Um salgado nascido na conveniência de uma rede de postos virou referência gastronômica regional — e ensina muito sobre diferenciação, padrão e marca na revenda.
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Resumo
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A história começou há 35 anos, quando a família Pelanda decidiu investir nas opções de alimentação das lojas de conveniência de seus postos de gasolina. Com foco no público de rodovia e nas refeições de caminhoneiros, a rede passou a elaborar um cardápio mais completo. Hoje, a coxinha do Pelanda é uma das mais conhecidas de Curitiba, disponível das primeiras horas da manhã até a madrugada.
Segundo Ana Paula Pelanda, diretora de marketing e filha do fundador Paulo Irineu Pelanda, a empresa foi pioneira na alimentação em postos — chegou a abrir, segundo a rede, a primeira panificadora do Brasil dentro de um posto de gasolina. A receita da coxinha foi desenvolvida com um chef e ajustada a partir da opinião dos clientes, até chegar a um produto de massa crocante, recheio de frango desfiado e requeijão. A unidade é vendida a R$ 12,99.
“Para um posto de combustível estar num prêmio de gastronomia é uma honra.”
— Ana Paula Pelanda, diretora de marketing dos Postos Pelanda
Com o sucesso, a rede criou uma fábrica própria na Vila Fanny, hoje com 14 anos de operação. São cerca de 24 colaboradoras que modelam as coxinhas manualmente. A produção gira em torno de 7 mil salgados por dia, aproximadamente 113 mil por mês, distribuídos refrigerados às conveniências, onde a fritura é feita na hora sob padrão de treinamento. A coxinha consumida no posto foi produzida, no máximo, 48 horas antes.
O produto foi eleito seis vezes pelo Prêmio Bom Gourmet e ganhou tração a partir da defesa orgânica dos clientes nas redes sociais. A rede, presente no Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul, prepara a transferência da fábrica para um espaço maior em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, para sustentar a expansão.
Fonte: Tribuna do Paraná — Blog Rango Barateza | Ler matéria original
Resumo Executivo
A coxinha dos Postos Pelanda virou ícone gastronômico de Curitiba. O que começou como aposta na alimentação da conveniência tornou-se uma operação com fábrica própria, cerca de 7 mil salgados por dia e seis títulos no Prêmio Bom Gourmet.
O case combina três ingredientes de gestão: produto desenvolvido com escuta do cliente, padrão de qualidade controlado (fábrica, refrigeração, treinamento de fritura, prazo de 48 horas) e marca construída de forma orgânica nas redes sociais.
Para a revenda, a lição é concreta: a loja de conveniência deixou de ser anexo da pista e pode virar âncora de tráfego, diferenciação e receita. Um produto-assinatura bem executado atrai cliente que talvez nem viesse abastecer — e fideliza pelo paladar, não só pelo preço do combustível.
Análise de Gestão
Visão do Especialista · Oportunidades e pontos de atenção
Mix de Produto
O Pelanda não tentou vender de tudo: criou um produto-assinatura e o levou à excelência. Para o revendedor, a lição é focar em poucos itens de alta rotação e identidade local, em vez de pulverizar prateleira. Um carro-chefe bem feito puxa o resto do mix.
Margem Bruta
Food service tem margem muito superior à da pista. A coxinha a R$ 12,99, com escala de produção própria, é um ativo de rentabilidade que independe da defasagem do combustível. Em tempos de margem espremida na bomba, a conveniência alimentar é o oxigênio financeiro do posto.
Ticket Médio
Um produto-destino cria oportunidade de cross-sell: quem vem pela coxinha leva bebida, café, outro salgado. Combos e sugestão ativa no balcão elevam o ticket. A disponibilidade 24 horas, no caso do Pelanda, captura faixas de horário ociosas para a maioria dos postos.
Operação
O padrão é o que sustenta a fama: produção controlada, refrigeração, fritura treinada e prazo máximo de 48 horas até o consumo. Sem controle de validade, perdas e padronização, food service vira fonte de prejuízo e risco sanitário. A consistência é o produto.
Marketing
A força do case veio de defesa orgânica do cliente em comunidades de bairro no Facebook, depois amplificada por prêmios. O revendedor pode estimular isso: incentivar avaliações, marcar presença local nas redes e transformar o cliente satisfeito em divulgador. Marca de comida se constrói no boca a boca.
Plano de Ação Imediata
Tomada de decisão · 4 frentes para agir esta semana
01 · Frente de Compra
Escolher um carro-chefe alimentar
Definir um produto-assinatura viável para a sua conveniência (salgado, pão de queijo, café especial) e negociar fornecimento confiável e padronizado. Melhor um item excelente e constante do que dez medianos. Avaliar fornecedor local com qualidade e regularidade.
02 · Frente de Pista
Treinar fritura e validade
Padronizar preparo, controle de validade e higiene da conveniência. Treinar a equipe para entregar sempre o mesmo padrão. O cliente volta pela consistência; uma experiência ruim derruba a reputação construída em meses.
03 · Frente Financeira
Medir margem e perdas do food service
Apurar a margem real do produto-destino e a taxa de perda por validade. Comparar a rentabilidade do metro quadrado da conveniência com a da pista. Food service bem gerido costuma ser o item de maior margem do posto — e o número precisa estar à vista.
04 · Frente de Marketing e Vendas
Ativar o boca a boca local
Fotografar bem o produto, divulgar nas redes, incentivar avaliações e marcar presença em grupos de bairro. Considerar delivery (iFood) e combos. Transformar o cliente satisfeito em divulgador foi o motor do Pelanda — e custa pouco.
Diretriz Final
O Pelanda prova que a conveniência pode virar a marca do posto e uma fonte de margem que independe do combustível. A diretriz é escolher um produto-assinatura, executá-lo com padrão obsessivo e divulgá-lo localmente. Comece avaliando esta semana qual item da sua conveniência tem potencial para ser o seu carro-chefe.
Análise por Renato da Silveira · Brasil Postos News
Texto baseado em reportagem do blog Rango Barateza (Tribuna do Paraná). Case comercial de referência para a revenda.
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