Revendedores independentes afirmam que continuam enfrentando dificuldades de abastecimento e alertam para possíveis impactos no preço ao consumidor e na concorrência no mercado.
Postos de combustíveis de bandeira branca no Estado do Rio de Janeiro afirmam que continuam enfrentando dificuldades para adquirir gasolina, mesmo após a Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom) indicar alternativas de fornecimento para o mercado independente. A situação, segundo os empresários, permanece crítica e pode comprometer a operação de diversos estabelecimentos.
O tema ganhou destaque após o fechamento da refinaria Refit, que alterou a dinâmica de abastecimento de diversos revendedores no estado. Enquanto distribuidoras e órgãos reguladores afirmam que não há desabastecimento sistêmico, proprietários de postos relatam dificuldades para encontrar fornecedores com disponibilidade de produto e condições comerciais compatíveis com a realidade dos postos bandeira branca.

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Resumo
ToggleRevendedores afirmam que problema persiste
Na semana anterior, a Brasilcom informou que distribuidoras regionais como Ruff, RDP Energia, Nexta e SP estariam atendendo o mercado dos postos independentes.
No entanto, empresários ouvidos pela reportagem afirmam que essas empresas não conseguem absorver toda a demanda deixada pela saída da Refit.
Segundo um proprietário de posto entrevistado:
“Somos quase 50% do mercado de postos de combustível no estado do Rio. Muitos de nós já não têm mais gasolina. As pequenas distribuidoras não têm volume para nos atender, e as grandes dizem que só nos atendem se firmarmos contrato de exclusividade com a marca.”
Os revendedores afirmam ainda que receberam mensagens e contatos comerciais informando indisponibilidade de gasolina ou condicionando o fornecimento à assinatura de contratos de exclusividade com determinadas distribuidoras. A reportagem informa que teve acesso a mensagens, áudios e documentos comerciais, preservando a identidade das fontes.

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Distribuidoras apresentam suas versões
Após a publicação da primeira reportagem, algumas distribuidoras responderam aos questionamentos.
A Nexta informou que continua atendendo normalmente o mercado do Rio de Janeiro e realiza vendas para postos bandeira branca, respeitando as condições comerciais e operacionais de cada negociação. Entretanto, destacou que sua prioridade é garantir o abastecimento dos postos pertencentes à sua rede bandeirada.
Já a SP Distribuidora informou que atende postos bandeira branca conforme a disponibilidade de produto liberado pela Petrobras e afirmou que não exige contratos para fornecimento. Contudo, reconheceu que o volume disponível para as pequenas distribuidoras é insuficiente para atender toda a demanda existente.
A Raízen informou que suas relações comerciais seguem os contratos firmados, a legislação vigente e as diretrizes aplicáveis ao setor. Ruff e RDP Energia não haviam se manifestado até o fechamento da reportagem original.
Postos relatam risco de paralisação
Entre os casos citados está o de um posto localizado no litoral norte fluminense, que informou estar sem gasolina desde o início do mês.
Segundo o gerente entrevistado, a falta de produto compromete diretamente o funcionamento da empresa e pode resultar no encerramento das atividades caso a situação não seja solucionada.
Além disso, ele afirma que contratos de exclusividade podem elevar significativamente o preço final do combustível ao consumidor, reduzindo a competitividade dos postos independentes.
ANP afirma que não identifica desabastecimento sistêmico
Questionada sobre os relatos apresentados pelos empresários, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que acompanha permanentemente o mercado nacional e, até o momento, não identifica desabastecimento generalizado ou restrição sistêmica de acesso a combustíveis para determinado grupo de revendedores no Estado do Rio de Janeiro.
Segundo a Agência, situações pontuais são analisadas individualmente, considerando fatores como logística, disponibilidade de produto, condições comerciais e estratégia de atendimento das distribuidoras.
A ANP também reforçou que os postos bandeira branca possuem liberdade para adquirir combustíveis de qualquer distribuidora autorizada pela Agência.
Já questões relacionadas a eventual abuso de poder econômico ou práticas anticoncorrenciais são de competência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).
Impactos para os postos de combustíveis
Independentemente da evolução deste caso, a situação evidencia a importância da gestão estratégica do abastecimento e da diversificação de fornecedores.
Empresas que dependem exclusivamente de um único canal de suprimento podem enfrentar maiores dificuldades em cenários de mudanças no mercado, indisponibilidade de produto ou alterações na logística de distribuição.
Também reforça a necessidade de acompanhar permanentemente as decisões da ANP, as mudanças regulatórias e os movimentos do mercado de combustíveis para reduzir riscos operacionais.
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