Mesmo após reduzir preço da gasolina, Petrobras segue acima do nível internacional

Apesar da redução anunciada pela Petrobras no preço da gasolina, os valores praticados pela estatal ainda permanecem acima do mercado internacional, segundo avaliação de importadores e analistas do setor de combustíveis.

Gasolina cai, mas Petrobras segue acima do preço internacional

A partir desta terça-feira, o preço médio de venda da gasolina A às distribuidoras passou para R$ 2,57 por litro, queda de 5,2%, o equivalente a R$ 0,14 por litro. Trata-se do terceiro corte desde meados de 2025, após reduções realizadas em junho e outubro do ano passado.

Alívio nas bombas deve ser limitado

Embora a redução represente um alívio para o consumidor, analistas projetam que o impacto final nos postos será de apenas 1% a 2%, já que o repasse depende de fatores como impostos, margens das distribuidoras e dos postos.

De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), mesmo após o ajuste, os preços da gasolina praticados no Brasil seguem cerca de 5% acima do preço internacional, que acompanha a cotação global do petróleo.

Segundo a entidade, essa diferença chegou a atingir 11% desde o fim de novembro, antes do anúncio da Petrobras. Para o presidente da Abicom, Sérgio Araújo, o preço médio da gasolina vendida pela estatal ainda ficará R$ 0,12 por litro acima do valor externo.

Importadores ganham espaço no mercado

Fontes do setor avaliam que a redução anunciada pela Petrobras também é uma reação à perda de participação da estatal no mercado interno. Atualmente, os importadores já respondem por até 20% das vendas de gasolina no país, beneficiados pela queda dos preços internacionais e pela valorização recente do real frente ao dólar.

Corte ficou abaixo do esperado, dizem analistas

Em relatório, o Itaú BBA classificou o ajuste como “abaixo das expectativas”. Segundo o banco, antes da redução, os preços domésticos da gasolina estavam cerca de 10% acima do cenário externo. Após o corte, a diferença deve recuar para aproximadamente 5%, ainda acima da paridade internacional.

“O ajuste era amplamente esperado, mas foi um pouco menor do que o previsto”, destacou o banco em nota.

Componente político entra no radar

Especialistas também apontam um componente político na decisão da Petrobras. Enquanto a gasolina teve redução, o diesel permaneceu sem alteração, mesmo sendo vendido no Brasil abaixo do preço internacional.

Dados da Abicom indicam que o diesel comercializado pela estatal está entre 2% e 9% mais barato que no exterior, o que desestimula a importação do produto.

A Petrobras foi prudente ao reduzir a gasolina, mas o preço do diesel deveria ser ajustado para cima, já que está cerca de 7% abaixo da paridade internacional, avaliou Sérgio Araújo.

Diesel abaixo da paridade gera distorções

Para Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE, a venda de diesel abaixo do preço internacional cria incertezas no mercado.

No diesel, a recíproca não é verdadeira. A estatal vem vendendo abaixo do mercado internacional e acaba perdendo dinheiro. Isso torna o anúncio mais político do que corporativo, afirmou.

Petróleo em queda no mercado global

O cenário internacional segue marcado por volatilidade. O barril do Brent, referência global, foi negociado a US$ 65,64, com queda diária de 0,35%. Desde o fim de setembro do ano passado, o petróleo acumula queda de 7%, apesar de alta de 6,5% no início deste ano.

A expectativa de preços mais baixos do petróleo, aliada à influência do câmbio e ao aumento do ICMS da gasolina em janeiro, segue pressionando as decisões de precificação no mercado brasileiro.

Fonte: Mercado financeiro / setor de combustíveis

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