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Demanda por combustíveis deve crescer em 2027: como preparar o posto

A demanda brasileira por combustíveis líquidos deve crescer 2,5% em 2027, segundo a EPE, mas o avanço não será uniforme: o etanol hidratado tende a ganhar mais volume que gasolina e diesel. Para o posto, a projeção pede revisão do mix, programação de compras e controle de margem por produto — não aumento automático de estoque.

O que a EPE projeta para a demanda por combustíveis em 2027?

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética, o consumo brasileiro de combustíveis líquidos deve passar de 152 bilhões de litros, estimados para 2026, para 155,8 bilhões de litros em 2027. O crescimento projetado é de 2,5%.

O avanço, porém, será diferente para cada produto. A demanda por etanol hidratado deve subir de 23,9 bilhões para 25,3 bilhões de litros, crescimento de 5,86%. No diesel, a projeção passa de 72,4 bilhões para 74,2 bilhões de litros. Para a gasolina C, a estimativa aumenta de 48 bilhões para 48,5 bilhões de litros.

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Esses números são projeções nacionais da EPE. Eles indicam uma direção para o mercado, mas não mostram isoladamente o comportamento de cada cidade, corredor rodoviário ou área de influência de um posto.

Por que o etanol merece mais atenção do revendedor?

O etanol hidratado apresenta o maior crescimento proporcional entre os principais combustíveis vendidos nos postos. A EPE relaciona esse movimento à expectativa de uma safra maior de cana-de-açúcar em 2026/2027, à menor remuneração do açúcar no mercado internacional e à expansão da produção de etanol de milho.

Maior oferta pode melhorar a competitividade do produto, mas não garante o mesmo resultado em todas as praças. Frete, distância das usinas, tributação, preço da gasolina e comportamento do consumidor continuam influenciando a escolha na bomba.

Dados recentes já mostram que o produto ganhou espaço em determinados períodos. O Brasil Postos registrou que o etanol hidratado atingiu o terceiro maior volume mensal de vendas da série histórica em agosto de 2026.

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O que pode mudar no estoque e na programação de compras?

A principal recomendação operacional é acompanhar a participação de cada combustível nas vendas do próprio posto. Se o etanol aumentar sua presença no mix, manter a programação antiga pode causar ruptura do hidratado e excesso de gasolina armazenada.

O posto pode transformar a projeção de mercado em rotina de acompanhamento:

  • comparar semanalmente o volume vendido de etanol, gasolina e diesel;
  • calcular os dias de estoque disponíveis para cada produto;
  • revisar os intervalos entre cargas conforme o giro real;
  • acompanhar a paridade entre etanol e gasolina na própria praça;
  • medir margem bruta por litro e margem total de cada combustível.

O comportamento regional deve prevalecer sobre a média nacional. Em agosto de 2026, por exemplo, o etanol apresentou condições de competitividade diferentes entre os estados. Isso reforça que a decisão de compra precisa considerar o mercado local.

Crescimento de volume significa aumento de margem?

Não necessariamente. Esta é uma análise editorial do Brasil Postos: vender mais litros pode aumentar o faturamento e, ao mesmo tempo, reduzir o resultado se a margem unitária cair, se houver estoque comprado em momento desfavorável ou se a mudança do mix deslocar vendas de um produto mais rentável.

Por isso, a projeção de alta não deve ser usada como justificativa para comprar mais combustível de forma automática. A recomendação é cruzar volume, custo de aquisição, preço de bomba, margem e velocidade de reposição.

O Painel de Preços de Combustíveis ajuda a comparar os preços praticados e o posicionamento do posto em relação ao mercado da região. O painel deve apoiar a análise, sem substituir os custos e as metas da própria operação.

Como o posto pode começar a se preparar para 2027?

O planejamento pode começar com o histórico mensal do posto, sem depender de uma previsão única. Separe as vendas por combustível, identifique períodos de mudança no mix e registre as causas mais prováveis, como preço, safra, concorrência, fluxo rodoviário ou sazonalidade.

Na prática, o gestor pode adotar quatro medidas:

  • criar um relatório semanal de volume, margem e dias de estoque por produto;
  • definir alertas para ruptura, excesso de estoque e queda de margem;
  • revisar a programação de cargas quando houver mudança consistente no mix;
  • acompanhar preços e informações do mercado antes de negociar novas compras.

Para trocar experiências com outros operadores, o revendedor também pode participar do Grupo de WhatsApp do Brasil Postos para donos e gestores.

A projeção nacional não substitui os números da sua praça. Consulte o Painel de Preços de Combustíveis para comparar o posicionamento do posto, acompanhar a relação entre etanol e gasolina e tomar decisões de compra com mais contexto.

Perguntas frequentes

Quanto deve crescer a demanda por combustíveis em 2027?

A EPE projeta crescimento de 2,5%, com o consumo total passando de 152 bilhões de litros em 2026 para 155,8 bilhões de litros em 2027.

Qual combustível deve apresentar o maior avanço?

O etanol hidratado tem o maior crescimento proporcional projetado. A demanda deve passar de 23,9 bilhões para 25,3 bilhões de litros, aumento de 5,86%.

A projeção nacional define quanto combustível o posto deve comprar?

Não. A projeção indica uma tendência nacional. A compra do posto deve considerar vendas próprias, comportamento da praça, dias de estoque, prazo de entrega e margem por produto.

Por que a gasolina deve crescer menos que o etanol?

A fonte destaca a expectativa de maior oferta de etanol de cana e de milho. Com mais disponibilidade e preços competitivos, o hidratado pode ganhar participação entre consumidores de veículos flex.

Fonte: Poder360, Eduardo Perry, 19 de outubro de 2026 — https://www.poder360.com.br/poder-energia/demanda-por-combustiveis-deve-crescer-25-em-2027-diz-epe/

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