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Arla 32 no bocal errado custa R$ 154 mil a posto e o seguro cobre só R$ 50 mil

Bocais de abastecimento de diesel e de Arla 32 lado a lado em veículo utilitário

Perícia apontou duas falhas no atendimento, o seguro cobriu menos de um terço da conta e o resto saiu do caixa do estabelecimento

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Um posto de combustíveis de Camapuã, no Mato Grosso do Sul, foi condenado a pagar R$ 154.893,20 a um motorista depois que um frentista colocou Arla 32 no bocal do tanque de diesel de um Jeep Commander. A sentença, proferida pelo juiz Felipe Brigido Lage, da 2ª Vara Cível e Criminal, fixou R$ 139.893,20 em danos materiais e R$ 15 mil em danos morais.

O caso interessa a quem opera posto por um motivo específico: nenhuma das falhas apontadas exigia má-fé, equipamento defeituoso ou situação excepcional. Todas cabem numa rotina comum de pista, em qualquer turno movimentado.

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O episódio ocorreu em 10 de junho de 2023. Segundo o processo, o motorista viajava de Campo Grande para Ponta Porã quando parou no estabelecimento para abastecer o Jeep Commander Limited TD380 com Arla 32. O veículo tinha cerca de 20 mil quilômetros rodados e ainda estava no período de garantia.

O cliente pediu o abastecimento com Arla 32 e estacionou próximo à bomba destinada ao produto. Enquanto o frentista realizava o serviço, ele se afastou por alguns instantes para buscar água, deixando o motor ligado para que os familiares permanecessem no carro com o ar-condicionado funcionando. Durante o atendimento, o Arla 32 foi colocado no bocal do tanque de diesel.

O veículo desligou sozinho logo depois e passou a indicar no painel a presença de impureza no sistema de combustível. Conforme relatado no processo, o frentista não teria informado de imediato que o produto fora colocado no reservatório errado. Ainda segundo o autor, foi sugerido completar o tanque com óleo diesel, na tentativa de diluir aquilo que, naquele momento, era tratado como possível impureza.

O Jeep foi levado a uma concessionária, onde se constataram danos de grande proporção no motor. A perícia concluiu que a entrada de Arla 32 no sistema destinado ao diesel provocou calço hidráulico.

As duas falhas que o laudo identificou

O laudo pericial apontou duas falhas no atendimento. A primeira foi o abastecimento com o motor do veículo ligado. A segunda, considerada determinante para os danos, foi a colocação do Arla 32 no bocal destinado ao óleo diesel.

Vale parar no primeiro item. Abastecer com motor ligado é procedimento vedado e conhecido por qualquer profissional de pista — e, ainda assim, acontece todos os dias em postos do país inteiro, normalmente com a justificativa do ar-condicionado, da pressa ou do cliente que pede. Neste caso, essa prática rotineira apareceu num laudo pericial, num processo judicial, como falha atribuída ao estabelecimento.

Ao analisar as provas, o magistrado concluiu que houve falha na prestação do serviço e afastou a responsabilidade do motorista pelo prejuízo. Registrou na sentença que o abastecimento do reagente no bocal destinado ao tanque de combustível “provocou graves problemas mecânicos no motor”, com danos de grande monta.

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A maior parcela corresponde ao conserto: R$ 125 mil gastos com os reparos na concessionária. Entraram também R$ 5.040 de aluguel de outro veículo durante o período em que o Jeep ficou indisponível e R$ 9.853,20 relativos à produção antecipada da prova pericial. Somados, os danos materiais chegaram a R$ 139.893,20.

Os R$ 15 mil de danos morais foram fixados por dois motivos que merecem atenção: o motorista ficou mais de seis meses sem utilizar o veículo e não recebeu do posto assistência suficiente para reduzir os prejuízos. Pesou ainda o fato de o consumidor ter precisado recorrer à Justiça primeiro para produzir a prova pericial e depois para buscar a indenização.

Ou seja: parte da condenação não decorre do erro em si, e sim de como o posto lidou com ele depois. Erro de frentista acontece; a diferença entre um problema caro e um problema muito caro está na resposta que vem em seguida.

O seguro cobriu menos de um terço

Uma seguradora incluída no processo foi condenada solidariamente pelos danos materiais, mas com responsabilidade limitada a R$ 50 mil, valor máximo previsto na apólice aplicável ao caso. Os R$ 15 mil de danos morais ficaram exclusivamente com o posto.

Faça a conta: de R$ 154.893,20, o seguro respondeu por R$ 50 mil. Os outros R$ 104.893,20 saíram do caixa do estabelecimento — por um erro cometido em poucos segundos de atendimento.

Esse é o ponto que mais merece revisão imediata em qualquer posto. Muito revendedor contrata seguro de responsabilidade civil e assume que está coberto, sem verificar o limite por sinistro. Um único abastecimento errado em veículo de maior valor consome o teto da apólice com folga — e veículos com sistema de Arla, justamente os que mais frequentam a pista de diesel, costumam estar na faixa de preço em que o conserto de motor passa dos R$ 100 mil.

O que revisar na sua operação

O limite da sua apólice, por sinistro. Não o valor total contratado: o teto por evento. Se estiver abaixo de R$ 150 mil, converse com o corretor. É o item mais barato de corrigir nessa lista e o que mais protege o caixa.

A regra do motor desligado, sem exceção. Inclusive quando o cliente pede o contrário. O laudo desse processo transformou uma concessão rotineira em falha reconhecida judicialmente. Cabe treinar a equipe também na frase que se diz ao cliente — recusar o pedido é mais fácil quando se sabe como dizer.

A confirmação em voz alta antes de encaixar o bico. Arla e diesel dividem a mesma pista, atendem o mesmo veículo e são pedidos pelo mesmo cliente. Repetir o produto e o bocal antes de iniciar leva dois segundos e é a única barreira que existe entre o pedido e o erro.

O procedimento para quando o erro acontecer. Este é o item que quase ninguém tem, e foi o que agravou a condenação. A equipe precisa saber que deve comunicar imediatamente, não ligar o veículo em hipótese alguma, não tentar diluir o produto e acionar a gerência na hora. Tentar resolver por conta própria transformou um problema de contaminação em calço hidráulico.

A postura depois do erro. Assistência imediata ao cliente reduz dano, reduz desgaste e, como esse caso demonstra, reduz condenação. Os R$ 15 mil de danos morais foram fixados em boa parte pela ausência dessa assistência e pela necessidade de o consumidor buscar a Justiça duas vezes.

Vale registrar que a decisão é de primeira instância e cabe recurso. A reportagem acompanha os desdobramentos e atualizará conforme novos fatos.

Fonte: Campo Grande News (18/08/2026), por Ângela Kempfer — ver matéria original. Texto autoral Brasil Postos com base no conteúdo original.

Perguntas e respostas

Quanto o posto foi condenado a pagar?

R$ 154.893,20 no total, sendo R$ 139.893,20 em danos materiais e R$ 15 mil em danos morais. Os danos materiais incluem R$ 125 mil de conserto na concessionária, R$ 5.040 de aluguel de outro veículo e R$ 9.853,20 da produção antecipada da prova pericial.

O que acontece se colocar Arla 32 no tanque de diesel?

O Arla 32 não é combustível e não deve ser misturado ao diesel. Tem reservatório próprio e atua no sistema de escapamento, reduzindo a emissão de óxidos de nitrogênio. Colocado no tanque de combustível pode causar danos sérios: neste caso, a perícia concluiu que provocou calço hidráulico no motor.

Quais falhas a perícia apontou no atendimento?

Duas. A primeira foi o abastecimento realizado com o motor do veículo ligado. A segunda, considerada determinante para os danos, foi a colocação do Arla 32 no bocal destinado ao óleo diesel. O juiz concluiu que houve falha na prestação do serviço e afastou a responsabilidade do motorista.

O seguro do posto cobriu o prejuízo?

Apenas em parte. A seguradora foi condenada solidariamente pelos danos materiais, mas com responsabilidade limitada a R$ 50 mil, teto previsto na apólice. Os R$ 15 mil de danos morais ficaram exclusivamente com o posto. Na prática, mais de R$ 104 mil saíram do caixa do estabelecimento.

Por que o posto pagou também por danos morais?

Segundo a sentença, porque o motorista ficou mais de seis meses sem utilizar o veículo e não recebeu do posto assistência suficiente para reduzir os prejuízos. Pesou ainda o fato de o consumidor ter precisado recorrer à Justiça primeiro para produzir a prova pericial e depois para buscar a indenização.

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