Petrobras avisou ao governo que há risco de falta de diesel se não aplicar preços de mercado

No documento apresentado à equipe de Bolsonaro, a diretoria da Petrobras lembrou que, hoje, importadores privados atuam juntamente com a estatal no suprimento de combustível para o Brasil, especialmente no caso do diesel. Ou seja, a Petrobras, apesar de dominar o mercado, não é o único agente do setor e medidas precisam atender a todos os atores do mercado.

“Sem preços de mercado, não há estímulo para o atendimento ao mercado brasileiro”, diz o texto. “Se não houver sinalização de que os preços serão de mercado, há risco material de falta de diesel durante o pico de demanda, na safra, afetando o PIB do Brasil”, continuou a Petrobras.

No estudo, a petroleira explica por que há risco de falta de diesel no segundo semestre. O texto aponta que “o segundo semestre pode ser pior: mais demanda (clima), menos oferta (guerra)”.

A empresa lembra que a decisão de importação ocorre entre 45 dias a 60 dias antes do contrato. Se os preços estiverem desalinhados com o mercado internacional nesta fase, os importadores decidem não correr o risco de comprar diesel lá fora. O documento diz ainda:

“Período de agosto a outubro é pico, junto com a safra (agrícola). Caso não seja feita a importação em junho, é possível faltar diesel e afetar o PIB e a safra”.

Diante das pressões do governo para segurar o aumento dos preços dos combustíveis, a estatal destacou ainda no estudo:

“A Petrobras é obrigada por lei a atuar como empresa privada”, afirmou. Em outro ponto do texto, a estatal ressalta: “A Lei do Petróleo deixa claro que a Petrobras deve praticar preços de mercado e atuar em um mercado livre e competitivo”.

O estudo lembra ainda que, se a Petrobras praticar preços fora dos de mercado, pode ser responsabilizada, juntamente com a União, que é a maior acionista.

“A Petrobras e a União seriam responsabilizados por preços desalinhados aos preços de mercado, sem cumprir as condições previstas em lei.”

Ao final do estudo, a estatal ressalta que diversos países estão adotando medidas neste ano para minimizar os efeitos em suas economias da alta do preço do petróleo. Entre elas, cita:

  • “Redução tributária e subsídios”, medidas adotadas pela França, Itália, Espanha, Noruega, Coréia do Sul, Holanda, Nigéria, Índia, Alemanha, Reino Unido, Grécia, Japão e Dinamarca
  • “Aumento de oferta”, com a liberação de reservas estratégicas do país, como fizeram Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul
  • “Redução de demanda”, o que foi feito na China como racionamento de energia e fechamento temporário de fábricas

Fonte: G1

 

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