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Brasil importa 9,6 bilhões de litros de diesel até agosto e segue sem plano B aos EUA

Outubro é o mês de maior consumo de diesel no país, e 80% das encomendas vêm dos EUA. A Petrobras conversa com refinarias indianas, mas não há alternativa à altura no curto prazo

O Brasil importou cerca de 9,6 bilhões de litros de óleo diesel entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados da ANP divulgados em 30 de setembro. A Petrobras respondeu por 28% desse volume, aproximadamente 2,7 bilhões de litros. A Ipiranga importou 1,4 bilhão de litros, ou 14,3% do total. Os números foram destacados pela coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo.

O peso do importado varia ao longo do ano. Pelo acompanhamento mensal da ANP, o diesel A importado respondeu por cerca de 30% da oferta em janeiro e 31% em fevereiro, caindo para 19% em março.

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A conta que não fecha sem importação

Um cálculo do Banco Safra dá a dimensão estrutural do problema. Entre janeiro e agosto, o Brasil consumiu aproximadamente 247 milhões de barris de diesel, enquanto a produção doméstica somou cerca de 193 milhões. A diferença, de 54 milhões de barris, só é coberta com produto de fora. Pelas contas do banco, a importação responde por cerca de 22% do consumo.

Isso não muda de um mês para o outro. Mesmo com as refinarias nacionais operando em alta utilização, o país não tem capacidade de refino para dispensar o diesel importado.

Outubro, o mês mais sensível

A dependência pesa mais agora. Outubro é o mês de maior venda de diesel no Brasil, puxado pelo plantio da safra de verão e pelo transporte de cargas. Segundo informações de mercado reportadas pelo portal eixos, as encomendas de diesel importado para outubro vêm cerca de 80% dos Estados Unidos. Nos meses anteriores, os americanos já haviam respondido por 68% das importações de julho e agosto, segundo o Comex Stat.

A concentração é consequência de um mercado mundial apertado. A Rússia, que vinha sendo o principal fornecedor, prorrogou a proibição de exportar diesel até 31 de outubro. O Oriente Médio enfrenta a guerra e a interrupção de rotas. Sobrou, na prática, o produto americano.

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A ameaça de Trump

O risco é que essa fonte também se feche. Em entrevista à Fox News no fim de setembro, o presidente Donald Trump afirmou que o governo americano analisa seriamente proibir as exportações de diesel para conter os preços internos. O secretário de Energia, Chris Wright, disse que o governo busca aumentar a oferta doméstica sem interromper completamente os embarques, com medidas voluntárias junto às refinarias.

Por enquanto, não há medida oficial que suspenda as vendas ao Brasil. Mas a pressão política nos Estados Unidos deve continuar até a eleição legislativa de 3 de novembro. Analistas ouvidos pela Reuters estimam que uma proibição, mesmo parcial, poderia provocar escassez na América do Sul.

Qual é o plano B

A resposta curta é que não há um plano B à altura no curto prazo — tema também abordado pela revista Veja nesta semana. As alternativas existem, mas são parciais.

A Petrobras informou que a carga de outubro já está comprada. A presidente da estatal, Magda Chambriard, disse que a companhia conversa com refinadores indianos, incluindo a Reliance, para diversificar a origem. O governo também avalia ampliar as importações da Índia e aumentar a produção de biodiesel.

O biodiesel, porém, tem limite: a mistura está em 15%, e testes para ir além só devem terminar em fevereiro de 2027. Soluções de longo prazo, como o diesel renovável feito de etanol, só devem entrar em produção no fim da década.

O que o posto deve acompanhar

Outubro está coberto; novembro é a dúvida. O governo garantiu o abastecimento para este mês. A partir de novembro, entram em jogo três decisões: a renovação da proibição russa, a subvenção de R$ 2,12 no diesel, que vence por volta de 27 de outubro, e o rumo da política americana depois da eleição.

Contrato vale mais que preço. O episódio recente do Rio Grande do Sul mostrou que, quando a oferta aperta, quem tem contrato é atendido primeiro. Vale conversar agora com a distribuidora sobre a programação de cargas de novembro.

Documente cada reajuste. Se o custo do importado subir, o repasse é justa causa — desde que a nota da carga comprove. Com a multa por preço abusivo podendo chegar a R$ 500 milhões, a nota é a defesa.

Fontes: dados da ANP, conforme a coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo (08/10/2026), e o Times Brasil; Banco Safra; eixos; Brasil de Fato. Tema também abordado pela revista Veja. Texto autoral Brasil Postos.

Perguntas e respostas

Quanto diesel o Brasil importou em 2026?

Cerca de 9,6 bilhões de litros entre janeiro e agosto, segundo dados da ANP. A Petrobras respondeu por 28% desse volume, cerca de 2,7 bilhões de litros, e a Ipiranga por 14,3%, aproximadamente 1,4 bilhão de litros.

Por que o Brasil precisa importar diesel?

Porque a produção nacional não cobre o consumo. Segundo cálculos do Banco Safra, entre janeiro e agosto o país consumiu cerca de 247 milhões de barris e produziu 193 milhões. A importação cobre cerca de 22% do consumo.

Quanto do diesel importado vem dos Estados Unidos?

Os americanos responderam por 68% das importações de julho e agosto, segundo o Comex Stat. Para outubro, segundo informações de mercado, as encomendas vêm cerca de 80% dos Estados Unidos.

Vai faltar diesel se os EUA pararem de exportar?

Para outubro, o governo e a Petrobras afirmam que o abastecimento está garantido, com a carga já comprada. A incerteza é a partir de novembro. As alternativas em estudo, como a Índia e o biodiesel, são parciais no curto prazo.

O que o posto pode fazer diante desse risco?

Conversar com a distribuidora sobre a programação de cargas de novembro, priorizar contrato de fornecimento em vez de compra pontual e documentar cada reajuste com a nota da carga, para comprovar justa causa em caso de fiscalização.

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