

Ao lidarem com a gasolina, milhares de trabalhadores como ela aumentam suas chances de desenvolverem doenças graves porque ficam expostos ao benzeno, uma substância cancerígena. No entanto, uma medida simples, já proibida por uma lei no Estado do Rio, ajuda a diminuir os riscos: basta o frentista não encher o tanque do veículo acima do automático, quando a própria bomba sinaliza que o tanque está cheio, para evitar a liberação de um vapor com alta concentração de benzeno.
Um estudo inédito desenvolvido pelo Departamento de Química do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC/ PUC-Rio) em parceria com o Laboratório de Toxicologia (Latox) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) mostrou que frentistas apresentaram uma diminuição de leucócitos (células brancas), especialmente os neutrófilos, que são responsáveis pela defesa do organismo, alertando para o risco dos quase 550 mil frentistas de todo o país. As cientistas Adriana Gioda, do CTC/PUC-Rio e Solange Garcia, do LATOX/UFRGS, coletaram amostras do ar de postos do Rio de Janeiro e biológicas (sangue e urina) de frentistas de postos do Rio Grande do Sul para esta análise.

Curso Gerente PRO · Certificado MEC
Forme um líder que engaja a equipe e resolve problemas
Desenvolva liderança, comunicação e gestão de pessoas para construir uma equipe mais autônoma, produtiva e comprometida com o resultado.
12 módulos · 56 aulas · materiais práticos
— Foi possível observar os danos aos sistemas hematológico e imunológicos. Temos milhares de frentistas no país, e a exposição diária pode resultar em anemia, baixa defesa do organismo e, futuramente, em câncer. Esse resultado é para chamar a atenção das autoridades — disse Adriana Gioda.
Ela acredita que os frentistas deveriam usar máscaras no dia a dia para diminuir os riscos, além de passarem por exames clínicos periódicos.
— Ainda falta conscientização porque, mesmo os frentistas alertando, as pessoas ainda pedem para encher o tanque até a boca — alerta.
Valmira participou de um estudo da Fiocruz, no período de 2010 a 2013, e teve amostras do sangue e de urina coletados. Ela não desenvolveu nenhuma doença, mas agora toma mais cuidados em sua rotina de trabalho. Como, atualmente, é gerente de um posto em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, ela orientar colegas e consumidores.
Inteligência artificial para postos
Menos tempo na escala. Mais tempo na gestão.
A escala dos seus frentistas pronta em segundos.
Crie escalas semanais, mensais ou anuais automaticamente, considerando as regras e a demanda da sua operação.
— Foi uma surpresa saber dos riscos e, desde que soube disso, passei a tomar cuidado e não deixo o produto cair na minha pele. Quando vou fazer análises da gasolina uso óculos — afirma Valmira. Outro cuidado que ela tomou foi o de não encostar as flanelas usadas no abastecimento na pele. Anteriormente, ela colocava a flanela que usava para auxiliar o abastecimento no ombro ou no bolso, por exemplo.
No Rio, lei proíbe frentistas de encherem o tanque até a boca – No Estado do Rio, está em vigor desde janeiro deste ano a Lei nº 6.964/14 que proíbe frentistas de abastecerem os veículos além da trava. São 35 mil trabalhadores em todo o estado, e 14 mil na cidade do Rio. Em caso de descumprimento, a multa é de cinco mil Ufirs (R$ 13.550). Contudo, o presidente do Sindicato dos Empregados em Postos de Gasolina (Simpospetro) do Estado do Rio, Eusébio Pinto Neto, afirma que a luta é para que a substância não esteja mais presente no combustível.
— Seria importante conseguir retirar o benzeno da composição da gasolina porque ele é nocivo pra a saúde do trabalhador em qualquer limite. Ele é volátil, e contamina todo o ambiente. Essas medidas como máscaras e não encher o tanque até a boca são paliativos que ajudam. O que também resolveria seria um equipamento de proteção na própria bomba para evitar a evaporação — afirma.
Segundo o sindicalista, no próximo mês haverá uma carreata para alertar os motoristas sobre os riscos de encher os tanques além do limite. Além disso, há mobilizações nacionais para que as doenças oriundas do contato com o benzeno como alergias, anemia e leucemia sejam reconhecidas pelo Ministério da Previdência como doenças ocupacional dessa atividade.
— Várias trabalhadores morreram de leucemia, mas como não têm acompanhamento médico, eles não sabem se adquiriam isso no trabalho. Todos os que trabalham em postos estão expostos. O cliente vai e sai, mas o trabalhador fica oito horas correndo riscos — sintetiza.

Iluminação especializada
Tecnologia LED para o seu posto
Soluções em LED para Postos de Combustíveis
Comunicação visual e iluminação desenvolvidas para destacar a identidade do seu posto.
Tecnologia para tanques
Mais continuidade para o seu negócio
Revitalize os tanques do seu posto sem parar a operação
Conheça a solução de revestimento desenvolvida para renovar e proteger tanques de armazenamento.
Avalie uma alternativa à substituição dos tanques.
Conheça a tecnologia ORO →Acesse o site do anunciante.
Notícias relacionadas
Golpe do cadastro falso leva 3.090 litros de diesel de posto em Ribeirão Preto
17 de setembro de 2026
Posto perde justa causa de frentista que bebeu cerveja no intervalo e pagará R$ 5 mil
2 de setembro de 2026
Técnico morre em poço de posto na Bahia e MPT investiga normas de segurança
30 de agosto de 2026
Gerente presa em fiscalização do Procon será indenizada, e o risco é do empregador
29 de agosto de 2026
O adicional do frentista não para no frentista: o passivo que cresce na folha do posto
27 de agosto de 2026
Arla 32 no bocal errado custa R$ 154 mil a posto e o seguro cobre só R$ 50 mil
19 de agosto de 2026
Fechamento de turno: o controle mais barato do posto e o mais mal aproveitado
18 de agosto de 2026
Líder de Pista pode ser peça-chave para melhorar a gestão dos postos de combustíveis
17 de agosto de 2026
O prejuízo invisível do seu posto pode estar na escala de trabalho
6 de agosto de 2026Não perca nenhuma mudança que afeta o seu posto
Legislação, fiscalização e mercado — o que muda na sua margem, toda semana no seu e-mail.

