
O desenvolvimento do sistema botton loading de carregamento e descarregamento de combustíveis teve início na década de 1940 pela indústria da aviação nos EUA. Em meados de 1967 o American Petroleum Institute (API) publicou a norma API RP1004 com recomendações práticas visando instituir a padronização para terminais, transportadores e postos de serviços.
Conforme explica Marcelo Varricchio, gerente de vendas da OPW C&I/CT, empresa que, entre outros equipamentos, produz as válvulas e outras peças para esse sistema, uma das grandes vantagens deste reside na rapidez do carregamento nas bases de distribuição, aproximadamente 15 minutos por caminhão, contra demora entre 30 minutos e uma hora pelo sistema top (tradicional, em que o processo é feito pelas bocas de visita, em cima dos tanques). Isso acontece porque com essa tecnologia até quatro compartimentos recebem produtos ao mesmo tempo, diferentemente do que ocorre no sistema convencional.

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Mas, como complementa Fernando Henrique Miranda, supervisor de projetos da Vlados Ind. de Válvulas, também reduz os custos de implantação das plataformas das bases, a possibilidade de acidentes (já que o operador não precisa subir no caminhão), impede o transbordamento (por meio de sensores no topo dos tanques) e, por ser um sistema fechado, em que o combustível é “injetado” nos tanques do caminhão-tanque por pressão, por meio de válvulas localizadas na parte inferior destes, também possibilita a recuperação de vapores.
Uma vez concluído o carregamento nos terminais, a válvula de carga e descarga de cada compartimento, assim como a trava das válvulas do fundo dos tanques e das bocas de visita, recebe um lacre numerado, com a identificação da distribuidora. Se o veículo de transporte é um bitrem, lacres correspondentes a cada um dos compartimentos também estarão presentes nas travas do sistema presentes na caixa de comando do veículo.
O botton loading começou a ser introduzido no Brasil nos anos 80 e, embora largamente utilizado, ainda convive com o sistema convencional.
Aqui, o passo a passo do processo de descarga em um posto, que recebeu três combustíveis diferentes, de quatro compartimentos dos dois tanques de um bitrem, num total de 30 mil litros de produtos. O tempo total entre a chegada do caminhão ao posto e sua saída dura, em média, 40 minutos.
1 – Inicialmente são tomadas as precauções de praxe, como a desocupação da área para o posicionamento correto do caminhão-tanque, o isolamento do espaço com cones de proteção e avisos de segurança, a colocação de extintor para líquidos inflamáveis em local próximo e a realização do aterramento do caminhão. Um detalhe importante: primeiro, o cabo deve ser colocado no ponto de aterramento e, depois, conectado ao caminhão. São, então, conferidos pelo gerente os dados da nota fiscal e do laudo de qualidade emitidos na base ou terminal de distribuição dos respectivos combustíveis.
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2 – O gerente do posto apresenta ao motorista do bitrem o relatório de monitoramento eletrônico dos tanques do estabelecimento que serão carregados, de forma a assegurar que há espaço suficiente para a descarga e que não há risco de transbordo.
3 – Depois dessa etapa, o passo a seguir é romper o lacre e abrir a válvula de fundo dos compartimentos do caminhão-tanque.
4 – Em seguida, os demais lacres são rompidos pelo motorista diante do gerente e suas identificações checadas. A abertura das válvulas tic-tac da caixa de comando liberam o destravamento das bocas de visita (também seladas por lacres) no topo do caminhão e das válvulas botton (também chamadas válvulas API) de cada compartimento a ser esvaziado.
5 – Pelas bocas de visita, um frentista ou o próprio gerente realiza a inspeção dos volumes de cada compartimento que será descarregado. No caso de indicadores multissetas, três setas, instaladas na vertical no interior de cada reservatório, registram diferentes volumes: a que está mais baixa, 4,8 mil litros; a do meio, 4,9 mil litros; e a mais próxima da abertura, 5 mil litros. Mas, dependendo do modelo, pode haver apenas uma seta.
6 – Alexandre Gonçalo, técnico mecânico e gerente de produção da Tanques São José, que produz tanques para combustíveis e instala nestes o sistema botton loading fornecido por distintos fabricantes, explica que, diferentemente do método convencional, essa medição leva em conta o volume armazenado em todo o sistema, incluindo dutos, conexões e a válvula de descarga propriamente dita, que podem conter de 20 a 50 litros, aproximadamente. Ele destaca que no fundo de cada compartimento há uma válvula de segurança (que é a válvula de fundo) que, em caso de acidente que comprometa as peças externas, ou de vazamento nesses equipamentos, impede o escoamento do conteúdo do reservatório; somente o combustível que está na parte externa do conjunto será perdido. Cabe ao Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-SP, nesse caso) a responsabilidade pela aferição desse sistema.
7 – A seguir, o gerente e o motorista conferem os dados do combustível que está no reservatório do caminhão e do tanque que receberá o produto (para que, por exemplo, um carregamento de gasolina não seja despejado num tanque de etanol). Na boca do tanque do posto é colocado o “cachimbo” que será conectado com a mangueira. Em seguida, a válvula botton do respectivo compartimento tem seu lacre rompido e recebe um adaptador, que será acoplado à mangueira que levará o produto até o tanque do posto. Para dar início ao processo, a válvula é aberta manualmente.
8 – Parte dos fabricantes de válvulas, cachimbos e adaptadores, como a Vlados, dotam esses equipamentos de visores e até de hélices internas, que permitem aos operadores do sistema verificar a presença de produto nas válvulas botton, antes do início da descarga, e acompanhar o fluxo do descarregamento.
9 – A descarga de um compartimento de 5 mil litros de etanol ou de gasolina – que é feito naturalmente pela força da gravidade – leva entre cinco e seis minutos. Para o diesel, que é mais denso, esse tempo é ligeiramente maior. O processo de descarga pode ser realizado em até dois compartimentos ao mesmo tempo. Embora o sistema permita mais operações concomitantes, estas não são recomendadas pelas distribuidoras, para evitar erros.
10 – Esgotado o reservatório, um balde é colocado sob a válvula para recolher o que ainda sobrou de combustível, a mangueira é desconectada nesse ponto e esvaziada dentro do tanque do posto. O mesmo processo, de coleta, com balde, do que restou no reservatório é repetido com a abertura da válvula correspondente instalada do outro lado do caminhão, o qual pode estar estacionado em desnível. Após essa etapa, o respectivo tanque do posto é fechado. Os compartimentos do caminhão-tanque não são dedicados a um ou a outro combustível e, com essa prática, a mistura do restante de um produto com o que será transportado posteriormente é mínima.
11 – Os testes de qualidade são efetuados, de forma a comprovar o que está nos laudos emitidos na base de distribuição. Uma amostra-testemunha de cada reservatório é, então, retirada e conservada no posto, em recipiente apropriado, para qualquer eventualidade.
12 – Encerrado o descarregamento, mangueiras são acondicionadas em compartimento próprio ao lado dos tanques do bitrem, são retirados todos os apetrechos de segurança da área de descarga e os freios do caminhão são liberados.
Algumas informações adicionais:
A abertura da chave tic-tac, que libera as válvulas dos compartimentos dos tanques, trava automaticamente os freios do veículo, que só poderá ser movimentado após a conclusão do descarregamento, com o fechamento desse dispositivo.
Nem todos os veículos possuem válvula antitransbordamento e sensores que indicam que os reservatórios estão vazios. Quando existentes, a situação destes últimos é sinalizada por meio de luzes coloridas no painel de controle.
Fonte- Revista Posto de Observação ed 356

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