Distribuidoras venderam 1,83 bilhão de litros de etanol hidratado em junho, mas o revendedor precisa separar crescimento mensal de tendência consolidada.

As vendas de etanol hidratado pelas distribuidoras brasileiras cresceram 11% em junho na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

O volume chegou a 1,83 bilhão de litros. O dado é relevante para o posto porque mostra aumento da saída do produto em um período de maior oferta da safra de cana e de expansão da produção de etanol de milho.

O número mensal, entretanto, não deve ser interpretado isoladamente. Entre janeiro e junho, as vendas somaram 10,44 bilhões de litros, queda de 1,4% diante do primeiro semestre do ano anterior. Junho foi forte, mas ainda não eliminou a retração acumulada.

Junho mostra reação, não uma tendência garantida

A diferença entre o avanço de junho e a queda do semestre mostra por que o gerente não deve alterar compra ou preço com base em um único indicador nacional. O dado da ANP sinaliza uma direção, mas a decisão precisa considerar a praça, a paridade com a gasolina, o custo de reposição e a velocidade de saída do tanque.

A reação ocorreu durante o pico da safra de cana-de-açúcar e em um cenário de crescimento da produção de etanol de milho. Maior disponibilidade pode melhorar a negociação em determinadas bases, mas não significa redução automática ou uniforme do custo entregue ao posto.

Gasolina também avançou, mas em ritmo menor

As vendas de gasolina C somaram 3,87 bilhões de litros em junho, alta anual de 4,5%. No primeiro semestre, chegaram a 23,53 bilhões de litros, crescimento de 5,6%.

Os dois produtos cresceram no mês. Isso impede uma conclusão simplista de que todo o avanço do etanol ocorreu por substituição direta da gasolina. Parte do movimento pode estar ligada ao aumento geral da demanda, à sazonalidade e às condições regionais de preço.

O que o revendedor deve acompanhar

  • Preço de reposição: acompanhe se a maior oferta está chegando à sua base de distribuição.
  • Paridade local: calcule a competitividade diante da gasolina na sua praça, não apenas na média nacional.
  • Giro por tanque: compare a saída semanal antes de ampliar o estoque.
  • Margem absoluta: não reduza centavos apenas porque a demanda nacional cresceu.
  • Comunicação na pista: destaque o produto quando houver vantagem real para o consumidor.

Perguntas e respostas

Quanto etanol foi vendido em junho?

As distribuidoras venderam 1,83 bilhão de litros de etanol hidratado, alta de 11% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

O crescimento também ocorreu no semestre?

Não. No acumulado de janeiro a junho, o volume foi de 10,44 bilhões de litros, 1,4% abaixo do mesmo período anterior.

O posto deve aumentar o estoque imediatamente?

Não apenas com base no dado nacional. A decisão deve considerar giro local, custo de reposição, paridade com a gasolina e capacidade do tanque.

Fonte: Reuters, com dados da ANP.

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