Pesquisa aponta que a maioria das redes enfrenta gargalo para repor diesel, e a dependência de importação deixa o combustível exposto a câmbio e tensão internacional.
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O preço do diesel disparou mais de 21% em menos de dois meses, e os postos já sentem o efeito na prática. Pesquisa da Edenred Mobilidade aponta que 7 em cada 10 redes de postos enfrentam dificuldade para repor o estoque do combustível. O levantamento ouviu 37 redes, que somam 585 unidades em diferentes regiões do país.
Segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), entre o fim de fevereiro e o fim de março de 2026 o diesel comum subiu 21,75%, de R$ 6,25 para R$ 7,61 por litro, enquanto o diesel S-10 avançou 23,76%, de R$ 6,23 para R$ 7,71. No mesmo período, a gasolina subiu 7,45% e o etanol teve alta mais moderada, de 2,73%. O principal problema relatado por 70% dos entrevistados foi garantir disponibilidade do produto para venda.
“Quando há uma disparada nos combustíveis fósseis, especialmente no diesel e na gasolina, o etanol ganha espaço em várias regiões.”
— Vinicios Fernandes, Edenred
O cenário é mais sensível no diesel porque o Brasil ainda importa cerca de 25% do que consome, o que torna o combustível mais exposto a oscilações de petróleo, câmbio, frete marítimo e tensões internacionais. Com a gasolina subindo mais que o etanol, o biocombustível ficou mais competitivo em várias praças, observando a regra prática dos 70%.
Fonte: Transporte Moderno (dados do IPTL/Edenred) | Ler matéria original
Resumo Executivo
O diesel comum acumulou alta de 21,75% e o S-10, de 23,76%, entre fim de fevereiro e fim de março de 2026, segundo o IPTL/Edenred. Mais grave que o preço: 70% das redes ouvidas relatam dificuldade para repor o estoque do produto.
A causa de fundo é a dependência de importação (cerca de 25% do diesel consumido), que expõe o combustível a câmbio, petróleo e crises geopolíticas. Com a gasolina subindo mais que o etanol, o biocombustível ganhou competitividade em várias regiões.
Para o revendedor, o duplo desafio é claro: garantir abastecimento e proteger a margem em cenário volátil. Em desabastecimento, quem tem caixa, relacionamento com a distribuidora e disciplina de compra leva vantagem. Operar “no susto” custa mais caro e vende menos.
Análise de Gestão
Visão do Especialista · Pontos de atenção e riscos operacionais
Tendência de Custo (CIF)
A alta do diesel é puxada por câmbio e petróleo, com o Brasil importando cerca de 25% do consumo. Enquanto a tensão internacional persistir, o custo de aquisição tende a oscilar para cima. O revendedor precisa monitorar Brent, dólar e os subsídios federais ao diesel para antecipar movimento de compra.
Oferta e Abastecimento
O dado mais crítico não é o preço, é a disponibilidade: 70% das redes têm dificuldade de repor diesel. Ruptura de estoque significa cliente perdido e, em rodovia, perda de fidelidade do caminhoneiro. Garantir a reposição vira prioridade operacional acima da disputa por centavo de margem.
Estratégia de Estoque
Em cenário de risco de ruptura, manter o tanque longe do limite mínimo é defesa, não luxo. Quem tem caixa pode negociar reposição com antecedência e evitar comprar no pico. O desabastecimento pontual premia quem planeja e penaliza quem deixa para a última hora.
Posicionamento de Preço e Margem
Com a gasolina subindo mais que o etanol, o biocombustível ficou competitivo em várias regiões — oportunidade para o posto orientar o cliente flex e girar etanol. No diesel, o foco é não vender com prejuízo: repassar o custo real, sem reter margem de forma a perder o caminhoneiro para o concorrente.
Conformidade e Tributação
Crise de preço atrai oportunista e combustível de origem duvidosa. O revendedor sério deve recusar oferta “milagrosa” de diesel barato sem procedência, que costuma vir com risco fiscal e de qualidade. Nota fiscal com origem clara protege o posto na alta e na fiscalização.
Plano de Ação Imediata
Tomada de decisão · 4 frentes para agir esta semana
01 · Frente de Compra
Garantir reposição antecipada
Falar com a distribuidora para assegurar previsibilidade de entrega de diesel e não deixar o estoque chegar ao limite. Com caixa disponível, programar compra para evitar o pico e a ruptura. Recusar oferta de diesel sem procedência, por mais tentador que seja o preço.
02 · Frente de Pista
Orientar o cliente flex para o etanol
Treinar a equipe para aplicar a regra dos 70% e indicar o etanol quando vantajoso. Isso ajuda o cliente, gira o produto competitivo e alivia a pressão sobre a venda de gasolina e diesel no momento de alta.
03 · Frente Financeira
Proteger caixa e capital de giro
Reforçar caixa para sustentar reposição em cenário caro. Acompanhar diariamente custo de aquisição e ajustar preço de pista com agilidade, sem reter margem a ponto de perder o caminhoneiro. Em crise, liquidez é vantagem competitiva.
04 · Frente de Marketing e Vendas
Comunicar disponibilidade ao caminhoneiro
Em tempo de ruptura, “tem diesel” é argumento de venda. Sinalizar disponibilidade e serviços ao caminhoneiro (estacionamento, banho, alimentação) fideliza quem precisa rodar. O posto que não falta abastecimento vira parada de confiança na rota.
Diretriz Final
A alta do diesel é menos sobre preço e mais sobre garantir abastecimento sem comprometer o caixa. A diretriz é assegurar reposição antecipada, recusar produto sem procedência e usar a competitividade do etanol a favor do cliente. Reforce o relacionamento com a distribuidora ainda esta semana.
Análise por Renato da Silveira · Brasil Postos News
Texto baseado em reportagem da Transporte Moderno, com dados do IPTL/Edenred. Período de referência: fim de fevereiro a fim de março de 2026.
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