Com a elevação do potencial, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) recomendou a redução gradativa da exposição ao combustível
Um novo estudo elevou o potencial causador de câncer da gasolina automotiva, que passou de “possível carcinogênica” para “cancerígena”.
Com a atualização da classificação, divulgada na última sexta-feira (21), o Instituto Nacional de Câncer (Inca) recomendou a redução gradativa da exposição ao combustível, principalmente para trabalhadores de postos e das indústrias petroquímicas, os quais são mais vulneráveis aos efeitos nocivos do agente.

Na análise científica, publicada na revista The Lancet Oncology, a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês) mudou a categorização, de 2014, e apontou que a gasolina automotiva causa:

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- leucemia mieloide aguda;
- câncer de bexiga.
Segundo as evidências da pesquisa, o combustível usado em veículos e automóveis ainda pode possivelmente provocar:
- síndrome mielodisplásica;
- linfoma não Hodgkin;
- mieloma múltiplo;
- câncer de rim;
- câncer de estômago;
- leucemia linfocítica aguda infantil.
A Iarc é uma instituição ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS) e é responsável por classificar a carcinogenicidade das substâncias. O Inca é um dos integrantes da organização internacional.

Quem é mais vulnerável?
A exposição à gasolina automotiva acontece, principalmente, pela inalação do vapor da sustância. A população e os trabalhadores da indústria petroquímica podem ser expostos ao agente nocivo durante a produção, o transporte e o abastecimento de automóveis.
Frentistas são apontados como o grupo mais vulnerável, devido à exposição aos níveis mais altos de gasolina que os demais cidadãos.
Com a mudança na classificação, o Inca publicou uma nota técnica recomendando o seguinte:
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- redução gradativa da exposição ocupacional a gasolina de veículos e automóveis;
- substituição do combustível por agentes com menor potencial de carcinogenicidade e toxicidade;
- adoção de sistema estruturado de recuperação de vapores das bombas dos postos de combustíveis
- implementação de processos de trabalho mais modernos visando evitar a exposição excessiva do trabalhador, minimizar riscos e danos à saúde e visando a proteção à saúde humana e à prevenção dos cânceres relacionados à exposição à gasolina automotiva, especialmente entre os trabalhadores mais expostos.

Mutação genética e inflamação: veja efeitos nocivos da gasolina
A pesquisa da Iarc analisou os mecanismos causadores de câncer no combustível e identificou que ele é genotóxico (danifica o DNA), induz estresse oxidativo e inflamação crônica em humanos. Há também uma forte evidência mecanicista em sistemas experimentais.
Nos estudos conduzidos em animais, os cientistas descobriram que a gasolina elevou a incidência de neoplasias malignas e uma combinação de tumores malignos e benignos, em ambos os sexos, de duas espécies em múltiplas análises científicas.
Ainda na nota técnica, o Inca e a Iarc elencaram os principais componentes tóxicos presentes na gasolina. São eles:
- benzeno;
- cumeno;
- xileno;
- tolueno;
- etilbenzeno;
- éter di-isopropílico (Dipe);
- éter terc-amilmetílico (Tame);
- éter metil terc-butílico (MTBE);
- éter etil terciário-butílico (ETBE);
- álcool terc-butílico (TBA).
O que é uma substância cancerígena?
O Inca explica que um agente é considerado cancerígeno quando a exposição a ele pode aumentar a incidência de neoplasias ou redução importante do período de latência entre a exposição e o aparecimento do câncer, conforme explica o Inca em nota técnica sobre o tema.
“O câncer é uma doença multifatorial, com longo período de latência, causado pela interação entre os fatores ambientais e genéticos. Entre 80% a 85% dos casos de câncer são decorrentes de exposições a agentes químicos, físicos ou biológicos presentes no meio ambiente, e o restante está relacionado a condições hereditárias ou genéticas”, destaca o instituto.
Proteja a saúde dos frentistas: Curso Obrigatório de Exposição ao Benzeno da Brasil Postos
Diante da nova classificação da gasolina automotiva como substância cancerígena, frentistas e demais profissionais do setor de combustíveis precisam estar ainda mais atentos aos riscos da exposição ao benzeno. Esse composto químico, presente na gasolina, pode causar sérios danos à saúde, incluindo leucemia mieloide aguda e câncer de bexiga.
Para minimizar esses riscos e garantir um ambiente de trabalho mais seguro, é essencial que os trabalhadores sejam capacitados sobre medidas de proteção e prevenção. O Curso Obrigatório de Exposição ao Benzeno da Brasil Postos, atualizado conforme a Portaria Nº 427 de 2021, oferece o conhecimento necessário para identificar situações de risco, adotar medidas preventivas eficazes e cumprir todas as exigências legais.
Com uma abordagem prática e acessível, o curso ensina sobre os perigos da exposição ao benzeno, o uso correto de EPIs e EPCs, sinalização de segurança, procedimentos de emergência e muito mais. Voltado para frentistas, profissionais de postos de combustíveis, motoristas de caminhão-tanque e trabalhadores de usinas, refinarias e distribuidoras, esse treinamento é fundamental para a proteção da saúde e a conformidade com as normas de segurança do trabalho.
🚨 Não corra riscos desnecessários! A capacitação é obrigatória e pode fazer toda a diferença para a segurança e bem-estar no trabalho.

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Fonte: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/
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