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Etanol sobe 20% na usina, e o corte de PIS/Cofins termina em 9 de outubro

Demanda recorde em julho empurra o hidratado para cima, enquanto o decreto que reduziu R$ 0,63 por litro na gasolina e R$ 0,19 no etanol tem data para acabar

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 20% entre o início de agosto e a semana encerrada em 11 de setembro, saindo de R$ 2,05 para R$ 2,46 por litro. A análise é da Consultoria Agro do Itaú BBA, no relatório Agro Mensal, e confirma a trajetória que o indicador semanal do Cepea vinha mostrando.

A recuperação acontece depois de um período de forte pressão sobre as cotações e, segundo o banco, reflete três fatores somados: demanda mais aquecida, valorização do açúcar — que desvia cana do etanol — e interrupções na moagem provocadas pela chuva.

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O consumidor está escolhendo etanol

O dado mais relevante do relatório é de demanda. Em julho, as distribuidoras comercializaram 1,92 bilhão de litros de etanol hidratado — o maior volume já registrado para o mês. Em São Paulo, principal mercado consumidor do país, a paridade com a gasolina permaneceu abaixo de 60% durante todo o período, mantendo o biocombustível claramente vantajoso para quem abastece.

Para o posto, isso significa giro. Hidratado vendendo em volume recorde, com paridade folgada, é produto que sai da pista — e quando a demanda está forte, o espaço para absorver alta de custo sem perder volume é maior do que em períodos de paridade apertada.

A data que o revendedor precisa anotar: 9 de outubro

Parte da competitividade atual do etanol, e do preço da gasolina, vem de uma medida tributária temporária. O Decreto nº 13.116, publicado em 9 de setembro, zerou o PIS/Pasep e a Cofins sobre o etanol hidratado e reduziu os mesmos tributos sobre a gasolina, com vigência de 10 de setembro a 9 de outubro.

O que o Decreto 13.116 mudou, por litro:
Gasolina · redução de R$ 0,63 · carga de PIS/Cofins passa a R$ 0,16
Etanol hidratado · redução de R$ 0,19 · PIS/Cofins zerados
Vigência · 10 de setembro a 9 de outubro de 2026

Segundo o Ministério da Fazenda, a redução na gasolina substitui e amplia a subvenção de R$ 0,44 por litro que vigorava pela Medida Provisória 1.358/2026, encerrada no mesmo dia em que o decreto entrou em vigor.

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O ponto que interessa a quem opera é o fim do prazo. Se não houver prorrogação, a partir de 10 de outubro a carga federal volta ao patamar anterior. Na gasolina, a diferença é de R$ 0,63 por litro — valor que tende a aparecer de uma vez no preço de faturamento da distribuidora. No etanol, R$ 0,19.

Como se preparar para a virada

Acompanhe o anúncio de prorrogação. Medida tributária temporária costuma ser renovada, ajustada ou encerrada nos últimos dias. A decisão sobre o que acontece em 10 de outubro deve sair perto da data — e vale ter informação antes de fechar a última compra da janela.

Planeje o estoque com a data no calendário. Produto adquirido dentro da vigência carrega a carga reduzida. Isso não recomenda encher tanque além da capacidade de giro — capital parado e combustível envelhecendo têm custo real —, mas recomenda que a programação de cargas da primeira semana de outubro seja feita sabendo que a regra pode mudar no dia 10.

Documente o repasse quando ele vier. Se a carga tributária voltar e o preço subir, é justa causa comprovável — o aumento vem de norma federal com data definida. Guardar a nota fiscal da primeira carga com o tributo restabelecido, com data, é o que sustenta o reajuste se houver questionamento. Na mesma semana deste relatório, a Senacon abriu investigação contra 12 empresas do setor, incluindo postos, por elevação de preço sem justa causa.

Confira a nota fiscal. O Minaspetro orientou os postos a ajustar os sistemas de emissão para refletir a nova tributação e a incluir, nas informações complementares da NFC-e, a menção ao decreto e à redução aplicada. Quando o prazo vencer, o ajuste terá de ser desfeito — e sistema desatualizado gera inconsistência com o fisco.

O que vem depois de outubro

O relatório do Itaú BBA aponta ainda um sinal regulatório de prazo mais longo: o Ministério de Minas e Energia deve publicar em setembro a portaria que autoriza testes para avaliar a viabilidade técnica de 35% de etanol anidro na gasolina. Se a mistura for adotada no futuro, o banco estima demanda adicional entre 2 bilhões e 2,5 bilhões de litros de anidro por ano.

Para Mariana Zechin, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, a recuperação recente reflete uma combinação positiva de fundamentos, e o desafio será consolidar o movimento ao longo do restante da safra e no início do próximo ciclo, diante do grande volume de cana bisada — a que ficou no campo de uma safra para a outra.

Em outras palavras: há oferta represada no campo. Se a moagem normalizar com o fim das chuvas e essa cana entrar no mercado, a pressão de alta no etanol pode perder força. É um fator a observar antes de assumir que o preço de agora é o novo patamar.

Fontes: Notícias Agrícolas (21/09/2026), com base no relatório Agro Mensal da Consultoria Agro do Itaú BBA — ver matéria original; Ministério da Fazenda; Decreto nº 13.116/2026; Minaspetro. Texto autoral Brasil Postos.

Perguntas e respostas

Quanto o etanol subiu nas usinas?

Segundo o Itaú BBA, o hidratado nas usinas paulistas passou de R$ 2,05 para R$ 2,46 por litro entre o início de agosto e a semana encerrada em 11 de setembro, alta de 20%. A causa combina demanda aquecida, valorização do açúcar e interrupções na moagem pela chuva.

Até quando vale a redução de PIS/Cofins nos combustíveis?

O Decreto nº 13.116/2026 vale de 10 de setembro a 9 de outubro de 2026. Ele reduziu PIS/Cofins em R$ 0,63 por litro na gasolina e zerou os dois tributos no etanol hidratado, redução de R$ 0,19 por litro. Sem prorrogação, a carga volta ao patamar anterior a partir de 10 de outubro.

O posto precisa mudar algo na nota fiscal por causa do decreto?

Sim. O Minaspetro orienta ajustar os parâmetros tributários do sistema de emissão e incluir, nas informações complementares da NFC-e, a menção à redução e ao decreto. Quando o prazo terminar, o ajuste precisa ser desfeito para evitar inconsistência com o fisco.

O consumo de etanol está alto?

Sim. Em julho, as distribuidoras venderam 1,92 bilhão de litros de hidratado, o maior volume já registrado para o mês. Em São Paulo, a paridade com a gasolina ficou abaixo de 60% durante todo o período, mantendo o etanol vantajoso.

O que é o teste de 35% de etanol na gasolina?

Segundo o Itaú BBA, o Ministério de Minas e Energia deve publicar em setembro portaria autorizando testes para avaliar a viabilidade técnica de 35% de anidro na gasolina. Se adotada no futuro, a mistura geraria entre 2 bilhões e 2,5 bilhões de litros adicionais de demanda por ano.

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