Esquema revelado injetou ao menos R$ 1 Bilhão em quatro anos
Investigação aponta que 46 postos em Curitiba estão comprometidos. A PF (Polícia Federal) vai acionar a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) em relação aos postos de combustíveis usados pelo crime organizado, como a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), principalmente em Curitiba (PR) e na região metropolitana.

A PF identificou que o esquema revelado na última quinta-feira (28) injetou ao menos R$ 1 bilhão em quatro anos em 50 postos de combustíveis na capital paranaense. Desses, da mesma rede, 46 fraudavam gasolina ao consumidor e realizavam lavagem de dinheiro.
Na representação, a PF pediu uma intervenção à Justiça nos postos. O juiz federal do caso entendeu que não seria a solução, pois toda a rede estaria comprometida.
A CNN revelou no domingo (31) que um trabalho de investigação de forma velada foi determinante para atestar fraudes nesses 46 postos de combustíveis no estado.
A PF usou um caminhão, sem brasão da instituição, como um veículo de passeio, e começou a abastecer em 50 postos da rede investigada, em Curitiba (PR) e região metropolitana, durante um determinado período da investigação na operação Tank.
Dos 50 analisados, a PF apontou que havia fraudes em 46, principalmente de mistura no combustível e adulteração de gasolina, além da chamada “bomba baixa”, em que o volume abastecido é inferior ao indicado.
O inquérito, ao qual a CNN teve acesso, aponta também que os postos recebiam depósitos diários de dinheiro em espécie. A média era de 2 mil depósitos por dia. Mas em determinados meses analisados pela PF houve até 12 mil depósitos diários nos postos. Tudo em dinheiro vivo.
Com tanto dinheiro acumulado, o grupo passou ao segundo andar da cadeia criminosa. A PF detalha que uma transportadora de valores foi contratada para levar malotes de dinheiro à uma instituição de pagamento recém-criada pelo grupo.

Amostra-testemunha
A amostra-testemunha é a única prova do revendedor de que já recebeu o produto com não conformidades. Ela deve ser coletada no momento da entrega do combustível, sendo: no posto, no caso das entregas feitas pelas distribuidoras; ou na base de carregamento, quando o próprio revendedor retira o produto.
O posto deve sempre acompanhar a coleta e se certificar de que a amostra-testemunha corresponde a uma fração representativa do combustível que está no caminhão-tanque. Uma “amostra pronta” (ou seja, não coletada diretamente do caminhão) pode estar com combustível conforme, diferentemente do produto que será descarregado no posto. Nestes casos, o fornecedor fica isento de qualquer não conformidade, cabendo à revenda assumir sozinha todo o ônus do processo administrativo, que pode resultar até em revogação da autorização de funcionamento.
As regras para a coleta e armazenamento das amostras-testemunhas estão previstas em resoluções da ANP. Saiba mais sobre amostra-testemunha: https://www.gov.br/anp/pt-br/
Confira vídeos com orientações complementares: https://www.gov.br/anp/pt-br/

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