As vendas de diesel B pelas distribuidoras no Brasil somaram 6,3 bilhões de litros em março, alta de 10,5% sobre o mesmo mês de 2025, no maior volume mensal desde outubro do ano passado, mostraram dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta quinta-feira.
Na comparação com fevereiro, as vendas do combustível mais comercializado no país avançaram 18,3%, segundo os dados atualizados pela ANP em 30 de abril de 2026.
“O crescimento expressivo da demanda pelo combustível… reflete, principalmente, a recuperação da colheita da soja e o início do plantio do milho, especialmente no Centro-Oeste e em alguns Estados da região Sul, influenciando no aumento da demanda por fretes para escoar esses produtos agrícolas aos terminais marítimos”, disse o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Bruno Cordeiro.
“Outros fatores, como um avanço das exportações dos setores industrial e extrativista, também contribuíram para ampliar o volume de bens escoados por caminhões e trens a nível nacional, resultando nesse aumento agressivo das vendas.”
O forte aumento das vendas de março ocorreu no mesmo mês em que o mercado começou a sentir os efeitos da guerra no Oriente Médio. Os primeiros ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã neste ano ocorreram no fim de fevereiro, causando uma disparada dos preços do petróleo e de seus derivados diante de uma restrição da oferta na região. No Brasil, houve restrições pontuais de oferta em algumas localidades em março, mas sem desabastecimento do mercado.
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No acumulado do primeiro trimestre, as vendas de diesel B totalizaram 16,8 bilhões de litros, alta de 2,8% ante o mesmo período de 2025.
Para abril, a StoneX vê a demanda ainda aquecida, “com o aumento do volume exportado pelo setor agropecuário e pela indústria de transformação pesando nessas perspectivas.”
“Paralelo a isso, o avanço mais expressivo da colheita de soja no Rio Grande do Sul pode resultar em uma recuperação das vendas no Estado, após os resultados negativos observados no ano passado, quando a quebra de safra diminuiu a demanda por diesel B naquele período.”
A consultoria estima crescimento de 1,9% nas vendas de diesel B em 2026, para 70,3 bilhões de litros, mas pondera riscos baixistas.
“Por outro lado, é importante destacar que, em um cenário alternativo, em que os riscos econômicos e inflacionários atrelados à guerra resultem em prejuízos para as atividades agrícolas e industriais de curto prazo, espera-se também efeitos negativos sobre a demanda por diesel B.”

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GASOLINA E ETANOL
No segmento de combustíveis leves, as vendas de gasolina C totalizaram 4,17 bilhões de litros em março, avanço de 12,7% na comparação anual e maior volume mensal de 2026 até agora. No primeiro trimestre, as vendas do combustível somaram 11,85 bilhões de litros, alta de 8,2% ante igual período do ano passado.
Já as vendas de etanol hidratado somaram 1,80 bilhão de litros em março, com leve alta de 1,1% sobre março de 2025, apontou a ANP. No acumulado de janeiro a março, porém, o biocombustível registrou queda de 6,8%, para 4,96 bilhões de litros.
Na avaliação da analista de Inteligência de Mercado da StoneX Isabela Garcia, o desempenho dos combustíveis leves foi sustentado em parte por fundamentos econômicos, como melhora do mercado de trabalho e renda mais forte, mas também por um movimento de antecipação de compras ao longo de março, em meio à volatilidade internacional.
A especialista avaliou ainda que a gasolina seguiu mais competitiva até meados do mês, embora a tendência seja de recuperação gradual do etanol hidratado nos próximos meses com o avanço da moagem de cana no centro-sul.
Fonte: www.noticiasagricolas.com.br
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