Diferença para o preço internacional chega a R$ 2,55 por litro no diesel e R$ 1,17 na gasolina, nos principais polos da estatal
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A defasagem dos preços dos combustíveis nas refinarias brasileiras atingiu, nesta segunda-feira (17), 78% no óleo diesel e 46% na gasolina, considerando os principais polos da Petrobras, segundo levantamento da Abicom. Em valores, a diferença para a paridade de importação é de R$ 2,55 por litro no diesel e R$ 1,17 na gasolina.
O número exige comparação para ser compreendido. No dia 7 de agosto, o mesmo indicador estava em 47% no diesel e 23% na gasolina. Em pouco mais de uma semana, os dois praticamente dobraram.
Resumo
ToggleO que a defasagem mede, e o que ela não mede

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Vale relembrar o conceito, porque ele costuma ser lido ao contrário. Defasagem é a distância entre o preço praticado na refinaria e o Preço de Paridade de Importação — o valor que o combustível precisaria custar aqui para ser competitivo com o produto importado. Quando o preço interno fica abaixo do PPI, há defasagem; quando o supera, abre-se janela favorável à importação.
Defasagem de 78% no diesel significa, portanto, que o produto está sendo vendido no Brasil muito abaixo do que custaria trazê-lo de fora. Para o consumidor final, é notícia boa no curto prazo. Para quem opera na cadeia, é o oposto: com essa distância, importar deixa de fazer sentido econômico, e a oferta passa a depender de produção doméstica e de mecanismos públicos de compensação.
É esse o motivo pelo qual defasagem alta e risco de desabastecimento costumam aparecer juntos, ainda que pareçam contraditórios. Não falta produto porque está caro — falta porque ninguém tem incentivo para trazê-lo.
Por que o indicador disparou
A defasagem se abre por dois caminhos: o preço internacional sobe, ou o interno não acompanha. Nas últimas semanas, os dois ocorreram ao mesmo tempo.

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No lado externo, os ataques no Mar Vermelho e o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã voltaram a pressionar o barril, depois de um período de alívio movido pela expectativa de acordo sobre o Estreito de Ormuz. No lado interno, os preços de refinaria seguem sem reajuste que acompanhe esse movimento.
O quadro ajuda a explicar decisões recentes que, isoladas, pareciam técnicas demais. A Vibra, primeira distribuidora habilitada à subvenção para importação, informou não ter executado o mecanismo e disse ter importado mesmo quando o produto custava mais do que ela vendia internamente. A Refinaria de Mataripe reduziu a gasolina em 11,3%, mas o corte correspondeu exatamente ao subsídio federal repassado. São três peças do mesmo tabuleiro.
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A primeira leitura é de expectativa de reajuste. Defasagem nesse patamar cria pressão para correção nos preços de refinaria — não necessariamente imediata, mas a conta não se sustenta indefinidamente. Quem compra sabendo disso planeja melhor o giro do tanque do que quem é surpreendido pelo comunicado da distribuidora.
A segunda é sobre disponibilidade. Com importação inviável pela conta econômica, a oferta fica mais dependente do parque nacional e das subvenções em vigor. Vale acompanhar semanalmente dois gatilhos: a continuidade dos mecanismos de subsídio e qualquer sinalização de reajuste. São os dois que definem se o cenário do mês que vem se parece com o deste.
A terceira é de comunicação com o cliente. Quando o reajuste vier, ele será apresentado como aumento na bomba — e o revendedor é quem estará na frente do consumidor para explicar. Ter clareza de que o preço praticado hoje está muito abaixo do custo internacional de reposição é argumento de balcão, não tecnicismo de relatório.
Vale a ressalva de sempre: os percentuais da Abicom se referem aos polos da Petrobras e variam entre eles, e o indicador se move diariamente conforme barril e câmbio. A reportagem acompanha os desdobramentos e atualizará conforme novos fatos.
Perguntas e respostas
Qual a defasagem atual do diesel e da gasolina?
Segundo a Abicom, em 17 de agosto a defasagem média nos polos da Petrobras estava em 78% no óleo diesel e 46% na gasolina. Em valores, a diferença para o preço de paridade de importação é de R$ 2,55 por litro no diesel e R$ 1,17 por litro na gasolina.
O que significa defasagem no preço dos combustíveis?
É a distância entre o preço praticado na refinaria e o Preço de Paridade de Importação, valor que o combustível precisaria custar no Brasil para competir com o produto importado. Quando o preço interno fica abaixo do PPI, há defasagem; quando o supera, abre-se janela favorável à importação.
Quanto a defasagem subiu em agosto?
No dia 7 de agosto, o indicador estava em 47% no diesel e 23% na gasolina. Em 17 de agosto, chegou a 78% e 46% respectivamente. Os dois praticamente dobraram em pouco mais de uma semana, movidos pela alta do barril e pela ausência de reajuste correspondente nos preços internos.
Defasagem alta pode causar desabastecimento?
O risco existe porque, com essa distância, importar deixa de fazer sentido econômico e a oferta passa a depender mais da produção doméstica e dos mecanismos públicos de compensação. Não falta produto por estar caro, e sim porque o importador perde o incentivo para trazê-lo.
O que o posto deve acompanhar nas próximas semanas?
Dois gatilhos: a continuidade dos mecanismos de subvenção e qualquer sinalização de reajuste nos preços de refinaria. São eles que definem se o cenário do mês seguinte se parece com o atual. Defasagem nesse patamar cria pressão por correção, ainda que não imediata.

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