Entraves à venda direta de etanol

Quando um posto compra etanol diretamente de um fabricante, é necessário usar caminhões de menor tamanho para transportar volumes pequenos, levando a custos maiores. Dessa forma, a almejada redução no preço final não acontece.

Outro ponto importante que explica a venda direta ser irrelevante é a localização geográfica das usinas, situadas nas regiões produtoras de cana e longe dos centros consumidores. Apenas postos “bandeira branca” e fisicamente próximos de usinas compram diretamente, pois para os mais distantes, essa logística é inviável. Ou seja, poucos postos estão aptos a comprar etanol diretamente dos fabricantes.

Há ainda um fator de mercado: os preços do combustível nas bombas tendem a se equiparar dentro de uma mesma área de influência, principalmente em um mercado de commodity. Assim, ainda que haja uma redução no custo final, essa não é repassada para o consumidor.

Investimento em infraestrutura

Observar a dinâmica do mercado de combustíveis é essencial para buscar medidas efetivas para os objetivos definidos, como acontece agora com a discussão sobre o preço da gasolina e do diesel. Algumas das sugestões em discussão nas últimas semanas tendem a ser inócuas ou gerar o efeito contrário.

É o caso, por exemplo:

  • da criação do fundo de compensação proposto no PL 1472/2021, que não tem capacidade de absorver grandes oscilações no preço do petróleo;
  • da alteração da política de preço de paridade internacional, pois em um mercado de commodity vai gerar um desequilíbrio na Petrobras e causar desabastecimento interno;
  • e da ampliação da capacidade de refino, que é pouco atraente num cenário de substituição energética.

Uma das soluções mais eficazes para aumentar a concorrência e reduzir o preço final dos derivados de petróleo é investir em infraestrutura, com a construção de novas rotas de movimentação de granel líquido. Dessa forma, será possível modificar diferentes parcelas que compõem o preço final, como os preços de aquisição e de movimentação.

Por isso, o foco das entidades governamentais deve ser atrair capital para o setor, viabilizando investimentos que o poder público não consegue realizar neste momento.

Escrito por Marcus D’Elia é sócio-diretor da Leggio Consultoria, especializada em O&G e Infraestrutura. A consultoria tem como cliente empresas do setor de petróleo e energia.

Fonte: https://epbr.com.br/


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