Na Copa Postos de combustíveis têm queda de até 60% do faturamentoO discurso de que o evento traria grandes lucros, na prática, não aconteceu para a maioria dos segmento empresariais

A Copa do Mundo, que surgiu com o apelo de geração de emprego e crescimento econômico, não foi benéfica para a grande maioria dos setores empresariais da grande Cuiabá. Dados do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (SindiPetróleo) e da Câmara dos Dirigentes e Lojistas da Capital (CDL) revelam que alguns setores sofreram quedas de 40% a 60%. Nisso os principais prejudicados foram os pequenos comerciantes, donos de postos de gasolina e concessionárias de carro.  

A avaliação é feita pelo diretor executivo do SindiPetróleo e conselheiro da CDL, Nelson Moraes.  Ele reforça que foram poucos segmentos que se deram bem com a Copa, em suma, os bares e restaurantes. “O efeito Copa do Mundo, de uma maneira geral, não foi muito benéfico. Eu ainda não tenho números específicos, mas a gente sabe que para o comércio houve uma queda acentuada no faturamento nos dias de jogos”.

Quem levou a pior nessa história foram os donos de postos de combustíveis que tiveram uma queda de 60% nas vendas. Essa queda foi mais acentuada principalmente nos 36 empreendimentos localizados na avenida Miguel Sutil. Mas também houve prejuízos nas avenidas da Feb e João Ponce de Arruda (região do aeroporto), localizadas em Várzea Grande.

Dos 36 postos, três terão que fechar definitivamente, pois a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) precisa do espaço para fazer as obras de mobilidade. Um acordo foi feito e os proprietários ficaram de receber indenizações do Governo. Coisa que não aconteceu até agora. O SindiPetróleo deixou o seu setor jurídico a disposição dos empresários, pois entende que eles precisam ser ressarcidos de alguma forma.

Houve também quatro postos que tiveram o seus espaços drasticamente reduzidos e os donos tiveram que fazer interferências relevantes por causa das obras, como a redução do terreno e alterações nos acessos dos estabelecimentos.

Fábio Marques, por exemplo, dono do posto Santos Dumont, calcula que já sofreu R$ 2 milhões em prejuízos desde quando iniciaram as obras para a Copa. Ele conta que o seu posto sofre com as intervenções há 18 meses.

 O estabelecimento está localizado na avenida João Ponce de Arruda, próximo ao Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande.  Na avenida são montados os trilhos para a via permanente do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Marques detalha que nesse período – antes, durante e pós Copa – a média de abastecimento de veículos caiu mais da metade. Se antes 130 mil veículos abasteciam por mês no posto, essa média caiu para 30 mil por mês.

Também houve demissão em massa de funcionários. Antes 35 trabalhavam no estabelecimento, hoje sobraram apenas seis funcionários.

As obras também fizeram a Secopa ocupar uma área de 12 metros de profundidade do posto. De acordo com Marques, a Governo nunca falou em indenizá-lo por conta disso.

“E nesse processo eu tive que remover a cobertura do posto que foi danificada por causa de uma carro guincho da empresa responsável pela obra que bateu na estrutura.  A entrada principal foi fechada e teve que se criar um desvio para os veículos terem acesso ao posto. A Secopa não teve planejamento para fazer essas obras”, disse o empresário que estuda mover um processo judicial de reparação financeira contra o Governo.

Já Daldir De Bessa, gerente do posto Vip, localizado na Miguel Sutil, conta que por causa da queda de movimento gerada pelas obras da Copa o estabelecimento, que funcionava 24 horas, passou a fechar às 21 horas. E nesse processo de mudança de horário a direção do posto se viu obrigada a fazer algumas demissões.

Ele cita que no período das obras e durante a Copa a media de abastecimento foi de 370 mil litros de gasolina por mês. Em condições normais, sem as obras, a média seria de mais de 500 mil litros por mês.

“Agora essas obras não podem parar, porque se não muitos donos de postos vão ter que fechar seus estabelecimentos”, disse o gerente de posto Daldir. 

Mas apesar das dificuldades geradas pelo efeito Copa, Nelson Moraes, o diretor do SindiPetróleo, afirma que a crise no setor foi apenas pontual e que o segmento, de uma maneira geral, vai conseguir fechar este ano no azul, com crescimento acima dos10% como tem acontecido nos anos anteriores.

De acordo com os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em Mato Grosso, existem 1032 postos de combustíveis credenciados para funcionar. Só em Cuiabá há 240 empreendimentos.  

Outros setores
 

Outro setor prejudicado foi o de veículos. Nelson destaca que nos dias de jogos da Copa houve uma redução de 40% no número de financiamentos de carros, situação que também afetou diretamente os postos de combustíveis.

Para o diretor do SindiPetróleo, a queda no financiamento dos carros se explica em razão da infinidade de feriados durante a Copa. “A pessoa não está disposta a desenvolver negócios num dia em que ela pode tirar para o lazer”. 

Nelson ressalta também que faltou planejamento por parte da Secopa, que não ouviu o setor quanto aos prejuízos que a Copa poderia gerar para o comércio.

“Olhando individualmente há uma grande quantidade de pequenos negócios que tiveram que fechar as portas e empresários que mudaram de ramo ou tiveram que sair da cidade porque foram impactados. Nós tentamos, desde o início, uma série de ações junto ao Governo do Estado e a prefeitura de Cuiabá, no sentido de encontrar um mecanismo que pudesse diminuir esse impacto. Poderia ter sito através da redução de impostos, da redução do pagamento de IPTU, alguma coisa que compensasse a perda que esses empresários estavam tendo. E em nenhum momento, nós fomos atendimentos. Nem pela prefeitura e nem pelo Governo do Estado”. 
Outro lado

 A reportagem tentou falar com a Secopa durante a semana inteira. No entanto, não houve o retorno das ligações.

Fonte: http://www.odocumento.com.br/

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