O presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, enviou na semana passada um ofício à Agência Nacional do Petróleo alertando sobre o elevado risco de desabastecimento de diesel no mercado brasileiro no segundo semestre de 2022.
A decisão de comunicar oficialmente o governo foi tomada em reunião do Conselho de Administração da estatal, depois de um longo debate sobre o tema.
O ofício diz que “diante do cenário de escassez global de diesel e do cronograma de paradas programadas das refinarias —apesar dos melhores esforços da companhia, a Petrobras entende que há elevado risco de desabastecimento de diesel no mercado brasileiro no segundo semestre de 2022. Adicionalmente, há também grandes incertezas quanto aos níveis das cotações internacionais do produto nessa conjuntura de escassez”.
O consumo de diesel é expressivo durante a safra do centro-oeste e norte do país.
Além disso, neste ano, outros fatores podem contribuir para uma falta do produto. A guerra da Ucrânia que faz com que se tenha menor disponibilidade de exportações Russas pelo prolongamento de sanções econômicas ao país e eventuais indisponibilidades de refinarias nos Estados Unidos e no Caribe, com a temporada de furacões de junho a novembro.
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O racionamento pode ocorrer para evitar um desabastecimento. De acordo com alguns empresários do setor, os postos já vem enfrentando algumas restrições, como limite de carregamento por dia, mas nada que afete o abastecimento até então. Na opinião dos empresários, a sinalização de desabastecimento é mais uma cortina de fumaça para justificar o elevado preço do produto, do que realmente a falta de diesel no mercado.
Petrobras avisou ao governo que há risco de falta de diesel se não aplicar preços de mercado
No documento apresentado à equipe de Bolsonaro, a diretoria da Petrobras lembrou que, hoje, importadores privados atuam juntamente com a estatal no suprimento de combustível para o Brasil, especialmente no caso do diesel. Ou seja, a Petrobras, apesar de dominar o mercado, não é o único agente do setor e medidas precisam atender a todos os atores do mercado.
“Sem preços de mercado, não há estímulo para o atendimento ao mercado brasileiro”, diz o texto. “Se não houver sinalização de que os preços serão de mercado, há risco material de falta de diesel durante o pico de demanda, na safra, afetando o PIB do Brasil”, continuou a Petrobras.
No estudo, a petroleira explica por que há risco de falta de diesel no segundo semestre. O texto aponta que “o segundo semestre pode ser pior: mais demanda (clima), menos oferta (guerra)”.

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A empresa lembra que a decisão de importação ocorre entre 45 dias a 60 dias antes do contrato. Se os preços estiverem desalinhados com o mercado internacional nesta fase, os importadores decidem não correr o risco de comprar diesel lá fora. O documento diz ainda:
“Período de agosto a outubro é pico, junto com a safra (agrícola). Caso não seja feita a importação em junho, é possível faltar diesel e afetar o PIB e a safra”.
Diante das pressões do governo para segurar o aumento dos preços dos combustíveis, a estatal destacou ainda no estudo:
“A Petrobras é obrigada por lei a atuar como empresa privada”, afirmou. Em outro ponto do texto, a estatal ressalta: “A Lei do Petróleo deixa claro que a Petrobras deve praticar preços de mercado e atuar em um mercado livre e competitivo”.
O estudo lembra ainda que, se a Petrobras praticar preços fora dos de mercado, pode ser responsabilizada, juntamente com a União, que é a maior acionista.

“A Petrobras e a União seriam responsabilizados por preços desalinhados aos preços de mercado, sem cumprir as condições previstas em lei.”
Ao final do estudo, a estatal ressalta que diversos países estão adotando medidas neste ano para minimizar os efeitos em suas economias da alta do preço do petróleo. Entre elas, cita:
- “Redução tributária e subsídios”, medidas adotadas pela França, Itália, Espanha, Noruega, Coréia do Sul, Holanda, Nigéria, Índia, Alemanha, Reino Unido, Grécia, Japão e Dinamarca
- “Aumento de oferta”, com a liberação de reservas estratégicas do país, como fizeram Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul
- “Redução de demanda”, o que foi feito na China como racionamento de energia e fechamento temporário de fábricas
Fonte: G1
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