Últimos Eventos

A volta do carro a álcool e o avanço do caminhão a hidrogênio
Combustíveis

A volta do carro a álcool e o avanço do caminhão a hidrogênio 

De um lado, o etanol volta com carros só a álcool e incentivo fiscal; de outro, a China testa o caminhão a hidrogênio. Uma é oportunidade perto, a outra é sinal distante.

Duas notícias da semana apontam para o mesmo tema por caminhos opostos: o que vai mover os veículos que abastecem no seu posto. No Brasil, o carro movido só a etanol — que parecia peça de museu desde a chegada do flex — voltou às lojas com apoio de incentivo fiscal. Do outro lado do mundo, a China avançou em um caminhão pesado movido a hidrogênio. São horizontes bem diferentes: um é oportunidade de curto prazo na sua pista; o outro, um sinal distante.

Receba as principais notícias do setor no seu e-mail
Mudanças que afetam a gestão do seu posto, toda semana.


O gancho do etanol tem nome: a Chevrolet resgatou o carro movido só a álcool na linha 2027, com o Onix Eco Turbo (hatch, R$ 103.190) e o Onix Plus Eco Turbo (sedã, R$ 106.990) — um corte de até 7,8% ante as versões turbo flex equivalentes. O motivo é fiscal: até então, só as versões aspiradas e manuais tinham IPI isento; pela etiquetagem do Inmetro, um carro a etanol conta como emissão zero de CO₂ por quilômetro, o que estendeu o benefício ao turbo automático. A GM saiu na frente de VW e Stellantis, que também devem resgatar o motor a álcool.

Já o caminhão a hidrogênio veio da chinesa FAW Jiefang: o motor de combustão a hidrogênio CA6HV3 recebeu certificação ambiental e completou 100 mil quilômetros de testes em um caminhão de até 49 toneladas, sob calor, frio extremo e subidas com carga. É um avanço técnico real — mas a própria fabricante não deu prazo de produção em escala, e não há previsão de venda no Brasil, onde a adoção dependeria de homologação, preço e, principalmente, de onde abastecer hidrogênio.

O etanol de volta: oportunidade que já está na sua pista



Mentoria Posto Milionário — Brasil Postos

Mentoria · Brasil Postos

Mentoria Posto Milionário

Precificação, margem e decisão de investimento — com quem já fez a conta no balcão.

Saiba mais →

Para o revendedor, o retorno do carro a álcool é a notícia que rende agora — mas é preciso ler o motivo certo. O apelo do Onix Eco não é economia de combustível: é preço de compra, puxado pelo incentivo fiscal. Tanto que, no próprio Onix, o consumo do flex e o do só-a-álcool são quase iguais — 10,9 km/l no flex contra 11,1 km/l na versão a etanol, em ciclo rodoviário, sem mudança mecânica, só calibração.

Especialistas ouvidos pelo UOL reforçam o ponto. Para Renato Romio, do Instituto Mauá de Tecnologia, catalisador, peso e mecânica pensada também para a gasolina deixaram os carros modernos “gastões” e difíceis de tornar econômicos. Fernando Henrique Ribeiro dos Santos, especialista em calibração, explica que os carros atuais já rodam com mistura fixa de 9 partes de ar para 1 de etanol — então o só-a-álcool corrige a mistura menos vezes que o flex, com ganho pequeno. A pergunta que o UOL levanta — se dá para repetir marcos como os 18,32 km/l de um Gol a etanol numa competição de 520 taxistas em São Paulo, em 1982 — esbarra justamente nisso.

Onde isso vira oportunidade para o posto? No volume, não na eficiência. Cada carro que sai da loja rodando só a etanol é um cliente que vai abastecer obrigatoriamente com hidratado — e, quanto mais desses carros nas ruas, mais o produto gira na sua pista. O que decide se o motorista abastece satisfeito é a velha regra de bolso: o etanol compensa quando custa até 70% do preço da gasolina. O papel do posto é comunicar essa paridade com clareza e garantir o produto disponível. A oferta ajuda: a produção brasileira de etanol é abundante, na casa dos 36 bilhões de litros por ano, puxada também pelo etanol de milho.

Publicidade

O hidrogênio: sinal para ler, não alarme para soar

O caminhão a hidrogênio da China é importante, mas precisa ser lido no tempo certo. O que a FAW mostrou foi viabilidade técnica — certificação e durabilidade —, não um cronograma comercial. Não há data de produção em escala, nem preço, nem previsão de chegada ao Brasil, e a maior barreira é a mesma que os próprios leitores do setor apontam: de onde viria o hidrogênio, em volume e a preço competitivo.

Para o posto de rodovia, que vive do diesel, a mensagem é de horizonte, não de urgência. O diesel segue no centro do transporte pesado por muitos anos, e qualquer transição para hidrogênio exigiria uma infraestrutura de abastecimento que ainda não existe. O erro seria duplo: entrar em pânico com uma tecnologia distante, ou ignorar por completo a direção para onde o setor global aponta. O acerto é acompanhar, sem desviar capital do que dá resultado hoje.

Onde colocar a energia (e o dinheiro) agora

Juntando as duas pontas, a prioridade do revendedor fica clara. O etanol é a jogada de curto prazo: prepare a pista para a demanda que volta com os carros a álcool — preço competitivo do hidratado, comunicação da paridade de 70% e disponibilidade garantida. O hidrogênio é a jogada de leitura: acompanhe, entenda, mas não reorganize o negócio por causa de um caminhão que ainda não tem data para sair da China.

A leitura da casa: o futuro do combustível não é um evento, é uma transição — e ela tem camadas. A de baixo, o etanol, você opera hoje e ela mexe na sua margem já. A de cima, o hidrogênio, você observa para não ser pego de surpresa lá na frente. Foco no que gera caixa agora, olho no que vem depois. A reportagem acompanha os desdobramentos e atualizará conforme novos fatos.

Perguntas e respostas

Vale a pena investir em etanol no posto com a volta do carro a álcool?

Tende a valer onde há oferta e preço competitivo de hidratado. Cada carro só a etanol abastece obrigatoriamente com álcool, o que aumenta o giro do produto na pista; o cuidado é garantir que o hidratado fique abaixo de 70% do preço da gasolina, faixa em que ele compensa para o motorista.

Carro só a álcool economiza mais que o flex?

Quase não. No próprio Onix, o consumo é de 10,9 km/l no flex e 11,1 km/l na versão só a etanol, em ciclo rodoviário — diferença mínima, já que não há mudança mecânica, apenas de calibração. O apelo do carro a álcool hoje é o preço de compra, favorecido por incentivo fiscal, e não a economia de combustível.

Quando o etanol compensa em relação à gasolina?

Como o motor a etanol consome mais por quilômetro que a gasolina, a regra prática para o motorista é: o hidratado compensa quando custa até 70% do preço da gasolina. Acima disso, a gasolina fica mais econômica.

Quanto custa o Onix Eco e por que ele é relevante para o posto?

Na linha 2027, o Onix Eco Turbo (hatch) sai por R$ 103.190 e o Onix Plus Eco Turbo (sedã) por R$ 106.990, com corte de até 7,8% ante as turbo flex equivalentes. É relevante porque sinaliza o retorno dos carros só a álcool — e, com eles, mais demanda por hidratado na pista.

O caminhão a hidrogênio vai substituir o diesel no Brasil?

Não no curto prazo. O motor a hidrogênio da chinesa FAW passou em testes, mas não tem data de produção em escala nem previsão de venda no Brasil, e faltaria infraestrutura de abastecimento de hidrogênio. O diesel segue central no transporte pesado por muitos anos.

O posto precisa se preparar para hidrogênio agora?

Não. O momento é de acompanhar a tecnologia, não de investir. A prioridade de curto prazo é capturar a demanda de etanol que volta com os carros a álcool; o hidrogênio é um movimento de horizonte, ainda sem infraestrutura nem prazo comercial definido.

Fontes: UOL Carros — Novos carros 100% a álcool podem voltar a ter consumo recorde dos anos 80? (Guilherme Menezes) — e ClickPetróleoeGás, a partir de anúncio da FAW Jiefang sobre o motor a hidrogênio CA6HV3.

Produtos em destaque na Loja Brasil Postos

Teste Fácil Aldeído para Arla 32

Teste Fácil Aldeído para Arla 32

R$ 300,00

COMPRAR

 

Bomba de Drenar Tanque Kit 4,5m

Bomba de Drenar Tanque — Kit 4,5m (ANP 968)

Ver preço →

COMPRAR

 

Caderno de Controle de Drenagem ANP 968

Caderno de Controle de Drenagem (ANP 968)

Ver preço →

COMPRAR

 

Ver todos os produtos na Loja Brasil Postos →

Brasil Postos

Clube Brasil PostosTroque experiência com outros donos de posto e fique por dentro do que está mudando no setor.

Entrar no grupo

Produtos que você pode gostar

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

Os campos obrigatórios estão marcados como *