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Dona da Rede Mime, Agricopel investe R$ 245 milhões e concentra negócios
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Dona da Rede Mime, Agricopel investe R$ 245 milhões e concentra negócios 

O grupo catarinense vendeu a divisão de transporte, saiu da conveniência e concentrou capital em postos e no Arla 32. Foco e sucessão são a lição para o revendedor.

O grupo catarinense Agricopel, de Jaraguá do Sul e dono da Rede Mime de postos, apostou em foco para crescer: nos últimos três anos investiu R$ 245 milhões, vendeu a divisão de transportes e concentrou o negócio em duas frentes — a rede de postos em Santa Catarina e a Bioar, sua indústria de Arla 32, hoje líder nacional no produto. À frente da estratégia está Ana Clara Franzner Chiodini, da segunda geração da família, que assumiu como CEO.

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A lógica declarada pela empresa é de simplificação. Segundo a CEO, a operação de transporte “exigia investimentos e gestão em uma dinâmica diferente dos demais negócios” e, ao vendê-la, o grupo redirecionou capital e capacidade de execução para as áreas de maior potencial. Além do transporte, a Agricopel saiu do Ponto Mime, enxugando o portfólio para focar no que domina.

Os números dão a dimensão. A Rede Mime tem 65 postos em 30 cidades catarinenses e atende mais de 17 milhões de clientes por ano; só em 2026 abriu unidades em Florianópolis, Palhoça e Criciúma, depois de comprar sete postos em Blumenau em 2025. O grupo tem 2,4 mil colaboradores diretos, atua em oito estados e, embora não divulgue faturamento por ser de capital fechado, informa receita bruta bilionária.

O que o revendedor tira da estratégia de foco



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A decisão mais instrutiva não foi comprar, foi vender. Ao se desfazer do transporte e da conveniência Ponto Mime, a Agricopel fez o que muito posto tem dificuldade de fazer: cortar o que consome caixa e atenção sem ser o core do negócio. Para o revendedor, a leitura é direta — nem toda diversificação gera valor. Um braço que exige gestão especializada e não conversa com a operação principal pode drenar mais do que soma.

O contraponto de rigor: foco só funciona quando o que sobra é forte. A Agricopel concentrou em dois negócios que domina e nos quais tem escala — revenda e Arla. Antes de copiar o movimento, o dono de posto precisa saber qual é o seu core de verdade e se ele aguenta carregar o resultado sozinho.

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Arla 32: a diversificação que faz sentido na cadeia

A outra aposta do grupo é vertical e ligada ao próprio setor: a Bioar, indústria de Arla 32, alcançou a liderança nacional e agora expande no Sudeste, com uma nova unidade no Sul de Minas Gerais — região de forte frota pesada e logística. A empresa já tem fábrica e distribuição em sete estados.

Para o posto, o Arla 32 é um produto de giro crescente com a frota a diesel — e o caso Bioar mostra a diferença entre vender Arla e controlar a cadeia do Arla. O revendedor não vai virar fabricante, mas pode tratar o Arla com o mesmo rigor de margem e de abastecimento que dá ao combustível, em vez de deixá-lo como item secundário na pista.

Sucessão e crescimento por aquisição: dois temas de fundo

Dois pontos passam despercebidos na manchete e valem para o revendedor familiar. O primeiro é a sucessão: a rede está sob comando da segunda geração, com a CEO defendendo eficiência operacional, controle de despesas e desenvolvimento de pessoas como base do resultado. Preparar quem assume é decisão de longo prazo que a maioria dos postos adia. O segundo é o crescimento por aquisição — comprar sete postos de uma vez, como em Blumenau, é uma via de expansão diferente de construir do zero, com riscos e ganhos próprios.

A leitura da casa: o caso Agricopel é um bom espelho para quem opera posto pensando grande. Foco no que gera valor, disciplina de custo e sucessão planejada valem tanto para uma rede de 65 unidades quanto para o posto único que quer virar dois. A reportagem acompanha os desdobramentos e atualizará conforme novos fatos.

Perguntas e respostas

Vale a pena ter uma rede de postos em vez de um posto só?

Depende de foco e escala. O caso Agricopel mostra que rede se sustenta quando o grupo domina poucos negócios e corta o que consome caixa sem ser o core. Antes de expandir, o dono precisa saber se a operação principal aguenta carregar o resultado e se há gestão para padronizar várias unidades.

É melhor construir um posto novo ou comprar postos que já existem?

São caminhos diferentes. Comprar unidades em operação (como os sete postos adquiridos em Blumenau) acelera o crescimento e já traz fluxo de clientes, mas exige diligência sobre passivos, contratos e reforma. Construir do zero dá controle total do projeto, porém com CAPEX e tempo de maturação maiores.

O que é foco de portfólio e por que uma rede vende operações lucrativas?

Foco de portfólio é concentrar capital e gestão no que gera mais valor. A Agricopel vendeu o transporte e saiu da conveniência Ponto Mime para direcionar energia a postos e Arla. A lição para o revendedor: nem toda diversificação soma — um braço que exige gestão especializada e não conversa com a pista pode drenar mais do que rende.

Vender Arla 32 no posto dá retorno?

O Arla 32 é um produto de giro crescente com a frota a diesel, especialmente em rota de caminhão. O caso da Bioar mostra a diferença entre apenas vender e controlar a cadeia do produto; o revendedor não vira fabricante, mas ganha ao tratar o Arla com o mesmo rigor de margem e abastecimento que dá ao combustível, em vez de deixá-lo como item secundário.

Como preparar a sucessão familiar em um posto ou rede?

Sucessão é decisão de longo prazo, não de emergência. Na Agricopel, a segunda geração assumiu defendendo eficiência operacional, controle de despesas e desenvolvimento de pessoas. Para o posto familiar, preparar quem assume — com formação, autonomia gradual e processos documentados — reduz o risco de ruptura na troca de comando.

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