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Fim da 6×1: 5×2, 12×36 ou outra escala? O desafio dos postos que não podem parar

A jornada do empregado vai diminuir, mas a operação do posto continua. A mudança exige rever folgas, turnos e horários sem comprometer o funcionamento da pista.

Conteúdo de Parceiro · Erik Ribeiro Advocacia

Por Erik Ribeiro

A Emenda Constitucional nº 141/2026 acabou com a escala 6×1 e iniciou uma redução gradual da jornada máxima semanal.

Para muitos setores, a mudança significa reorganizar dias de trabalho e descanso. Para os postos de combustíveis, o problema é um pouco mais complicado.

A jornada do empregado diminui. A jornada do posto, não.

Um estabelecimento que funciona 24 horas precisa continuar cobrindo pista, caixa, madrugada, domingos, feriados, faltas e horários de pico.

Por isso, o principal desafio agora não é apenas cumprir a nova jornada. É descobrir qual escala funciona melhor para cada operação.

Todo posto vai ter que adotar 5×2?

Não necessariamente.

A escala 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, tende a ser uma das alternativas mais naturais. Mas um posto não precisa ter toda a equipe trabalhando exatamente do mesmo jeito.

Funções administrativas podem seguir um modelo. A pista, o caixa e a madrugada podem precisar de outra organização.

O erro seria simplesmente pegar a antiga escala 6×1 e tentar encaixar mais uma folga.

E a 12×36?

A escala 12×36 continua prevista na CLT e pode ser analisada em funções compatíveis com operação contínua. Nesse modelo, o empregado trabalha 12 horas e descansa 36.

Mas ela também não deve ser tratada como solução automática para todo posto. É preciso conferir função, intervalos, trabalho noturno, convenção coletiva e a forma concreta como a escala será montada.

Vai precisar contratar mais gente?

Talvez. Mas essa não deveria ser a primeira conclusão.

Imagine um posto com sete empregados trabalhando 44 horas por semana:

• Hoje: 308 horas semanais de trabalho, em uma conta simples.
• Com 40 horas: 280 horas.
• Diferença: 28 horas a menos de cobertura por semana.

Isso pode exigir contratação, mas também pode revelar outra coisa: talvez o problema esteja concentrado apenas em alguns horários.

Um posto pode ter movimento muito maior no início da manhã, no almoço e no fim da tarde. Nesse caso, pode fazer mais sentido rever turnos, usar folgas rotativas ou avaliar jornada parcial para reforçar horários específicos.

O que o posto deveria fazer agora?

Antes de contratar ou mudar a escala, o revendedor precisa mapear a operação:

• Quantas horas o posto funciona?
• Quantas pessoas são necessárias por turno?
• Quais são os horários de maior movimento?
• Onde surgirá falta de cobertura quando a jornada cair?

Só depois dessa conta faz sentido escolher entre 5×2, 12×36, jornada parcial, turnos rotativos ou aumento da equipe.

Não existe uma escala universalmente melhor. Existe a escala que consegue manter a operação funcionando sem empurrar o problema para horas extras, dobras ou descansos mal organizados.

A mudança é trabalhista, mas o impacto é operacional

Para o posto, o fim da 6×1 não termina no departamento pessoal. Ele mexe na pista, no caixa, na madrugada e no tamanho da equipe.

E o melhor momento para descobrir se a escala atual vai funcionar não é quando a nova jornada já estiver valendo.

É agora.

Sobre o autor

Erik Ribeiro é advogado com atuação voltada ao setor de postos de combustíveis, Direito Empresarial, Direito Regulatório, Direito Administrativo Sancionador e Direito Trabalhista. Possui experiência jurídica na assessoria de mais de 500 postos de combustíveis no Brasil.

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