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Brasil segura o diesel, mas troca da Rússia pelos EUA encarece a importação

Subvenção e biodiesel amorteceram o preço na bomba, mas a mudança de fornecedor elevou o custo de cada litro importado e criou uma nova dependência

O Brasil conseguiu segurar parte relevante do choque do diesel provocado pelas guerras no Irã e na Ucrânia. Desde o início do conflito no Oriente Médio, o diesel S-10 subiu cerca de 20% no país, de R$ 6,09 para R$ 7,33 por litro, segundo a ANP. No mesmo período, a alta foi de aproximadamente 71% nos Estados Unidos, segundo a EIA, e de cerca de 40% na União Europeia, conforme a Comissão Europeia.

A comparação é do professor Pedro Côrtes, da USP, em coluna na CNN Brasil. Na leitura dele, a contenção brasileira funcionou no preço, mas tem custo crescente — e expôs uma dependência que o revendedor precisa entender.

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Uma crise de derivados, não só de petróleo

A guerra no Irã elevou o petróleo e reduziu as exportações de diesel do Oriente Médio. Na Rússia, ataques ucranianos às refinarias e as restrições às exportações, em vigor desde julho, comprimiram outra fonte importante de oferta.

O resultado é que o derivado subiu muito mais que a matéria-prima. Segundo a Agência Internacional de Energia, a cotação do diesel no mercado americano chegou a ficar cerca de 94% acima do nível anterior à guerra, enquanto o Brent subia aproximadamente 45%. É por isso que o preço do barril, sozinho, não explica o que o posto está pagando.

Saímos de Moscou e fomos para Houston

O Brasil importa algo entre 25% e 30% do diesel que consome. Com a retração russa, a origem desse volume mudou rápido. Os Estados Unidos responderam por 68% das importações brasileiras em julho e agosto, segundo o Comex Stat, e a Abicom informou que a participação chegou a 80% em setembro.

A troca tem preço. No primeiro semestre, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, cada quilo de diesel russo importado custou em média R$ 0,15 a menos que o americano — diferença próxima de R$ 0,13 por litro. Mudar de fornecedor reduziu o risco imediato de falta, mas encareceu o custo marginal das importações e concentrou a dependência em uma única origem.

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Segundo Côrtes, Washington descartou uma proibição formal das exportações de diesel, mas pede às refinarias americanas que reduzam voluntariamente os embarques. Para o colunista, segurança energética não é trocar um fornecedor dominante por outro, e sim reduzir a dependência de qualquer rota. O que aconteceria com o mercado se os americanos de fato restringissem as vendas é tema de outra reportagem aqui do blog.

O biodiesel como amortecedor

Há uma proteção parcial dentro de casa. Em Paulínia, o biodiesel chegou a ser negociado cerca de 9% abaixo do diesel importado. Segundo a Raion Consultoria, o preço do biodiesel acumulava queda de 8% em 12 meses, o equivalente a aproximadamente R$ 0,07 a menos por litro de diesel B em relação a um ano antes.

O país, porém, segue no B15. A área técnica do Ministério de Minas e Energia estima que, na melhor hipótese, os testes necessários para misturas acima de 15% só terminem em fevereiro de 2027. Côrtes defende que o avanço respeite critérios técnicos, mas com cronograma claro. Para a revenda, vale lembrar o outro lado da mistura maior: transportadoras já relatam mais entupimento de filtros, e o armazenamento no posto ganha peso.

A conta da subvenção

O governo prorrogou a subvenção de R$ 2,12 por litro por mais 30 dias a partir de 27 de setembro. Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as subvenções para combustíveis já somam R$ 47 bilhões, e o pacote mais recente custa cerca de R$ 7 bilhões por mês.

Côrtes considera que o apoio se justifica enquanto o choque externo for excepcional, mas alerta que, sem solução rápida para os dois conflitos, o excepcional ameaça se tornar permanente. Na avaliação dele, sem diversificar fornecedores e dar horizonte ao biodiesel, o país apenas desloca o impacto das guerras da bomba para o orçamento.

O que isso significa para o posto

A pressão de custo continua. O diesel S-10 subiu 6,5% só em setembro. A subvenção segura parte do preço, mas o custo do importado está maior do que no primeiro semestre, e isso chega à cadeia.

Oferta sob atenção regional. No Rio Grande do Sul, a Farsul relatou restrições e atrasos nas entregas, embora a ANP tenha informado não ter verificado problemas de oferta no estado. Com dependência de importação e fornecedor concentrado, vale manter conversa próxima com a distribuidora sobre programação de cargas.

Documentação é proteção. Com a Operação Carga Pesada fiscalizando margem de diesel em todo o país, cada reajuste precisa estar amparado pela nota da carga com o custo novo. Alta de custo externo é justa causa, desde que comprovada.

Estoque com critério, não com aposta. Em cenário volátil, a tentação é encher o tanque antes de um aumento esperado. Mas capital parado, produto envelhecendo — especialmente com mais biodiesel na mistura — e o risco de a alta não vir têm custo. Estoque de segurança compatível com o caixa é mais prudente.

Fonte: Pedro Côrtes, coluna na CNN Brasil (28/09/2026), com dados de ANP, EIA, Comissão Europeia, AIE, Comex Stat, Abicom, MDIC e Raion Consultoria. Texto autoral Brasil Postos com base no conteúdo original.

Perguntas e respostas

Quanto o diesel subiu no Brasil desde o início da guerra?

Segundo a ANP, o diesel S-10 subiu cerca de 20%, de R$ 6,09 para R$ 7,33 por litro, desde o início do conflito no Oriente Médio. No mesmo período, a alta foi de cerca de 71% nos Estados Unidos e de 40% na União Europeia. Só em setembro, o S-10 avançou 6,5% no país.

De onde vem o diesel que o Brasil importa?

Principalmente dos Estados Unidos. Com a retração da Rússia, os americanos responderam por 68% das importações brasileiras em julho e agosto, segundo o Comex Stat, e por 80% em setembro, segundo a Abicom. O Brasil importa entre 25% e 30% do diesel que consome.

O diesel americano é mais caro que o russo?

Sim. Segundo o MDIC, no primeiro semestre cada quilo de diesel russo importado custou em média R$ 0,15 a menos que o americano, diferença próxima de R$ 0,13 por litro. A troca de fornecedor reduziu o risco de falta, mas elevou o custo das importações.

O biodiesel ajuda a segurar o preço do diesel?

Em parte. Em Paulínia, o biodiesel chegou a ser negociado cerca de 9% abaixo do diesel importado, e seu preço caiu 8% em 12 meses, o que representa cerca de R$ 0,07 a menos por litro de diesel B. Mas a mistura segue em 15%, e testes para ir além só devem terminar em fevereiro de 2027.

Quanto o governo já gastou com subsídios aos combustíveis?

Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as subvenções para combustíveis já somam R$ 47 bilhões. O pacote mais recente, que mantém a subvenção de R$ 2,12 por litro no diesel, tem custo estimado de cerca de R$ 7 bilhões por mês.

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