Vendas do biocombustível cresceram 21% em um ano, enquanto a gasolina ficou praticamente parada. O consumidor está trocando de bomba — e outubro pode testar essa preferência
As distribuidoras venderam 2,055 bilhões de litros de etanol hidratado em agosto, segundo dados divulgados pela ANP na quarta-feira (30). É o terceiro maior volume mensal da série histórica e o maior desde dezembro de 2019. Na comparação com agosto do ano passado, quando foram vendidos 1,696 bilhão de litros, a alta é de 21%.
O resultado vem na sequência de um julho já forte, com 1,919 bilhão de litros. De um mês para o outro, as vendas cresceram 7%. No acumulado de janeiro a agosto, o hidratado soma 14,414 bilhões de litros, alta de 3% sobre o mesmo período de 2025.

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Resumo
ToggleO etanol cresceu, a gasolina ficou parada
O dado mais revelador está na comparação com os outros combustíveis. Em agosto, as vendas de gasolina C somaram 3,89 bilhões de litros, alta de apenas 0,4% sobre o ano anterior. O diesel B, com 6,16 bilhões de litros, subiu 1,9%.
Quando o hidratado cresce 21% e a gasolina fica estável, o recado é de substituição: o motorista com carro flex está escolhendo o etanol na bomba. O motivo é preço. O biocombustível ganhou competitividade com a maior oferta, puxada pela safra de cana e pela expansão do etanol de milho, o que derrubou suas cotações ao longo da moagem.
Onde a troca foi maior
São Paulo, que concentra a maior parte da demanda nacional, vendeu 987,5 milhões de litros de hidratado em agosto, alta de 17,8%. Minas Gerais chegou a 215,9 milhões de litros, com crescimento de 21,5%.
O destaque percentual foi o Rio Grande do Sul: as vendas subiram 80,5%, para 17,5 milhões de litros. A base é pequena — o estado historicamente consome pouco etanol, por estar longe dos centros produtores —, mas o salto mostra que a paridade chegou a favorecer o biocombustível até onde ele costuma perder para a gasolina.

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Por que outubro pode ser diferente
O número de agosto é uma fotografia de um momento muito favorável ao etanol, e três fatores podem mudar esse quadro nas próximas semanas.
O primeiro é o preço na usina. O hidratado subiu cerca de 20% entre agosto e meados de setembro, com demanda aquecida e chuvas atrasando a moagem. A alta só começou a ceder na última semana de setembro, quando o indicador Cepea/Esalq recuou 2,24% depois de sete semanas seguidas de alta.
O segundo é tributário. O corte de PIS/Cofins que zerou os tributos federais sobre o hidratado, reduzindo R$ 0,19 por litro, vale até 9 de outubro. Na gasolina, a redução é de R$ 0,63. Se as duas medidas acabarem juntas, a gasolina tende a subir mais que o etanol, o que favoreceria o biocombustível. Se só uma for prorrogada, a paridade muda de lado conforme a escolha do governo.
O terceiro é estrutural. No longo prazo, a oferta de etanol deve continuar crescendo com as usinas de milho, mas a demanda do ciclo Otto tende a encolher com a eletrificação, como projeta o Bradesco. Agosto mostra que o etanol pode ganhar participação — dentro de um mercado que, mais adiante, deve diminuir.
O que isso significa para o posto
Olhe o mix, não só o total. Se a sua venda de hidratado não acompanhou a alta nacional, vale entender por quê. Pode ser paridade desfavorável na sua praça, comunicação de preço pouco clara na pista ou falta de produto. Com o consumidor disposto a trocar de bomba, o posto que não mostra a vantagem do etanol deixa venda na mesa.
Revise tancagem e estoque. Uma mudança de mix desse tamanho pode deixar o tanque de hidratado pequeno para o giro e o de gasolina com produto parado. Ajustar a programação de cargas à nova proporção evita ruptura de um lado e capital empatado do outro.
Acompanhe a paridade toda semana até 9 de outubro. A virada tributária pode mudar a conta de um dia para o outro. Comunicar a paridade de forma clara na pista, em vez de deixar o cálculo para o cliente, ajuda a manter o giro do produto que estiver mais vantajoso.
Perguntas e respostas
Quanto etanol hidratado foi vendido em agosto?
Segundo a ANP, as distribuidoras venderam 2,055 bilhões de litros de etanol hidratado em agosto de 2026, alta de 21% sobre o mesmo mês de 2025. Foi o terceiro maior volume mensal da série histórica e o maior desde dezembro de 2019.
Como foram as vendas de gasolina e diesel no mesmo mês?
A gasolina C somou 3,89 bilhões de litros, alta de apenas 0,4% na comparação anual. O diesel B chegou a 6,16 bilhões de litros, com crescimento de 1,9%. A diferença indica que parte dos motoristas trocou a gasolina pelo etanol.
Por que as vendas de etanol cresceram tanto?
Pela maior competitividade frente à gasolina. A oferta elevada, com a safra de cana e a expansão do etanol de milho, derrubou os preços do biocombustível ao longo da moagem, tornando o hidratado mais vantajoso para quem tem carro flex.
Quais estados mais aumentaram o consumo de etanol?
São Paulo vendeu 987,5 milhões de litros, alta de 17,8%, e Minas Gerais, 215,9 milhões, alta de 21,5%. A maior alta percentual foi no Rio Grande do Sul, com 80,5%, embora sobre uma base pequena de 17,5 milhões de litros.
O etanol vai continuar vantajoso em outubro?
Depende de três fatores: o preço na usina, que subiu em setembro e começou a ceder no fim do mês; o fim do corte de PIS/Cofins em 9 de outubro, que pesa mais na gasolina; e eventuais prorrogações. Vale acompanhar a paridade semanalmente.

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