A verdade que a mídia não está contando: por que o preço do diesel está subindo e o dono do posto não é o vilão dessa história

Renato da Silveira
Prezado consumidor,
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Resumo
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Sabemos que nas últimas semanas você tem sido impactado pelo aumento no preço do óleo diesel nos postos de combustíveis.
Sabemos também que parte da mídia tem apontado o dedo para o dono do posto como responsável por essa alta. Precisamos falar com você com transparência e respeito, porque você merece conhecer a história completa — não apenas o capítulo mais fácil de contar.
Este comunicado é assinado por donos de postos de todo o Brasil que fazem parte do Ecossistema Brasil Postos. Somos empreendedores, trabalhadores, membros da sua comunidade. E hoje estamos sendo injustamente colocados no centro de uma crise que nasceu muito antes de chegar à nossa bomba de combustível.
O QUE ESTÁ ACONTECENDO DE VERDADE
Há um conflito geopolítico em curso no Oriente Médio que tem afetado diretamente o transporte internacional de petróleo. O bloqueio do Canal de Osmur — rota estratégica para o escoamento do barril de petróleo — está gerando escassez e especulação no mercado global. O preço do barril subiu, e essa alta chegou até aqui.
Mas o problema não para por aí. As grandes distribuidoras de combustível — que são as empresas responsáveis por nos vender o diesel antes que ele chegue até você — estão adotando duas posturas que sufocam o pequeno empresário dono de posto:
- Bloqueio de compras: Diversas distribuidoras estão simplesmente se recusando a vender diesel, alegando falta de estoque. O resultado? Postos que ficam sem produto e têm que buscar alternativas a qualquer custo.
- Aumento abusivo de preços: As poucas distribuidoras que ainda estão vendendo estão cobrando preços muito acima do normal, aproveitando-se da escassez criada pela crise internacional.
“Compramos caro, vendemos sem saber quanto vai custar a próxima reposição. Não é ganância — é sobrevivência em um mercado onde somos os últimos da fila.”— Dono de posto, São Paulo
O POSTO É O ELO MAIS FRACO DA CADEIA
Para entender a situação, é preciso compreender como funciona a cadeia de distribuição de combustíveis no Brasil. O petróleo percorre um longo caminho antes de chegar ao seu tanque:
PETRÓLEO (Mercado Internacional) ▶ REFINARIA / IMPORTADORA ▶ DISTRIBUIDORA ▶ POSTO DE COMBUSTÍVEL ▶ VOCÊ
Em cada etapa desta cadeia, há poder de negociação, contratos de longo prazo, capacidade de estocagem e influência política. O posto de combustível não tem nada disso. Nós somos o último elo antes do consumidor final — e o mais vulnerável de todos.
Não definimos o preço do barril. Não controlamos os estoques das distribuidoras. Não temos poder para negociar com refinarias. Apenas recebemos o combustível pelo preço que nos impõem, e somos obrigados a repassar ao consumidor — sob pena de fechar as portas.
Enquanto as distribuidoras têm contratos e estrutura para absorver variações de mercado, o dono de posto compra hoje, vende nos próximos 30 dias, e não sabe quanto vai pagar na reposição. O risco é inteiramente nosso.
A ARMADILHA DOS 30 DIAS
Há uma realidade financeira que poucos falam: quando você abastece hoje no nosso posto, muitas vezes recebemos esse pagamento em 30 dias — seja no cartão de crédito, seja em acordos comerciais com frotas e empresas.
Isso significa que compramos o diesel agora, pagamos agora, e só recebemos depois. Quando chega a hora de repor o estoque, o preço pode ter subido ainda mais. Não existe proteção para o dono de posto nessa equação. Quem absorve o risco somos nós — não a distribuidora, não a refinaria.
Aumentar o preço, nesse contexto, não é ganância. É a única forma de garantir que teremos dinheiro para comprar o próximo carregamento e manter as bombas funcionando para você.
SOBRE O QUE A MÍDIA NÃO ESTÁ CONTANDO
Nos últimos dias, vimos reportagens que mostram o preço subindo nos postos e apontam os donos como responsáveis. Sentimos que essas reportagens contam apenas metade da história.
É necessário fazer uma reflexão: as grandes distribuidoras de combustíveis são também grandes anunciantes nos principais veículos de comunicação do país. Investem fortunas em publicidade. Naturalmente, isso cria uma relação que pode influenciar — consciente ou inconscientemente — a forma como os fatos são apresentados ao público.
Não estamos acusando ninguém. Estamos pedindo que você, consumidor, exija da imprensa a história completa: quanto o posto pagou pelo diesel? Qual foi o aumento praticado pela distribuidora? Qual a margem real do posto em relação ao preço final?
Se a reportagem só mostra o preço na bomba sem mostrar o preço que o dono do posto pagou para comprar esse combustível, ela está te contando apenas o que é conveniente para alguém.
O QUE PEDIMOS A VOCÊ
Como donos de postos, não pedimos que você concorde com os preços. Pedimos que você entenda de onde eles vêm.
- Pergunte: quanto o posto pagou pela última carga de diesel? A maioria de nós responde sem hesitar.
- Exija transparência da mídia: a reportagem mostrou o preço de compra da distribuidora? Se não, está incompleta.
- Apoie o comércio local: o posto do bairro é um negócio da sua comunidade, gera empregos locais e paga impostos aqui.
- Cobre os responsáveis certos: distribuidoras, importadoras e o governo federal têm muito mais poder sobre o preço do combustível do que o dono do posto.
UM COMPROMISSO COM VOCÊ
Nos comprometemos a manter a transparência com nossos clientes. Caso necessário, afixaremos em nossos postos a nota fiscal do último abastecimento de diesel — para que você possa ver, com seus próprios olhos, quanto pagamos antes de cobrar de você.
Não somos inimigos do consumidor. Somos consumidores também. Pagamos luz, alimentação, escola para os filhos. Sentimos o aumento tanto quanto você.
A diferença é que também carregamos o peso de manter um negócio aberto, equipes empregadas e bombas funcionando — mesmo quando a cadeia inteira joga contra nós.
A crise do diesel é real. A alta é real. Mas o vilão não está atrás da bomba. Ele está muito mais acima nessa cadeia.

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