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Assaí compra 18 postos e estuda rede com mais de 100 unidades

Atacarejo assume postos que já operam dentro das próprias lojas e mira uma rede com mais de 100 unidades, aproveitando um fluxo de 20 milhões de veículos por mês

O Assaí firmou nesta quinta-feira (17) contrato com o Centro de Conveniências Millennium para adquirir a totalidade do capital das sociedades detentoras de 18 postos de combustíveis já instalados em lojas da rede no estado de São Paulo. A operação foi comunicada ao mercado por meio de fato relevante.

O preço total pode chegar a R$ 80 milhões, divididos em três parcelas: R$ 40 milhões a título de sinal, após aprovação prévia do Cade; R$ 35 milhões condicionados à conclusão da aquisição de cada uma das sociedades; e até R$ 5 milhões em earn-out, conforme o cumprimento de metas previstas no acordo.

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A companhia informou que só poderá assumir cada operação a partir de 31 de julho de 2027, cumpridas as condições precedentes usuais para esse tipo de transação.

O ativo que o Assaí já tinha e não estava usando

Os números que a empresa apresenta explicam a lógica da entrada melhor que qualquer projeção. O Assaí afirma atender mais de 40 milhões de clientes por mês e estima um fluxo de aproximadamente 20 milhões de veículos mensais em suas lojas.

Segundo a companhia, a entrada no segmento permitirá ampliar a jornada do cliente e oferecer uma nova solução de conveniência, com preços competitivos, aproveitando o fluxo, os estacionamentos, a infraestrutura e a localização das unidades.

“Escala, fluxo, infraestrutura e localização já estão lá”, escreveu o presidente do Assaí, Belmiro Gomes, em publicação nas redes sociais sobre a operação.

Os 18 postos formam a plataforma inicial da nova frente. Estudos internos apontam potencial de longo prazo para a formação gradual de uma rede superior a 100 postos em lojas do grupo, incluindo as unidades desta aquisição. A expansão, segundo a empresa, depende da análise individual de viabilidade e retorno de cada projeto, da disponibilidade de áreas, da obtenção de licenças e dos ritos internos de aprovação.

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Não são 18 postos novos no mercado

Vale desmontar a leitura apressada. As 18 unidades já existem e já operam dentro das lojas — o que muda é o controle societário. Nenhum tanque novo entra em operação com essa assinatura, e a oferta instalada em São Paulo permanece a mesma.

O que muda, e muda bastante, é a estratégia comercial desses pontos. Operados por um terceiro, os postos precisavam se pagar sozinhos. Operados pelo dono do fluxo, passam a poder ser tratados como ferramenta de atração para a loja. São duas lógicas de precificação completamente diferentes na mesma bomba.

A ampliação para mais de 100 unidades, essa sim, representaria capacidade nova. Mas é intenção declarada, não projeto aprovado — e a própria empresa condiciona cada endereço a viabilidade, área disponível e licenciamento.

Por que isso preocupa o revendedor independente

O posto tradicional gasta dinheiro para atrair carro. Placa, preço agressivo, promoção, fidelidade — tudo isso existe porque o fluxo precisa ser conquistado todo dia. O atacarejo já tem o carro no estacionamento. O combustível não precisa gerar tráfego; ele monetiza um tráfego que já foi pago pelo negócio principal.

A consequência prática é que a margem aceitável não é a mesma. Quem depende do combustível para fechar o mês precisa de um patamar de margem que quem usa combustível como serviço complementar pode dispensar. Numa disputa de preço na mesma praça, o revendedor independente está jogando um jogo em que o adversário tem outra regra de pontuação.

Isso não é novidade no varejo mundial e nem irregularidade. É modelo de negócio. Mas exige do revendedor uma decisão honesta: se há loja de atacarejo com posto no seu raio de influência, competir centavo a centavo é a estratégia de menor retorno possível.

O prazo é a melhor notícia da matéria

A assunção das operações só ocorre a partir de 31 de julho de 2027, e ainda depende de aprovação do Cade. Isso dá ao setor mais de um ano e meio de janela — tempo raro em movimento competitivo dessa natureza.

O que fazer com esse tempo é a pergunta que interessa. Mapear se existe loja do grupo no seu entorno é o primeiro passo, e é informação pública. Depois, olhar para onde o atacarejo não consegue ir: atendimento na pista, serviço automotivo, troca de óleo, conveniência de rota, relação com frota local, horário estendido, posto de rodovia. São os pontos em que o fluxo cativo do concorrente não ajuda.

Vale também acompanhar a tramitação no Cade. A análise concorrencial de uma operação que une varejo alimentar e combustível no mesmo endereço não é trivial, e o parecer costuma trazer elementos úteis sobre como o órgão enxerga esse tipo de concentração — informação que pode ser relevante se o modelo se espalhar.

A reportagem acompanha os desdobramentos e atualizará conforme novos fatos.

Fontes: fato relevante do Assaí (ASAI3) divulgado em 17/09/2026, com repercussão em Exame, InfoMoney, InvestNews, Times Brasil e Valor Econômico. Texto autoral Brasil Postos com base no conteúdo original.

Perguntas e respostas

Quanto o Assaí vai pagar pelos 18 postos?

O preço total pode chegar a R$ 80 milhões, divididos em R$ 40 milhões de sinal após aprovação prévia do Cade, R$ 35 milhões condicionados à conclusão da aquisição de cada sociedade e até R$ 5 milhões em earn-out, conforme metas previstas no contrato.

A partir de quando o Assaí assume os postos?

A companhia informou que só poderá assumir cada operação a partir de 31 de julho de 2027, desde que cumpridas as condições precedentes previstas no contrato. A operação também depende de aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

A compra aumenta o número de postos em São Paulo?

Não. As 18 unidades já existem e já funcionam dentro das lojas do grupo; o que muda é o controle societário. A oferta instalada permanece a mesma. Capacidade nova só apareceria se a rede superior a 100 postos, hoje apenas um estudo interno, sair do papel.

Por que o modelo do atacarejo pressiona o posto independente?

Porque o combustível deixa de precisar gerar tráfego. O Assaí estima 20 milhões de veículos por mês nas lojas, fluxo já pago pelo negócio principal. Quem depende da bomba para fechar o mês precisa de uma margem que quem trata combustível como serviço complementar pode dispensar.

O que o revendedor pode fazer até 2027?

Mapear se há loja do grupo no raio de influência e reforçar o que o fluxo cativo do concorrente não resolve: atendimento na pista, serviço automotivo, troca de óleo, conveniência de rota, relação com frota local e horário estendido. Disputar preço centavo a centavo é a estratégia de menor retorno nesse cenário.

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