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O que acontece com o diesel se os EUA restringirem as exportações

Candidatos republicanos pressionam por barrar os embarques. Analistas veem a medida como improvável, mas estimam que ela poderia dobrar o preço mundial do diesel

Os preços do diesel dispararam em todo o mundo por uma soma de rupturas na oferta: os ataques ucranianos às refinarias russas, os danos a refinarias do Oriente Médio provocados pela guerra entre Estados Unidos e Irã, e estoques globais baixos. Agora, uma nova incerteza entrou no radar do mercado: a possibilidade de os Estados Unidos restringirem as próprias exportações de diesel.

Para o Brasil, a questão não é distante. Como mostramos, 80% do diesel importado pelo país em setembro veio dos americanos.

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Por que o diesel disparou

A Rússia, segunda maior exportadora mundial de diesel, proibiu as exportações do produto em julho, pelo menos até o fim de setembro. A guerra entre Estados Unidos e Irã interrompeu ou paralisou embarques pelo Estreito de Ormuz e pelo Mar Vermelho, duas das principais rotas do comércio de derivados.

Com duas grandes fontes de oferta comprometidas ao mesmo tempo, os compradores correram para os Estados Unidos. As exportações americanas de diesel bateram recorde de 1,6 milhão de barris por dia em agosto, contra cerca de 1 milhão em fevereiro, antes da guerra com o Irã. Segundo a consultoria Kpler, entre os principais compradores estão Brasil, Chile, México, Peru, Marrocos, França e Reino Unido.

A pressão para fechar a torneira

A exportação recorde tem um efeito colateral dentro dos Estados Unidos: pressiona o preço do diesel para o consumidor americano. Alguns candidatos republicanos ao Senado, nas disputas mais acirradas das eleições de 3 de novembro, pediram que o governo proíba as exportações para aliviar esse custo.

Parte do mercado vê o movimento como jogo eleitoral. Jim Mitchell, diretor de análise de negociação de petróleo da consultoria Wood Mackenzie, avaliou que a proposta tem “mais de sondagens políticas do que da realidade concreta”.

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Por que a proibição seria um tiro no pé

O argumento dos analistas é técnico. Uma refinaria não produz só diesel: ao processar petróleo, gera ao mesmo tempo gasolina, querosene e outros derivados. Se as refinarias americanas não puderem exportar o diesel excedente, tendem a reduzir o volume de petróleo processado — e isso diminui também a produção de gasolina e dos demais combustíveis, elevando os preços desses produtos dentro dos próprios Estados Unidos.

A consultoria Capital Economics classificou uma eventual proibição como contraproducente, já que o excedente poderia forçar as refinarias a cortar a oferta de derivados em poucas semanas. O Instituto Americano de Petróleo, principal associação do setor, afirmou que a restrição desestabilizaria as refinarias e agravaria a crise global de refino.

O tamanho do estrago lá fora

Para quem compra diesel americano, as estimativas são duras. O economista de energia Philip Verleger calcula que uma proibição poderia elevar os preços mundiais em até 100%, dada a baixa elasticidade da demanda — ou seja, o consumo de diesel quase não cai quando o preço sobe, porque caminhão, trator e máquina não têm alternativa imediata.

Analistas do Citi avaliam que mesmo uma proibição parcial poderia provocar escassez de produto na Europa, na América do Sul, na Austrália e na África. A consultoria FGE NexantECA prevê que compradores da América Latina, Europa, África e Ásia passariam a disputar uma oferta menor, pressionando ainda mais os preços.

A Europa já sente o aperto: os preços do diesel no continente atingiram máximas históricas, e os da Ásia estão próximos dos recordes de março. O aumento das exportações chinesas em julho e agosto não conseguiu esfriar o mercado. A Índia, principal fornecedora asiática, pode estar entre as primeiras a ampliar embarques para a Europa.

O que o revendedor deve acompanhar

A decisão russa no fim de setembro. A proibição de exportar diesel vale pelo menos até o fim do mês. Se Moscou retomar os embarques, parte da pressão sobre o mercado global alivia. Se renovar, o mundo continua dependente dos americanos.

O calendário político americano. A pressão por restringir exportações está ligada à eleição de 3 de novembro. Até lá, declarações de candidatos e sinais do governo podem mexer nas cotações internacionais em poucos dias — e o reflexo chega ao preço de faturamento no Brasil.

Não é só o diesel. Pelo raciocínio dos analistas, uma restrição americana reduziria a produção de todos os derivados, não apenas do diesel. Se o cenário se concretizar, a gasolina importada também tende a encarecer.

Por enquanto, trata-se de risco, não de fato. Mas é o tipo de risco que o posto não controla e que pode chegar à bomba rápido. Acompanhar o noticiário internacional passou a fazer parte da gestão de compra de combustível.

Fonte: Reuters, via CNN Brasil (28/09/2026). Texto autoral Brasil Postos com base no conteúdo original.

Perguntas e respostas

Por que o preço do diesel disparou no mundo?

Por uma soma de rupturas na oferta: a Rússia proibiu as exportações de diesel em julho após ataques ucranianos às refinarias, a guerra entre EUA e Irã interrompeu embarques pelo Estreito de Ormuz e pelo Mar Vermelho, e os estoques globais estavam baixos.

Os Estados Unidos vão proibir a exportação de diesel?

Não há decisão nesse sentido. Candidatos republicanos ao Senado pediram a medida às vésperas das eleições de 3 de novembro, mas analistas consideram a proibição improvável e contraproducente, porque obrigaria as refinarias americanas a reduzir também a produção de gasolina.

Quanto o diesel poderia subir com uma proibição americana?

O economista de energia Philip Verleger estima que os preços mundiais poderiam subir até 100%, porque o consumo de diesel praticamente não cai quando o preço sobe. O Citi avalia que mesmo uma restrição parcial poderia causar escassez na América do Sul.

Quanto diesel os Estados Unidos estão exportando?

Um recorde de 1,6 milhão de barris por dia em agosto, contra cerca de 1 milhão em fevereiro, antes da guerra com o Irã. Segundo a Kpler, o Brasil está entre os principais compradores, ao lado de Chile, México, Peru, Marrocos, França e Reino Unido.

Uma restrição americana afetaria também a gasolina?

Sim, segundo analistas. Ao reduzir o processamento de petróleo por não poderem exportar diesel, as refinarias americanas diminuiriam também a produção de gasolina e de outros derivados, o que tende a elevar os preços desses combustíveis.

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