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ANP garante 14 milhões de litros de diesel ao RS, mas falta no campo persiste

Cota extra de S-500 da Petrobras foi anunciada para socorrer o plantio, mas o interior gaúcho segue com entregas parciais. O problema atinge quem compra sem contrato

A ANP garantiu a aquisição, junto à Petrobras, de 14 milhões de litros de diesel S-500 para o Rio Grande do Sul, numa tentativa de aliviar a dificuldade de abastecimento no meio rural em plena janela de plantio da safra de verão. A informação foi repassada no domingo (27) pelo superintendente de Distribuição e Logística da agência, Diogo Valério, ao presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, a Farsul, Domingos Velho Lopes.

O anúncio veio depois de mais de duas semanas de reclamações. Na sexta-feira (25), a Farsul havia protocolado dois ofícios cobrando providências urgentes da agência — desdobramento do alerta que registramos aqui em meados de setembro.

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A cota chegou, as restrições continuam

O anúncio não resolveu o problema de imediato. Na terça-feira (29), a Farsul enviou novo ofício à ANP, reunindo relatos de produtores, sindicatos rurais e fornecedores. O documento descreve um mercado desuniforme: em algumas localidades há produto, em outras os transportadores-revendedores-retalhistas, os TRRs, não conseguem atender integralmente os pedidos ou não dão previsão de entrega.

Os exemplos se acumulam. Em Caçapava do Sul, um fornecedor recebeu 10 mil litros de S-500 e limitou a entrega a 3 mil litros por produtor. Em Lavras do Sul, havia S-10 a R$ 7,70 por litro, mas não S-500. Segundo a Farsul, Giruá estava havia mais de 15 dias sem S-500 para o campo, e cidades como Cruz Alta, Santa Maria, Tupanciretã, São Vicente do Sul, Candelária e Pelotas relatavam estoques zerados, entregas parciais e prazos incertos. Em Pedras Altas, agricultores interromperam o plantio de arroz.

O padrão geográfico é claro: quanto mais longe da Refinaria Alberto Pasqualini, a Refap, na região metropolitana de Porto Alegre, mais o problema persiste. Em Caiçara, na divisa com Santa Catarina, a prefeitura chegou a suspender serviços da Secretaria de Obras e manter apenas transporte escolar e saúde.

Não falta diesel na bomba — falta no campo

A ANP afirma não ter identificado risco de desabastecimento no estado, e a Petrobras informa que os volumes contratados estão sendo entregues normalmente. Em nível nacional, o governo garantiu oferta de diesel acima da demanda para outubro.

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As duas versões convivem porque o problema não é de volume total, é de canal. O diesel não está em falta nas bombas dos postos. O aperto está no S-500 que chega ao meio rural pelos TRRs, e atinge principalmente quem depende de compras imediatas, sem contrato prévio. Com a janela agrícola curta, o desafio deixa de ser a oferta nacional e passa a ser ter o produto no lugar e no momento em que a máquina precisa entrar no campo.

O produtor bateu na porta do posto

Um efeito que interessa diretamente ao revendedor gaúcho: com o TRR sem entregar, parte dos produtores passou a recorrer aos postos, conseguindo 200 a 400 litros por vez — volume que, segundo relatos, um trator pode consumir em um único dia.

É demanda extra, e merece cuidado. Primeiro, porque o posto também compra da distribuidora e pode sentir o mesmo aperto na reposição: vale alinhar programação de cargas antes de assumir volume que não vai conseguir repor. Segundo, porque o momento coincide com a fiscalização mais dura do ano. A Senacon advertiu que recusar a venda de combustível disponível em estoque para aumentar o preço depois é infração do Código de Defesa do Consumidor — e a multa agora pode chegar a R$ 500 milhões.

Limitar a quantidade por cliente quando o estoque é de fato curto é decisão legítima de gestão. Mas convém deixar registrado: estoque disponível, pedidos feitos à distribuidora, volumes recebidos. É esse registro que separa racionamento de retenção.

A lição sobre contrato

O episódio gaúcho deixa uma lição que vale para qualquer revenda: em momento de oferta apertada, quem tem contrato de fornecimento é atendido primeiro. A Petrobras entrega o contratado; quem compra no mercado à vista disputa o que sobra. Para postos que dependem de compra pontual, sobretudo de S-500 para clientes rurais, vale revisar a forma de contratação antes do próximo pico de demanda.

No novo ofício, a Farsul pede à ANP informações sobre estoques, produção e distribuição, previsão de normalização e providências diante das diferenças de oferta e de preço no estado. A reportagem acompanha os desdobramentos e atualizará conforme novos fatos.

Fontes: Correio do Povo (29/09/2026), reproduzido por Rádio Mundial e O Sepeense; Jornal do Comércio; Grupo Ceres; RDM Online. Texto autoral Brasil Postos.

Perguntas e respostas

Quanto diesel a ANP liberou para o Rio Grande do Sul?

A ANP garantiu a aquisição, junto à Petrobras, de 14 milhões de litros de diesel S-500 para o estado, segundo informação repassada à Farsul em 27 de setembro. O produto é o mais usado no meio rural.

Está faltando diesel nos postos do RS?

Não nas bombas. A dificuldade está no diesel S-500 entregue ao meio rural pelos TRRs, sobretudo em regiões distantes da Refap. A ANP afirma não haver risco de desabastecimento, e a Petrobras diz entregar normalmente os volumes contratados.

Quem é mais afetado pela falta de diesel no campo?

Produtores e revendedores que dependem de compras imediatas, sem contrato prévio de fornecimento. Em momentos de oferta apertada, os volumes contratados têm prioridade de entrega.

O posto pode limitar a quantidade vendida por cliente?

Pode, quando há limitação real de estoque. Mas a Senacon advertiu que recusar a venda de produto disponível para aumentar o preço depois é infração. Por isso vale registrar estoque, pedidos à distribuidora e volumes recebidos.

O que a Farsul pede à ANP?

Em ofício enviado em 29 de setembro, a entidade pede informações sobre estoques, produção e distribuição, previsão de normalização e providências diante das diferenças de oferta e de preço verificadas no Rio Grande do Sul.

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