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Fim da 6×1 acelera a corrida por autoatendimento no varejo; e na loja do posto?

Fabricante de self-checkout dobrou a produção depois da aprovação da PEC. O varejo já faz a conta da nova jornada, e a loja de conveniência entra no mesmo cálculo

A aprovação do fim da escala 6×1, que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais sem corte de salário, começou a mexer na linha de produção de quem vende tecnologia para o varejo. Segundo reportagem do Estadão, a Laurenti Elgin, de Diadema (SP), dobrou a fabricação de caixas de autoatendimento, de cerca de 800 para 1,6 mil unidades por mês, e o prazo de entrega passou de 30 dias para dois meses.

Para o dono de posto com loja de conveniência, o movimento serve de termômetro. A loja opera em horário estendido, muitas vezes 24 horas, com equipe enxuta e caixa como gargalo. É exatamente o tipo de operação em que a nova jornada aperta primeiro.

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A conta que o varejo está fazendo

O cálculo apresentado pelo fabricante ao Estadão aponta redução de cerca de 64% no custo mensal de uma loja que troca quatro caixas tradicionais por quatro self-checkouts alugados: de R$ 32 mil para R$ 11,4 mil. É uma estimativa do próprio fornecedor e vale para o caso específico do supermercado, mas indica a ordem de grandeza que está entrando nas planilhas.

Do lado de quem contrata, a preocupação é a folha. O presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Erlon Ortega, estima aumento de 15% a 20% no custo de pessoal do setor e defende a contratação por hora. Para ele, “a tecnologia não tira a contratação da pessoa que vai produzir”. Em shoppings, lojas com poucos funcionários podem ter alta de cerca de 25% no custo, segundo a reportagem.

Nem todo mundo aposta na máquina. A rede Hirota, que já opera com déficit de 12% no quadro, pretende manter a equipe, reorganizar horários e talvez fechar mais cedo aos domingos. Para o economista José Pastore, o caminho mais provável é outro: “A empresa simplesmente aumenta preços e os trabalhadores vão pagar”.

O que isso significa para a loja do posto

A loja de conveniência tem três características que a colocam no centro dessa discussão: horário longo, ticket médio baixo e atendimento concentrado em poucos minutos por cliente. Com teto de 42 horas a partir de dezembro e 40 horas em dezembro de 2027, cobrir o mesmo horário exige mais gente ou mais tecnologia.

Antes de comprar equipamento, a conta precisa ser feita com os números do próprio posto. Quantas transações a loja faz por hora em cada turno? Quanto do tempo do atendente vai para o caixa e quanto para reposição, limpeza e café? Em lojas de baixo movimento noturno, um terminal de autoatendimento pode liberar o atendente para a pista ou para a reposição. Em lojas de alto giro, o ganho tende a estar na fila.

Há também o lado da margem. Se a resposta for repassar custo ao preço, como prevê Pastore, a loja do posto compete com supermercado e farmácia em produtos de alta comparação. Aumento de preço na prateleira tem limite mais curto que na bomba.

O que fazer agora

O prazo de entrega dos equipamentos já dobrou, segundo o fabricante ouvido pelo Estadão. Quem pretende automatizar o caixa da loja antes da virada de dezembro precisa decidir nas próximas semanas. Três passos ajudam a decidir com base em dado, não em tendência:

Mapeie o movimento por hora. O sistema da loja já registra transações por horário. É a base para saber onde falta e onde sobra gente.

Simule a escala nova. Monte a escala da loja dentro do teto de 42 horas e veja quantas pessoas a mais o horário atual exige.

Compare as alternativas. Contratação adicional, reorganização de turnos, redução de horário em períodos fracos ou autoatendimento: cada uma tem custo e efeito diferentes no atendimento.

Fonte: O Estado de S. Paulo, via Fecombustíveis (19/10/2026) — ver matéria original. Texto autoral Brasil Postos com base no conteúdo original.

Perguntas e respostas

O fim da escala 6×1 está levando o varejo a automatizar?

Segundo o Estadão, a Laurenti Elgin dobrou a produção de caixas de autoatendimento, de cerca de 800 para 1,6 mil por mês, depois da aprovação da PEC. Especialistas ouvidos pelo jornal avaliam que a redução da jornada para 40 horas deve acelerar a automação no varejo.

Quanto o self-checkout pode reduzir o custo de uma loja?

Um cálculo do fabricante aponta queda de cerca de 64% no custo mensal de uma loja que troca quatro caixas tradicionais por quatro de autoatendimento alugados, de R$ 32 mil para R$ 11,4 mil. É estimativa do fornecedor e precisa ser refeita com os números de cada operação.

Quanto a nova jornada deve aumentar a folha do varejo?

O presidente da Apas, Erlon Ortega, estima alta de 15% a 20% na folha dos supermercados. Em shoppings, lojas com poucos funcionários podem ter aumento de cerca de 25% no custo, segundo a reportagem do Estadão.

Como a loja de conveniência do posto deve se preparar para as 42 horas?

Mapeando as transações por hora, simulando a escala da loja dentro do novo teto e comparando contratação, reorganização de turnos, redução de horário e autoatendimento. Como o prazo de entrega dos equipamentos dobrou, a decisão precisa ser tomada antes de dezembro.

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