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Como funciona a bomba antifraude com criptografia certificada pela RTM 227

Bomba de combustível moderna em close, com painel eletrônico e mangueiras organizadas

São Paulo já soma 211 estabelecimentos com 556 bombas certificadas, num regulamento que atualiza regras praticamente inalteradas desde 1985

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As bombas de combustíveis em postos do estado de São Paulo passaram a ser equipadas com um novo sistema de verificação antifraude, certificado pelo Regulamento Técnico Metrológico nº 227/2022 do Inmetro. A instalação começou no fim do ano passado e segue de forma gradual.

Atualmente, o estado possui 211 estabelecimentos com sistema de bomba antifraude eletrônica, totalizando 556 abastecedoras com a nova tecnologia. Na capital paulista, 20 postos já se modernizaram, com 55 bombas certificadas espalhadas pelo município.

Para quem opera posto, o número que importa é o inverso: são pouco mais de duzentos estabelecimentos num estado com milhares. A adequação está no começo — e quem se antecipa entra numa lista pública ainda curta, enquanto ela ainda diferencia.

Como a tecnologia funciona por dentro

A proteção é criptográfica, não mecânica. As bombas passam a ter uma assinatura digital criptografada: a cada quantidade de combustível que sai, o equipamento emite um pulso para o medidor, o que impede a instalação de chips que falsificam os dados exibidos no leitor.

Na prática, a bomba assina cada abastecimento com um carimbo digital que só pode ser lido, nunca alterado. Se alguém tentar burlar os pulsos eletrônicos, o sistema trava ou registra a tentativa de fraude.

Há três camadas adicionais que merecem atenção de quem cuida da manutenção. A autenticidade dos recursos de proteção pode ser verificada pelos fiscais por meio de uma porta Bluetooth externa, o que permite inspeção sem romper os lacres de segurança. Os cabos de automação são isolados, para impedir acesso indevido. E existe um dispositivo interno que registra ajustes, manutenções e tentativas de violação.

Esse último item muda a relação com a empresa que faz a manutenção do seu conjunto de medição. Todo ajuste fica registrado no equipamento. Não é mais palavra contra palavra: existe log.

O selo e o que o cliente vai procurar

A presença do selo é obrigatória para permitir a identificação por parte do cliente. Cada selo corresponde a um dos três modelos cadastrados no Regulamento Técnico Metrológico, e é ele que sinaliza que aquela bomba é certificada e possui sistema antifraude com tecnologia de criptografia.

Há ainda a confirmação no visor. Ao final do abastecimento, assim que o frentista recoloca o bico, o display exibe uma mensagem ou símbolo confirmando que a criptografia do sistema antifraude está ativa. Alguns modelos mostram esse aviso por apenas dez segundos.

Vale treinar a equipe sobre isso antes que o cliente pergunte. O motorista que leu sobre o assunto vai olhar o visor e, se não entender o que apareceu, vai perguntar ao frentista. Frentista que sabe explicar transforma dúvida em confiança; frentista que não sabe transforma em desconfiança.

As bombas certificadas também precisam ser de modelos específicos, o que facilita o reconhecimento à distância. E um aplicativo para celular, atualmente em desenvolvimento, permitirá conferir todas as informações do abastecimento pelo código do selo e via Bluetooth.

Uma regra de 1985 sendo atualizada

O objetivo declarado do regulamento é evitar a chamada bomba baixa, situação em que o volume de combustível entregue é menor do que o valor pago. Com a nova portaria, o estado atualiza regras que estavam praticamente inalteradas desde 1985.

Quatro décadas explicam por que a mudança é estrutural, e não um ajuste pontual. O parque de bombas do país foi construído sob um regulamento anterior à automação, ao pagamento eletrônico e à própria ideia de fraude por software. O RTM 227/2022 traz exigências de segurança, precisão e controle digital, incluindo requisitos de software e hardware criptografado que impedem a adulteração das bombas.

A consequência para o revendedor honesto é conhecida de quem acompanha o setor: a fraude volumétrica sempre foi um problema de concorrência antes de ser um problema de consumo. Quem entrega menos do que cobra opera com margem artificial que o posto correto não consegue acompanhar. Tecnologia que torna isso inviável trabalha a favor de quem já opera certo.

Quando faz sentido adequar o equipamento

A decisão é de investimento, não de conformidade imediata — a instalação segue gradual e não há, até aqui, prazo divulgado de obrigatoriedade geral para o parque existente. Isso dá tempo para planejar em vez de reagir.

Três situações favorecem antecipar. A primeira é bomba no fim da vida útil: se a substituição já estava no horizonte, comprar equipamento fora do novo padrão é investir em algo que nasce defasado. A segunda é posto em avenida movimentada ou de alto fluxo de passagem, onde o cliente escolhe entre opções próximas e a certificação vira argumento visível. A terceira é rede com várias unidades, em que a padronização do parque tende a sair mais barata quando negociada em conjunto.

Do outro lado, quem tem parque recente, verificação metrológica em dia e opera em praça de baixa concorrência tem margem para esperar. O que não faz sentido é decidir sem número: sem saber o custo de adequação e o de substituição, a conversa vira palpite.

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Fonte: iG Economia (13/08/2026), por Rafael Rintzel, com dados do Ipem-SP e do Regulamento Técnico Metrológico nº 227/2022 do Inmetro — ver matéria original. Texto autoral Brasil Postos com base no conteúdo original.

Perguntas e respostas

O que é a RTM 227/2022 e o que ela exige da bomba?

É o Regulamento Técnico Metrológico do Inmetro que certifica o novo sistema antifraude. Traz exigências de segurança, precisão e controle digital, incluindo requisitos de software e hardware criptografado que impedem a adulteração das bombas. Atualiza regras que estavam praticamente inalteradas desde 1985.

Quantos postos já têm bomba antifraude em São Paulo?

O estado soma 211 estabelecimentos com sistema de bomba antifraude eletrônica, totalizando 556 abastecedoras com a nova tecnologia. Na capital paulista são 20 postos modernizados, com 55 bombas certificadas. A instalação começou no fim do ano passado e segue de forma gradual.

Como o cliente identifica uma bomba certificada?

Pelo selo, cuja presença é obrigatória e que corresponde a um dos três modelos cadastrados no regulamento. Ao final do abastecimento, quando o frentista recoloca o bico, o visor também exibe mensagem ou símbolo confirmando que a criptografia está ativa — em alguns modelos, por apenas dez segundos.

A fiscalização precisa romper o lacre para inspecionar?

Não. A autenticidade dos recursos de proteção pode ser verificada pelos fiscais por meio de uma porta Bluetooth externa, o que garante que a inspeção aconteça sem romper os lacres de segurança. O equipamento ainda tem dispositivo interno que registra ajustes, manutenções e tentativas de violação.

Vale a pena adequar a bomba do posto agora?

Depende do estágio do seu parque. Faz sentido antecipar quando a bomba está no fim da vida útil, quando o posto disputa cliente em praça de alto fluxo, ou quando há várias unidades e a negociação em conjunto reduz o custo. Parque recente e praça de baixa concorrência permitem planejar com mais calma.

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