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BP avalia vender negócio de etanol e açúcar no Brasil, dizem fontes

Petroleira britânica comprou o controle da operação de açúcar e etanol da Bunge em 2024 por US$ 1,4 bilhão. Agora, deixou de considerá-la essencial

A BP avalia alternativas para o seu negócio de biocombustíveis no Brasil, incluindo uma venda, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pela Bloomberg News. O movimento acontece enquanto a nova CEO da companhia, Meg O’Neill, acelera a reformulação do portfólio para concentrar capital nos negócios principais de petróleo e gás.

De acordo com as fontes, as discussões ainda estão em estágio inicial e nenhuma decisão final foi tomada. Um representante da BP não quis comentar.

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De aposta estratégica a ativo à venda em dois anos

Em 2024, a BP pagou US$ 1,4 bilhão, incluindo dívida, pela participação de 50% que a Bunge detinha na joint venture brasileira de açúcar e etanol das duas empresas, assumindo o controle integral da operação. Na época, a petroleira descreveu a plataforma como um negócio de bioenergia escalável e competitivo em custos, e disse que pretendia buscar novas oportunidades em etanol, combustível sustentável de aviação e biogás.

Segundo as fontes da Bloomberg, a empresa agora deixou de considerar o negócio essencial para sua estratégia futura.

A virada acompanha uma mudança maior. A BP se comprometeu a vender cerca de US$ 20 bilhões em ativos até 2027, para reduzir a dívida, cortar custos e melhorar retornos. A guinada foi anunciada no ano passado pelo então CEO Murray Auchincloss, que se afastou dos investimentos mais agressivos em transição energética adotados por seu antecessor, Bernard Looney.

Castrol também mudou de mãos

A eventual venda do negócio de etanol se somaria a uma série de desinvestimentos. Em dezembro, a BP concordou em vender 65% do negócio de lubrificantes Castrol para o fundo Stonepeak, mantendo 35%. Também concluiu a venda da refinaria de Gelsenkirchen, na Alemanha, e busca vender o negócio de energia solar e baterias Lightsource — cuja unidade brasileira teve 49,99% comprados pela Petrobras neste ano.

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A menção à Castrol interessa diretamente a quem opera troca de óleo na pista: a marca, presente em boa parte dos postos do país, passou a ter como controlador um fundo de investimentos, e não mais uma petroleira.

O que muda para o revendedor

No curto prazo, nada. A negociação está em fase inicial, e usinas continuam moendo cana e produzindo etanol independentemente de quem seja o dono. Uma troca de controle não afeta, por si só, a oferta de hidratado que chega às distribuidoras.

No médio prazo, vale acompanhar quem compra. A produção de etanol no Brasil passa por um momento de demanda aquecida e de debate sobre o futuro do biocombustível, com testes para elevar a mistura de anidro na gasolina e discussões sobre novos canais de venda. Um comprador com estratégia diferente da BP — mais focado em volume, em exportação ou em integração com a distribuição — pode mudar a forma como esse etanol chega ao mercado.

O sinal mais amplo é de reposicionamento. Uma das maiores petroleiras do mundo comprou o controle de uma operação de etanol no Brasil há dois anos, apostando na transição energética, e agora avalia sair. O movimento mostra que as grandes companhias estão priorizando retorno de curto prazo em petróleo e gás — o que tende a manter o combustível fóssil no centro da matriz por mais tempo do que as projeções de alguns anos atrás sugeriam.

A reportagem acompanha os desdobramentos e atualizará conforme novos fatos.

Fonte: Bloomberg News, via Bloomberg Línea (28/09/2026), reportagem de Mitchell Ferman, Dinesh Nair e Peter Millard. Texto autoral Brasil Postos com base no conteúdo original.

Perguntas e respostas

A BP vai vender o negócio de etanol no Brasil?

A companhia avalia alternativas, incluindo uma venda, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg News. As discussões estão em estágio inicial e nenhuma decisão final foi tomada. A BP não quis comentar.

Quando a BP assumiu o controle do negócio?

Em 2024, ao pagar US$ 1,4 bilhão, incluindo dívida, pela participação de 50% que a Bunge detinha na joint venture brasileira de açúcar e etanol das duas empresas. Com isso, a BP passou a controlar integralmente a operação.

Por que a BP quer vender ativos?

A empresa se comprometeu a vender cerca de US$ 20 bilhões em ativos até 2027, para reduzir a dívida, cortar custos e concentrar capital em petróleo e gás. A mudança de estratégia se afastou dos investimentos mais agressivos em transição energética da gestão anterior.

A venda afeta o abastecimento de etanol nos postos?

Não no curto prazo. As usinas seguem produzindo independentemente do controlador. No médio prazo, a estratégia do eventual comprador pode influenciar como esse etanol é comercializado, o que vale acompanhar.

O que aconteceu com a Castrol?

Em dezembro, a BP concordou em vender 65% do negócio de lubrificantes Castrol para o fundo Stonepeak, mantendo 35% de participação. A operação faz parte do mesmo programa de desinvestimentos da petroleira.

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