ANP terá resolução sobre venda direta de etanol em julho, diz diretor

O diretor da ANP Felipe Kury afirmou nesta terça (18) que a agência trabalha com a perspectiva de publicar em meados de julho a resolução que prevê a possibilidade de produtores de etanol atuarem como um agente comercializador e serem habilitados para a venda direta, sem que sejam submetidos a exigências feitas para distribuidores. Atualmente a medida ainda está em estudo na agência e precisará passar por consultas pública.

A ANP está flexibilizando a resolução para que haja a possibilidade de o produtor ser o agente comercializador”, disse Kury para jornalistas no Rio de Janeiro.

Hoje o produtor já poderia constituir uma distribuidora, porém os requisitos para uma distribuidora envolvem capital de R$ 4,5 milhões e estoques mínimos, uma exigência maior do que nessa figura [do agente comercializador]”, explicou.

A agência não prevê que a liberação vá garantir a redução no preço do etanol. O presidente Jair Bolsonaro disse no domingo (16) que a permissão da venda direta de etanol possibilitaria uma redução de até R$ 0,20 no preço do combustível.

Na semana passada, o presidente desafiou governadores a zerarem a cobrança de ICMS sobre combustíveis e afirmou que o Planalto poderia zerar também os tributos federais. A provocação teve forte reação de governadores e, nesta segunda (17), vinte deles assinaram uma carta em desagravo à postura do presidente.

O diretor da ANP frisou que a logística complexa do setor deve impedir a redução significativa do preço do combustível caso não haja alteração nas alíquotas de impostos. “Essa mecânica está funcionando há muito tempo e se você mexe nessa estrutura precisa ter cuidado com os efeitos colaterais”, disse.

ANP terá resolução sobre venda direta de etanol em julho, diz diretor

Resolução da ANP não define questão tributária

A resolução debatida na ANP não envolve, no entanto, o imbróglio tributário que a permissão para a venda direta levanta. A possibilidade da criação da monofasia no setor depende de uma alteração legislativa, que atualmente envolve o Congresso, Receita Federal e ministérios. Mas a resolução permitirá aos produtores criar um agente para a comercialização, que também recolherá imposto.

O outro ponto, que é o tributário, está sendo tratado no congresso e com a receita federal como tornar esse processo de comercialização mais eficiente”, disse Kury.

Se vai ter monofasia ou não vai ter monofasia é uma discussão da receita federal com o congresso porque depende de uma legislação”, afirmou.

Hoje a possibilidade de permissão para a venda direta é debatida na Câmara dos Deputados, onde um projeto de decreto legislativo (PDC 978/2018) foi aprovado na Comissão de Minas e Energia (CME) em novembro. O texto agora tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A proposta, no entanto, não trata da questão tributária e apenas revoga o trecho de uma resolução da ANP que impedia a venda direta.

Mas enquanto a matéria em debate na Câmara promete desregular a tributação na venda de etanol, o governo segue incapaz de definir uma nova regra para tributar a cadeia. Em dezembro, a epbr mostrou que um impasse envolvendo a Receita e os ministérios da Economia e da Agricultura travou o debate sobre a redação de uma medida provisória que pudesse definir regras de tributação para a venda direta.

Em 2019 o etanol hidratado teve 16% de crescimento no mercado de combustíveis, segundo balanço apresentado nesta terça-feira (18) pela ANP. A agência atribui essa evolução à boa safra da cana.

Greve de petroleiros não impactou abastecimento

Kury afirmou ainda que a ANP ainda não percebe nenhum tipo de impacto no abastecimento de combustíveis por conta da greve dos petroleiros, que já dura 18 dias. De acordo com ele, a Petrobras mantém o abastecimento sob controle através das equipes de contingência.

A regulação exige estoques mínimos que garantam abastecimento de oito a dez dias para combustíveis líquidos e de três a quarto dias para GLP. O prazo exato varia de acordo com a região e a dificuldade logística de abastecimento.

Fonte : EPBR

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