Dados de março da ANP  mostraram que a Ultrapar, dona dos postos Ipiranga, ganhou participação de mercado, enquanto a Vibra encolheu.

Segundo o relatório da ANP, os volumes totais de venda de combustível cresceram 6% em base anual e 9% em base mensal.

Seguindo essa tendência, os volumes de etanol gasolina aumentaram 9% ante o ano passado e 7% no mês enquanto os volumes de diesel tiveram expansão de 1% em base anual e de 14% no mês.

Ultrapar

A participação de mercado de postos sem marca permaneceu praticamente sem alteração em relação a fevereiro. Já nos postos com bandeira, a Vibra perdeu participação de mercado de 1,96 ponto percentual (pp) no mês, enquanto Raízen  e Ipiranga ganharam 0,96 pp e 1 pp, respectivamente.

Os principais ganhos foram observados no mercado de diesel, com a Ipiranga superando seus concorrentes.

Segundo Vicente Falanga e Ricardo França, que assinam nota da Ágora enviada a clientes, o ganho de participação de mercado da Ultrapar em março foi contra as expectativas e motivado por uma tendência que vem ganhando força entre as marcas.

“O consenso do mercado era de que, à medida que a Vibra estivesse importando mais, ganharia mais market share. Esse resultado inesperado pode estar relacionado à estratégia de cashback da Ultrapar, que, a nosso ver, pode estar ganhando força.”, dizem.

Como funciona a estratégia de cashback da Ultrapar

A estratégia de cashback mencionada pelos analistas consiste na devolução de uma parte do valor gasto para o cliente.

A Ultrapar aplica o cashback por meio do programa “Abastece Aí” dos postos Ipiranga, que dá cashback para quem abastece nos postos ou realiza pagamentos no Jet Oil e na AmPm.

No aplicativo do programa, é possível trocar km por cupons para utilizar em lojas parceiras, que também dão cashback ao cliente, sendo que o valor permanece na conta para uso livre, incluindo a possibilidade de transferência para instituições bancárias.

Fonte: https://www.moneytimes.com.br/

Ipiranga aumenta investimentos em 2022 e prevê três novas bases

Distribuidora pretende investir cerca de R$ 1 bilhão este ano, com foco em aumento da rentabilidade

Com foco na recuperação da rentabilidade de seus negócios, a Ipiranga pretende aumentar o orçamento em 2022 e construir novas bases no Ceará, Pará e Goiás. O plano de investimentos da distribuidora de combustíveis, controlada pela Ultrapar, é de R$ 1,022 bilhão para este ano, o que representa um aumento de 26,6% em relação a 2021, quando a companhia investiu R$ 807 milhões.

Ao todo, a distribuidora prevê aportes de R$ 497 milhões na expansão do negócio e mais R$ 524 milhões em manutenção e outros investimentos.

O grupo anunciou ao mercado, nesta segunda-feira (25/4), que o plano de expansão da Ipiranga passa pela otimização da rede, por meio de embandeiramento de postos com maiores volumes de venda; pela expansão da infraestrutura logística, a partir da construção das novas bases de operação em Fortaleza (CE), Marabá (PA) e Rio Verde (GO); e pela expansão das lojas próprias e franquias da AmPm.

Além dos aportes na Ipiranga, a Ultrapar planeja investimentos de R$ 374 milhões na Ultragaz, distribuidora de gás liquefeito de petróleo (GLP), com foco na expansão e requalificação de tanques para novos clientes no segmento granel e na revitalização e abertura de revendas.

Também serão investidos, este ano, R$ 232 milhões na Ultracargo, com destaque para a outorga do terminal de Vila do Conde (PA), expansão da área IQI13 no porto de Itaqui (MA) e renovação do contrato de arrendamento em Santos (SP).

Ultra se concentra na recuperação da Ipiranga

O aumento dos investimentos da Ipiranga não deve se traduzir em grandes operações de aquisições. Em fevereiro, o presidente da Ultrapar, Marcos Lutz, afirmou que o foco da companhia será retomar a rentabilidade da distribuidora — cujas margens ficaram aquém do esperado em 2021.

O grupo Ultra chegou a negociar com a Petrobras, no ano passado, a aquisição da Refinaria Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), do Rio Grande do Sul, mas desistiu das negociações.

A operação seria uma oportunidade de verticalização dos negócios da Ultrapar, que atua na distribuição de combustíveis por meio da Ipiranga e Ultragaz.

“Não vamos fazer uma coisa [aquisição] gigantesca agora. A refinaria era um projeto, mas eu não acho que seria um projeto neste momento que seria bom para o momento que a gente vive, para um momento de taxa de juros que a gente vive e de instabilidade no setor de petróleo e coisas do gênero”, disse a investidores, em fevereiro.

Ao comentar sobre o interesse em entrar no mercado de gás natural, Lutz afirmou, na ocasião, que, embora “interessante”, o setor não oferece “entrada simples”.

Segundo ele, o grupo ficou de fora do leilão da distribuidora gaúcha de gás canalizado, a Sulgás, em 2021, porque não viu no ativo “uma maneira de entrar rentavelmente” no segmento.

O Grupo Ultrapar, dono da rede de postos de combustíveis Ipiranga, colocou o negócio como prioridade para 2022. Dos R$ 1,67 bilhão que o grupo pretende investir neste ano, mais da metade, ou R$ 1,02 bilhão, terão como destino a rede de postos de combustíveis.

Nesta terça-feira (26), o Grupo Ultrapar realizou o seu Investor Day e explicou o que tem feito para atacar os problemas do Ipiranga, uma herança da gestão anterior.

Segundo o CEO do Ipiranga, Leonardo Linden, que assumiu o cargo no ano passado, um dos maiores desafios encontrados no negócio foi a precificação definida com os revendedores da bandeira Ipiranga.

De acordo com ele, os preços estabelecidos com os revendedores estavam fora do padrão.

A empresa acreditava que haveria um aumento da demanda que justificasse um preço maior. A demanda, contudo, não se confirmou e a estratégia de preços se mostrou inconstante, prejudicando os revendedores, que se sentiam inseguros, uma vez que, a cada momento, poderia haver uma nova reprecificação.

Linden destacou que o setor de combustíveis é extremamente sensível aos preços. Segundo ele, cada centavo de mudança na precificação pode ter um impacto de R$ 2 milhões no resultado do negócio. Ou seja, é preciso tomar cuidado para que o tiro não saia pela culatra e acabe prejudicando a empresa.

Em 2021, o Ebitda do Ipiranga foi de R$ 2,01 bilhões. Embora o número represente crescimento em relação a 2020, que ficou positivo em R$ 1,712 bilhão, ainda não chegou ao nível de 2017, quando o Ebitda somou R$ 3,067 bilhões.

A empresa, inclusive, já havia reconhecido esse momento desfavorável na divulgação do balanço do quarto trimestre. Segundo a companhia, mesmo que tenha havido uma melhora das operações do Ipiranga no segundo semestre, o negócio ainda não atingiu os níveis desejados de rentabilidade.

A empresa, para tentar consertar essa situação, mudou a forma como lida com os preços. Em vez de impor uma precificação aos revendedores, “de dentro para fora”, passou a adotar uma dinâmica de decisão “de fora para dentro”.  Isso significa que a empresa estabeleceu preços padronizados e estáveis para manter maior confiança e melhor relacionamento com os revendedores.

No quarto trimestre, o Ipiranga teve um Ebitda de R$ 703,8 milhões, crescimento de 44,36% em relação a igual período do ano anterior, ritmo de expansão que é mais que o dobro do aumento visto no ano todo, de 21%.

Outro ponto que a empresa tem procurado atacar é fazer ajustes na rede de postos, que, na visão da gestão, cresceu de forma desadequada nos últimos anos, como consequência de investimentos feitos com o dinheiro de M&As que não aconteceram.

Em 2016, o Ipiranga chegou a conversar com a Petrobras para a compra da Liquigás, mas a negociação não avançou. Em 2017, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vetou a a aquisição da Alesat, por US$ 2,2 bilhões.

Com as transações frustradas, a empresa direcionou os recursos para expansões que, na visão da gestão atual, não deram retornos consistentes e levaram à necessidade de uma reestruturação.

Segundo Linden, que disse que não quer cometer o mesmo erro, a empresa colocou em andamento um processo de revitalização de 2 mil postos até junho de 2022.

De acordo com ele, os benefícios já estão sendo observados, e os postos que já foram reformados cresceram 4% no volume de vendas.

A ideia, ele disse, é focar na qualidade e não na quantidade. Os resultados, de acordo com o executivo, devem aparecer de forma mais nítida em um período de dois a três anos, a partir de um processo de maturação das mudanças feitas.

Na segunda-feira, quando anunciou os novos investimentos, a empresa explicou que os aportes devem se concentrar na otimização da rede por meio de embandeiramento de postos com maior galonagem, avanço da infraestrutura logística, com novas bases de operação em Fortaleza, Marabá (PA) e Rio Verde (GO), além de expansão de lojas próprias e franquias da rede AmPm.

Em 2021, foram inaugurados mais 250 novos postos, com produtividade média de 342 m³/mês. A rede conta hoje com mais de 7 mil postos. Além disso, a empresa segue líder no segmento de lojas de conveniência, com a AmPm, que tem com cerca de 1,8 mil lojas, sendo 206 lojas por operação própria, 57 a mais que o terceiro trimestre de 2021.

Cautela antes de fazer novas aquisições

Outro ponto de destaque do Investor Day é que o Grupo Ultrapar passou a ter um caixa mais robusto após desinvestimentos nos negócios da Conectcar, Oxiteno e Extrafarma — que permitiram o anúncio do investimento de R$ 1,67 bilhão em operações de expansão e manutenção.

Apesar de não ter planos para aquisições no momento, a empresa não descarta a possibilidade, caso apareça uma boa oportunidade de negócio que seja compatível com a estratégia do grupo.

A empresa, no momento, prefere utilizar parte dos recursos disponíveis para reduzir o custo de capital, por meio da liquidação antecipada das dívidas, dado que a taxa básica de juros tem subido e atingiu o patamar de 11,75% ao ano. A empresa reduziu de 1,5% para 0,6% o custo da dívida em 2021.

A empresa, porém, ainda mantém uma dívida bruta de R$ 18,3 bilhões, que caiu 4,3% em comparação a 2020. Já a dívida líquida fica em torno de R$ 11,69 bilhões e mantém uma alavancagem acima do esperado, de 2,9 vezes, ainda acima do objetivo da empresa, que é estar entre 2 a 2,5 vezes.

Para que seja possível estar preparado para novas oportunidades e reduzir o custo da dívida, é necessário manter o caixa mais flexível, o que levou a empresa a reduzir o porcentual de dividendo mínimo obrigatório.

O payout mínimo da empresa, que antes era de 50%, passou a  ser de 25%. Isso não quer dizer que a empresa pagará menos dividendos para o investidor. Significa que deixará o negócio mais confortável para realizar manobras financeiras com o caixa sem ter essa obrigação com os dividendos.

Nesta terça-feira, as ações da Ultrapar fecharam em queda de 5,67%.

No mercado, a maioria dos analistas tem uma posição neutra em relação à companhia. De acordo com projeções complicadas pela Refinitiv e apresentadas na plataforma do TradeMap, sete dos 11 analistas consultados recomendam “manutenção” do ativo na carteira. Ou seja, não é para comprar nem para vender.

Outros cinco recomendam a compra e apenas um tem uma recomendação de compra forte. A mediana das estimativas aponta para um preço-alvo de R$ 18,05, uma valorização potencial de 35,71%.

Fonte: trademap.com.b

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