, ampliar o tempo de convivência familiar e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores dos postos de combustíveis.

Outro argumento apresentado pelo deputado é que o autosserviço já integra a rotina de abastecimento em diversos países. Segundo ele, o modelo é amplamente utilizado no mercado internacional de combustíveis e está associado a padrões modernos de eficiência operacional.

Marcelo Freitas também afirma que a proposta amplia a autonomia dos consumidores, que poderiam optar por realizar diretamente o abastecimento do veículo, especialmente em momentos de maior movimento ou em horários com quadro reduzido de funcionários.

Tramitação

O projeto começará a tramitar pelas comissões temáticas da Câmara dos Deputados. Para se tornar lei, a proposta precisará ser aprovada pela Câmara e pelo Senado antes de seguir para sanção presidencial.

O texto prevê que, caso seja sancionado, o novo modelo entrará em vigor 180 dias após a publicação da lei.

O que muda para os postos de combustíveis?

O debate sobre o autosserviço não é novo. O tema já vem sendo acompanhado pelo mercado há vários anos e foi amplamente discutido em conteúdos publicados pelo Portal Brasil Postos, especialmente nos artigos sobre o julgamento do tema no STF e sobre os projetos legislativos em tramitação no Congresso Nacional.

O ponto central da discussão não é simplesmente substituir frentistas por máquinas. O que está em jogo é a possibilidade de criar novos modelos operacionais, permitindo que cada empresário escolha a estrutura mais adequada para sua realidade de mercado.

Em países como Estados Unidos, Chile e diversas nações europeias, o autosserviço já faz parte da rotina dos consumidores e convive com diferentes formatos de atendimento.

Como o autosserviço pode beneficiar os postos?

Caso a legislação seja alterada, os revendedores poderão avaliar oportunidades como:

1. Maior produtividade da equipe

Em vez de concentrar mão de obra exclusivamente na operação de abastecimento, os colaboradores poderão ser direcionados para atividades de maior valor agregado, como:

  • Atendimento consultivo ao cliente;
  • Programas de fidelidade;
  • Vendas de aditivos e lubrificantes;
  • Operação da conveniência;
  • Serviços automotivos.

Isso reforça uma tendência já observada em outros segmentos do varejo, onde a automação libera as equipes para funções comerciais e de relacionamento.

2. Redução de filas e aumento da capacidade operacional

Em horários de pico, especialmente em rodovias e regiões urbanas de grande fluxo, o autosserviço pode contribuir para acelerar o atendimento e reduzir gargalos operacionais. Essa lógica já é observada em soluções de autoatendimento na pista e em sistemas de pagamento autônomo que vêm sendo implantados em diversos postos brasileiros.

3. Integração com novas tecnologias

O setor já convive com diversas soluções de automação, como:

  • Totens de autoatendimento;
  • Pagamentos digitais;
  • Smart POS;
  • Aplicativos de fidelização;
  • Sistemas de gestão integrados.

O autosserviço pode ser mais um elemento dentro desse processo de transformação digital dos postos de combustíveis.

4. Diferenciação competitiva

Cada mercado possui características próprias. Enquanto alguns postos poderão manter o modelo tradicional, outros poderão utilizar o autosserviço como estratégia para ampliar conveniência, reduzir custos operacionais em horários específicos ou criar experiências diferenciadas para determinados perfis de clientes.

Temas relacionados para aprofundar a leitura

Para entender melhor os impactos dessa possível mudança, recomendamos também:

  • Autosserviço em postos de gasolina: a bomba está na mão do Parlamento – análise jurídica e legislativa do tema. Fonte: Brasil Postos
  • Autosserviço ou Self Service em posto de gasolina está sendo decidido no STF. Fonte: Brasil Postos
  • Autoatendimento na pista de abastecimento. Fonte: Brasil Postos
  • Conveniência, autoatendimento e outras tendências do varejo na prática. Fonte: Brasil Postos
  • O poder da loja de conveniência para a sobrevivência do posto. Fonte: Brasil Postos

Oportunidade não está na lei. Está no planejamento.

Independentemente de o projeto ser aprovado ou não, o principal aprendizado para o empresário é que as mudanças regulatórias costumam criar oportunidades para quem se antecipa.

Os postos que analisam tendências, acompanham indicadores de desempenho, estudam novos modelos operacionais e desenvolvem planos estratégicos conseguem tomar decisões mais rápidas quando o mercado muda. O autosserviço é apenas um exemplo de transformação que pode impactar custos, produtividade, experiência do cliente e rentabilidade.

Por isso, mais importante do que discutir se a mudança é boa ou ruim é entender como ela pode afetar o seu negócio e quais adaptações serão necessárias para capturar oportunidades antes da concorrência.

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Por Renato da Silveira · Brasil Postos News

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