Indicador do Cepea aponta etanol hidratado a R$ 2,4622 nas usinas paulistas, com alta de mais de 20% desde o fim de julho — e a chuva ainda no meio do caminho da safra
Chuvas de 40 a 60 mm nas principais regiões produtoras de São Paulo atrasaram a moagem de cana-de-açúcar e ajudaram a sustentar os preços do etanol nas usinas paulistas, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) divulgado nesta segunda-feira (14), com dados de agências internacionais. O indicador do etanol hidratado, calculado com base na média de 8 a 11 de setembro, fechou em R$ 2,4622 por litro, alta de 2,63% na semana. O anidro subiu 2,32%, para R$ 2,8475.
O movimento não é de uma semana isolada: desde o fim de julho, quando o hidratado era negociado a cerca de R$ 2,00 e o anidro a R$ 2,30 nas usinas de São Paulo, o preço já acumula alta superior a 20%. Segundo o Cepea, agentes do mercado estão preocupados com o volume de cana que ainda precisa ser processado até o fim da safra — e a chuva, justamente no período em que a moagem deveria acelerar, trabalha contra esse calendário.
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Resumo
TogglePor que o preço na usina interessa a quem está na ponta da revenda
O indicador do Cepea mede o etanol na saída da usina, não na bomba — mas é justamente esse elo que antecipa, com algumas semanas de defasagem, o custo de reposição que chega à distribuidora e, na sequência, ao posto. Uma alta acumulada de mais de 20% em menos de dois meses no ponto de origem da cadeia costuma se traduzir, mais cedo ou mais tarde, em pressão sobre o preço que o revendedor paga pelo próximo carregamento.
O cenário ainda é agravado por outro fator citado no levantamento: a desoneração temporária de PIS/Pasep e Cofins sobre o etanol hidratado, com vigência até 9 de outubro, tem deixado o mercado hesitante — produtores e compradores não conseguem fechar preço em meio à incerteza sobre o efeito da medida tributária no custo final, e o próprio Cepea reporta o mercado “travado” desde o anúncio.
O que acompanhar até o fim da safra
Para o revendedor, o sinal prático é de atenção redobrada ao ritmo da moagem nas próximas semanas. Quanto mais chuva atrasar o processamento da cana que ainda resta na safra, maior a chance de o custo do etanol na usina continuar pressionado — e isso tende a aparecer no levantamento semanal de preços da ANP com alguma defasagem. Programar compra com antecedência, em vez de deixar para negociar no momento em que o tanque já está baixo, reduz a exposição a um mercado que o próprio Cepea descreve como travado.
Perguntas e respostas
Quanto o etanol já subiu nas usinas de São Paulo?
Segundo o Cepea, o hidratado acumula alta superior a 20% desde o fim de julho, quando era negociado a cerca de R$ 2,00 por litro nas usinas. Na semana de 8 a 11 de setembro, o indicador fechou em R$ 2,4622, alta de 2,63%.
Por que a chuva afeta o preço do etanol?
Chuvas de 40 a 60 mm nas principais regiões produtoras atrasaram a moagem da cana-de-açúcar. Com menos cana processada no ritmo esperado, cresce a preocupação do mercado sobre o volume que ainda falta moer até o fim da safra, o que sustenta o preço.
O que é a desoneração citada e por que ela travou o mercado?
É uma redução temporária de PIS/Pasep e Cofins sobre o etanol hidratado, válida até 9 de outubro. Segundo o Cepea, produtores e compradores não conseguem fechar negócio em meio à incerteza sobre o efeito da medida no custo final, o que paralisou parte das negociações.
Esse preço da usina é o mesmo que o revendedor paga na distribuidora?
Não diretamente — o indicador do Cepea mede o etanol na saída da usina. Mas é o elo que costuma antecipar, com algumas semanas de defasagem, o custo de reposição que chega à distribuidora e, na sequência, ao posto.
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