Estudo da LCA Consultores para o Sindicom dimensiona o setor que movimenta 137 bilhões de litros por ano e responde por apenas 13% do preço pago na bomba.

Abastecer um veículo é um gesto tão rotineiro que quase ninguém percebe a complexidade por trás dele. Por hora, são atendidos cerca de 200 mil veículos em todo o Brasil — uma operação contínua que liga refinarias, terminais de importação e bases de distribuição aos postos espalhados por mais de 5,5 mil municípios.

Um levantamento da LCA Consultores, encomendado pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) e divulgado pela Veja, ajuda a dimensionar esse elo da cadeia: são 137 bilhões de litros de combustíveis movimentados por ano e mais de 1 bilhão de quilômetros percorridos só em 2025. Para o revendedor, entender esse cenário é entender a própria base do negócio.

Uma cadeia complexa que passa despercebida

A logística da distribuição exige alto nível de integração e envolve armazenamento, manejo de estoques estratégicos, controle de qualidade e monitoramento permanente do abastecimento. Em um país de matriz de transporte predominantemente rodoviária — cerca de 65% das cargas circulam por caminhões —, a regularidade do fornecimento de combustíveis sustenta diretamente o equilíbrio econômico nacional.

Segundo o estudo, a estrutura é o que garante combustível disponível mesmo nas localidades mais distantes dos pontos de refino e de importação. Quando funciona bem, passa invisível; basta uma interrupção para que sua importância fique evidente.

O peso na economia e o custo de uma paralisação

A distribuição responde por cerca de 7,3% do PIB do comércio nacional e gera aproximadamente 447 mil empregos diretos e indiretos, com massa salarial de R$ 18,6 bilhões. Em 2025, o faturamento anual da atividade alcançou R$ 881 bilhões, e o setor contribuiu com cerca de R$ 232 bilhões em arrecadação tributária.

O estudo também avalia um cenário hipotético: o que aconteceria se a cadeia fosse interrompida. De acordo com Gustavo Madi, diretor da LCA e responsável pelo levantamento, os impactos seriam amplos e imediatos, já que o diesel é o combustível central do transporte rodoviário e qualquer falha afetaria frete, alimentos, indústria e serviços essenciais.

Estudos do Banco Central e da Fundação Getulio Vargas citados na reportagem apontam que a paralisação do modal rodoviário pode gerar perdas de PIB da ordem de R$ 9 bilhões por dia de interrupção — um risco que ganha contornos ainda mais sensíveis em meio a tensões geopolíticas internacionais.

Como se forma o preço na bomba

Um dos pontos centrais do estudo é desfazer a ideia de que distribuição e revenda definem o preço final. Apesar de lidarem com toda a logística de um país continental e com a mistura obrigatória de biocombustíveis regulada pela ANP, esses dois elos representam, juntos, uma fatia pequena do valor pago na bomba.

De acordo com o levantamento da LCA, a composição do preço final dos combustíveis é distribuída assim:

  • Custos de produção e importação: 61%;
  • Tributos (PIS/Cofins e ICMS): 16%;
  • Distribuição e revenda: 13%;
  • Mistura de biocombustíveis, obrigatória por lei: 10%.

Como resume David Zylbersztajn, presidente do conselho de administração do Sindicom, o preço final reflete uma estrutura de custos integrada, que soma cotação do petróleo, variação do dólar, refino, importação, impostos federais e estaduais e as margens de distribuição e revenda.

Por que o fator internacional pesa

O conflito recente no Oriente Médio voltou a evidenciar como fatores externos chegam ao preço da bomba. A produção doméstica acompanha referências internacionais, e parte relevante do diesel consumido no país — cerca de 30% da demanda — ainda depende de importação. Como o petróleo é uma commodity global, crises em regiões estratégicas elevam o barril e afetam toda a cadeia.

Para mitigar esses riscos, segundo o Sindicom, o setor mantém planejamento técnico, gestão de estoques de segurança e diversificação de fornecedores, combinando a produção das refinarias nacionais com canais independentes de importação.

Informalidade e segurança jurídica entram na conta

Além da logística, o setor enfrenta desafios estruturais ligados à informalidade e à concorrência desleal. Marcio Lago, superintendente de pesquisa da FGV Energia, destaca o combate ao mercado irregular, à sonegação fiscal e à adulteração de combustíveis, que comprometem a eficiência do setor. O avanço da fiscalização e o modelo de tributação monofásica ajudaram a ampliar a transparência, mas o desafio permanece relevante.

Os especialistas ouvidos no estudo alertam ainda que fiscalizações baseadas em critérios subjetivos de “preço abusivo” podem gerar insegurança jurídica e afetar investimentos. A previsibilidade regulatória, segundo eles, é um dos pilares para o funcionamento eficiente de um setor intensivo em capital e que depende de planejamento de longo prazo.

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O que o revendedor leva dessa leitura

Entender que distribuição e revenda respondem por apenas 13% do preço da bomba é um argumento técnico importante para o revendedor diante do consumidor e do debate público. O preço alto raramente nasce no posto: ele reflete petróleo, dólar, tributos e mistura obrigatória. Comunicar isso com clareza ajuda a proteger a reputação da revenda honesta.

Fonte: Veja — Abril Branded Content (estudo LCA Consultores / Sindicom), publicado em 09/06/2026. Dados de PIB e perdas por paralisação atribuídos a Banco Central e FGV.

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